As especulações de janeiro sobre a recuperação dos preços, aos poucos, dão espaço para fundamentos mais concretos. Pesquisadores do Cepea explicam que, no tocante à demanda (procura), de fato, houve um aumento por parte de indústrias de alimentos - nacionais e multinacionais - pelo produto doméstico, uma vez que os preços dos lácteos no mercado internacional estão elevados.
Do lado da oferta, também houve diminuição do volume, conforme apontado pelo ICAP-L/Cepea, o que reforça os motivos para as altas verificadas em janeiro e em fevereiro. Os produtores têm se deparado com um cenário pouco favorável. Apesar das chuvas abundantes em todas as bacias leiteiras, que ajudam na produção das pastagens, em muitos casos é necessária uma suplementação à dieta com concentrados. Contudo, os baixos preços recebidos em dezembro e em janeiro fizeram com que muitos produtores contivessem os custos de produção, diminuindo e até mesmo cortando o uso de concentrado para as vacas.
Em fevereiro, as altas foram registradas nos estados de Goiás (6,49%), São Paulo (5,41%), Minas Gerais (4,52%) e no Paraná (1,05%), segundo o Cepea. Já no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e na Bahia, os preços diminuíram em relação a janeiro. Vale notar que, no mês passado, produtores desses estados tinham obtido aumentos de preços, principalmente os gaúchos.
No mercado varejista, em janeiro de 2006, o consumidor brasileiro pagou na média cerca de 4,6% a menos pelo leite e derivados, segundo o IPC-Lácteos da FGV, se comparado a janeiro de 2005. Contudo, os preços pagos aos produtores, neste mesmo período, recuaram 21%. As informações são do Cepea.
