Chile: Fusão de Nestlé com Soprole é contestada por sócios minoritários

Publicado por: MilkPoint

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Executivos da Soprole, empresa de lácteos chilena com predomínio de capital neozelandês, deram suas razões para não dar o passo que criaria o gigantesco consórcio lácteo - fusão da Soprole, cujo sócio majoritário é a companhia neozelandesa Fonterra, através da New Zealand Dairy Board, com a multinacional suíça Nestlé.

A Fonterra é a maior exportadora de lácteos no plano mundial, detém 51% da empresa chilena Soprole, a qual é líder no mercado no Chile, com 50% do mercado de leite fluido e 23% da captação de leite no país. A Nestlé é a maior empresa de alimentos do mundo, e líder em produtos lácteos. Ambas as empresas queriam se unir para estabelecer uma plataforma que lhes permitiria ter acesso ao mercado sul-americano, mas não mais poderão fazê-lo.

Para concretizar este acordo, no caso do Chile, era necessária a obtenção do apoio dos sócios minoritários da Soprole, sendo que o mais importante deles é a Fundação Isabel Aninat de Undurraga, ligada à Igreja Católica, com 43% da empresa.

A união da Soprole com a Nestlé faria com que as empresas ficassem com 70% de participação nas vendas de lácteos e 50% da compra de matéria-prima dos produtores chilenos. Justamente isso foi o que assustou à Federação Nacional dos Produtores de Leite (Fedeleche), e aos sócios minoritários da Soprole. O diretor da empresa, Manuel Valdés, explicou que a fusão significaria uma perda importante do poder de negociação dos produtores chilenos.

Valdés deixou claro que a Igreja chilena não tem nenhuma participação no gerenciamento da empresa, nem tampouco nas decisões tomadas pela mesma. Alguns membros do clero chileno quiseram deixar claro que nenhuma diocese da igreja católica estava se beneficiando do capital desta fundação, criada há 15 anos por Juan Luis Undurraga Aninat, com suas ações que possuía na Soprole, com o fim de desenvolver atividades beneficentes.

Valdés, que já foi presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA) do Chile, disse que votou contra o acordo das duas empresas, justificando que "sem produtores leiteiros chilenos prósperos e em expansão, a companhia não pode sobreviver".

"O poder de somente uma grande companhia, que poderia fixar preços e condições, faria com que ficasse muito difícil negociar o preço do leite. A entidade que se formaria seria de um peso muito grande. Não quero que a Soprole se transforme em uma simples distribuidora. O país tem possibilidades de gerar leite fresco e, com uma política de longo prazo, ser um exportador de matéria-prima".

Neste sentido, concordou com a postura da Fedeleche, cujo presidente é Jorge Álamos, quem, inclusive, vê na associação um problema estratégico para o Chile, porque, em sua opinião, os neozelandeses da Fonterra mantêm a indústria chilena em um ritmo lento, para evitar maior competição nos mercados internacionais, devido ao fato dos dois países - Chile e Nova Zelândia - terem as mesmas vantagens comparativas para produzir produtos lácteos.

A Fedeleche tem estado em permanente disputa com as indústrias de lácteos do setor, porque considera que estas não atuam de forma correta na fixação dos preços pagos ao produtor. As críticas da Fedeleche apontam para Soprole, Nestlé, Loncoleche e Parmalat, todos integrantes da Asilac, que, juntos, concentram 70% do mercado de leite chileno.

As companhias explicam que o problema é gerado por uma falta de visão a longo prazo, que poderia fazer com que o país se dirigisse rapidamente ao auto-abastecimento.

Reivindicações do setor

O diretor da Oficina de Estudos e Políticas Agrárias (Odepa) do Chile, Carlos Furche, disse que, "quando se pedem proteções tarifárias para um setor exportador e com alto potencial de desenvolvimento, há certamente um equívoco", referindo-se à pressão existente por parte dos produtores para que sejam aplicadas medidas de contenção às importações de lácteos.

"Os valores do ano de 2001, e os dados dos primeiros meses deste ano, demonstram que o Chile praticamente deixou de importar leite em pó, queijos, iogurte, manteiga, entre outros. Sendo assim, a verdade é que, se os dados forem analisados friamente, conclui-se que os problemas de preços que os produtores de leite reclamam não estão relacionados com as importações, mas sim, com a falta de transparência na definição do mercado interno".

Em 2001, o Chile teve superávit nos produtos lácteos, tanto em volume como em valor, pela primeira vez na história do país. "Em valores redondos, exportamos US$ 44 milhões e importamos US$ 35 milhões, ou seja, tivemos um saldo positivo na balança comercial leiteira de US$ 9,2 milhões pela primeira vez em nossa história".



Fonte: Lecheria Latina, adaptado por Equipe MilkPoint
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