Cepea: preços de leite caem em janeiro

Segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, o preço médio do litro de leite em janeiro foi de R$ 0,4891, apresentado uma redução de 1,43% em relação à media de dezembro do ano passado, que foi de R$ 0,4962/l.

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Segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, o preço médio do litro de leite em janeiro foi de R$ 0,4891, apresentado uma redução de 1,43% em relação à media de dezembro do ano passado, que foi de R$ 0,4962/l.

De acordo com o centro, houve queda de preços em quase todos os estados pesquisados, mais expressivas em Santa Catarina, Goiás e Paraná (reduções de 2,62%, 2,57% e 5,51%, respectivamente). Apenas no Rio Grande do Sul houve estabilidade em relação a dezembro, havendo um aumento médio de apenas 0,22%.

Segundo pesquisa do Cepea realizada em janeiro, 58% dos profissionais de laticínios (compradores) consultados disseram acreditar em estabilidade dos preços a serem pagos ao produtor em fevereiro, pelo leite entregue em janeiro. Já 21% destacaram fundamentos que elevariam as cotações; e outros 21% previram queda dos preços.

No correr de dezembro, quando questionados sobre a tendência para os valores que seriam pagos em janeiro, 61% dos agentes sinalizavam queda, o que realmente ocorreu.

O preço médio de janeiro deflacionado pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), é 16,25% superior ao de janeiro de 2005 e 4,92% superior ao à média histórica deste primeiro mês.

Tabela 1. Preços pagos pelos laticínios (brutos) e recebidos pelos produtores (líquidos) em janeiro de 2007, referente ao leite entregue em dezembro de 2006.

Figura 1

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Guilherme Alves de Mello Franco
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/02/2007

A tabela de preços apresentada demonstra a premente necessidade de haver uma unificação no preço pago ao produtor. No Estado de Minas Gerais, apesar dos valores apresentados, dificilmente um produtor, em determinadas regiões, conseguiu receber tais numerários pelo produto entregue aos laticínios, apesar de ter o mesmo nível de gastos dos outros.

Na Zona da Mata, por exemplo, os preços baixaram assustadoramente, chegando ao patamar de R$ 0,42 (quarenta e dois centavos) o litro. Somente o produtor mais consciente e que produz elevada monta mensal do produto pôde pressionar ao laticínio para o qual fornece, através de contratos de preço mínimo e recebeu, pelo menos, a média estadual (R$ 0,50).

A justificativa dos laticínios é alicerçada no aumento de demanda produtiva e na baixa dos preços dos produtos lácteos, como o queijo, no mercado interno, o que inviabilizaria o pagamento de valores mais positivos. Todavia, sabemos nós que o aumento na produção não foi em patamares tão altos, a ponto de provocar a necessidade de uma baixa tão rigorosa. O grave problema é, portanto, que quem estabelece o preço pelo nosso produto é o comprador, já que o Governo Federal não se interessa em regulamentar o setor, limitando-se às fotografias com bonés em feiras e exposições, sem quaisquer movimentos reais em prol do setor.

Como nosso produto é perecível e quase nenhum de nós pode se dar ao luxo de empacotar e distribuir sua produção, temos que baixar os olhos e aceitar o óbulo que nos destinam, quase um mês depois da última entrega, por nosso básico produto. Estamos cansados de suplicar providências que nunca vêm e, se não desistimos, é por pirraça, teimosia, loucura ou seja lá que nome dar à nossa atitude.
Qual a sua dúvida hoje?