A Associação das Indústrias Lácteas do Chile (Asilac) decidiu romper qualquer forma de diálogo com os produtores de leite enquanto as acusações feitas pelos mesmos frente à Fiscalía Nacional Econômica seja mantida.
Segundo Patricio Lyon, presidente da Asilac, esta ruptura ocorreu em função do resultado negativo que as indústrias vêm obtendo com suas ofertas feitas aos produtores chilenos.
As relações entre as indústrias de lácteos do Chile e os produtores de leite complicou-se bastante durante as últimas semanas, devido à baixa no preço do leite decretada pelas indústrias para os meses de primavera e verão. A situação chegou ao seu ponto máximo de tensão quando, no final da semana passada, a Fiscalía Nacional Económica decidiu solicitar que as indústrias viessem a se explicar sobre os motivos que levaram à baixa nos preços pagos aos produtores.
Desta forma, às 17 horas de ontem venceu o prazo de entrega desta solicitação. Segundo informou Lyon, as 4 empresas chamadas - Soprole, Parmalat, Loncoleche e Nestlé - apresentaram os dados solicitados.
Na semana passada, a Asilac tinha falado em não mais realizar a mesa de diálogo, proposta anteriormente, para que o assunto entre os produtores e as indústrias de lácteos do Chile fosse resolvido.
Com isto, as indústrias não somente fizeram uma forte crítica aos produtores de leite chilenos, encabeçados pela Federação dos Produtores (Fedeleche), mas também, à gestão do ministro da Agricultura, Jaime Campos.
Segundo Lyon, as empresas do setor "vêm enfrentando durante semanas, diversas medidas de pressão, ações ilegais e violentas, ataques verbais contra seis executivos e dirigentes, ameaças judiciais e, finalmente, uma acusação ante aos órgãos antimonopólios." Sendo assim, Lyon disse que o conjunto destas ações levou às indústrias a eliminar a possibilidade da realização de uma mesa de diálogo.
Lyon reuniu-se na manhã de ontem com o presidente da Sociedade Nacional da Agricultura do Chile (SNA), Andrés Santa Cruz, com o objetivo de propor soluções para médio e longo prazo, ao setor de lácteos. "Queremos avançar nos temas que nos preocupam, como o crescimento, o consumo interno, e ver como enfrentamos o tema das exportações, que é uma coisa que temos que fazer em conjunto", disse Lyon. Segundo ele, a SNA deu todo o seu apoio para chegar a soluções nesta linha que, eventualmente, poderiam passar pela formação de uma "mesa de diálogo" para o leite, composta também pelo governo e produtores.
Com relação à determinação da Asilac, de não mais realizar este diálogo, o presidente da Fedeleche, Jorge Alamos, disse que a possibilidade disso ocorrer não está totalmente descartada, e que a reunião que ocorrerá na Fiscalía Nacional Econômica, nesta quarta-feira, será decisiva para a solução deste conflito. A Fedeleche levou o caso a este órgão chileno antimonopólios, acusando as indústrias de lácteos de terem realizado cartel para baixarem o preço do leite - possibilidade descartada pela Asilac.
Outro ponto a ser discutido é se as indústrias divulgaram como deveriam as planilhas com os novos preços. Segundo o determinado pela Fiscalía em 1997, é obrigação das empresas publicar com um mês de antecedência - em um meio de divulgação local, um nacional, e dentro da própria indústria - as listas com os preços que pagarão na próxima temporada.
A Fedeleche acusa as indústrias de não terem cumprido este prazo de maneira correta. Além disso, em sua proposta, a Fedeleche incluiu uma medida preventiva para que os preços no inverno não sejam alterados.
Fonte: El Mercurio, adaptado por Equipe MilkPoint
Chile: indústrias de lácteos se negam a promover diálogo com produtores
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