Cepea: custos sobem em 2009; preço recebido diminui

Os custos operacionais efetivos da pecuária de leite no acumulado de 2009 (janeiro a dezembro) aumentaram 0,52% sobre uma base já considerada alta em 2008, conforme pesquisas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP com apoio da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Os preços do leite, por sua vez, recuaram 2,36% ao longo do ano.

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - 3 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 1
Ícone para curtir artigo 0

Os custos operacionais efetivos da pecuária de leite no acumulado de 2009 (janeiro a dezembro) aumentaram 0,52% sobre uma base já considerada alta em 2008, conforme pesquisas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP com apoio da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Os preços do leite, por sua vez, recuaram 2,36% ao longo do ano. Esses cálculos são feitos com base nas propriedades típicas das regiões pesquisadas pelo Cepea em Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. A participação de cada uma é feita com base em suas respectivas produções.

Figura 1
Clique na imagem para ampliá-la.
Figura 1. Evolução do COE, COT, Leite e IGP-M desde 2008, média Brasil. Fonte: Cepea-USP/CNA.

Nesse cenário adverso para o produtor de leite, a renda média bruta foi suficiente para cobrir o COE (despesas com insumos), mas não os Custos Operacionais Totais (COT), que consideram as depreciações. Pesquisadores do Cepea explicam que isso significa que a situação do produtor de leite é sustentável apenas no curto prazo, não provendo recursos para a reposição dos equipamentos e instalações utilizados.

Figura 2
Clique na imagem para ampliá-la.
Figura 2. Margem de lucro sobre COE e sobre o COT (2009) - média estadual. Fonte: Cepea-USP/CNA.

Os estados que registraram os maiores aumentos no COE em 2009 foram São Paulo (5,03%), Minas Gerais (1,28%) e Paraná (0,84%). Já em Goiás e no Rio Grande do Sul, o COE recuou 0,19% e 2,17% respectivamente.

Analisando o preço do leite pago aos produtores por estado, Goiás foi o que teve a maior desvalorização em 2009, de 6,86%, seguido de Minas Gerais (-4,94%) e São Paulo (-2,22%). No mesmo período, os estados do Paraná e Rio Grande do Sul tiveram valorização de 4,47% e 1,89%, respectivamente.

Concentrado responde por 34% do custo médio nacional

A suplementação concentrada é tradicionalmente o principal custo da produção de leite. Levando em conta a amostra de propriedades pesquisadas pelo Cepea, esse item representou na média 34% do custo operacional efetivo, seguido de mão-de-obra - inclui funcionários fixos e consultorias técnicas (17,2%), volumoso - manutenção de pastagens, de canaviais e os custos com silagem (13,9%), energia e combustível (7,76%), sal mineral (3,68%) e medicamentos (2,8%). Nota-se que alimentação do rebanho, sozinha, representou 47,9% do custo operacional efetivo.

Em algumas regiões, os custos com silagens foram expressivos. Em Piracajuba (GO), o gasto médio em 2009 com a silagem foi de R$ 23.204,06, cerca de 63% do COE. Em Itaberaí (GO) e Barbacena (MG), este item representou 29% do COE e, em Uberlândia (MG), 25%.

Renda média de propriedades leiteiras chega a R$ 12.550/ha no Paraná

O nível de tecnificação na maioria dos estados é baixo, com exceção do estado do Paraná, que apresentou a maior renda por unidade de área, chegando a R$ 12.550,00/ha, seguido do Rio Grande do Sul (R$ 2.773,42/ha), São Paulo (R$ 1.268,40/ha), Minas Gerais (R$ 1.018,53/ha) e Goiás (R$ 934,44/ha), com a menor renda por área.

O rendimento relativamente baixo por área dos últimos três estados deve-se, entre outros fatores, à baixa taxa de lotação - propriedades relativamente grandes - e também à menor produção por animal.

Ainda nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Goiás, o gasto com mão-de-obra absorveu em média 19,7%, 20,2% e 19,1% da renda bruta com leite, respectivamente, em 2009.

Os estados do Paraná e Rio Grande do Sul tiveram os menores custos proporcionais com mão-de-obra, de 11,9% e 0,75%, respectivamente. Boa parte dessa "economia" é explicada pelo uso de mão-de-obra familiar, ou seja, gasta-se muito pouco com mão-de-obra contratada. Nas regiões de Mococa (SP), Cruz Alta (RS), Ipê (RS), Palmeira das Missões (RS), Cascavel (PR), Piracanjuba (GO) e São Luís dos Montes Belos (GO), por exemplo, verifica-se que não há contratação de funcionários fixos, apenas de consultorias técnicas.

As informações são do Cepea-Esalq/USP, adaptadas pela Equipe MilkPoint.
QUER ACESSAR O CONTEÚDO? É GRATUITO!

Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.

Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!

Ícone para ver comentários 1
Ícone para curtir artigo 0

Publicado por:

Foto MilkPoint

MilkPoint

O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

José Joaquim Gomes
JOSÉ JOAQUIM GOMES

ALEXÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 18/02/2010

Esta reportagem e pesquisa do CEPEA/ESALQ só confirma o meu prejuizo. Não sei até quando vou resistir, mas o fato é que produzir neste país está cada vez mais difícil, em especial produzir leite. Se nós produtores não encontrarmos um meio de unirmos o certo será o aumento da grandes latifúndios. É certo que para estes fica mais fácil, mas será que os pequenos poderão comprar os produtos dos grandes se não tiverem renda? É preciso alguma mudança urgente da política de produção agropecuária. Produção familiar é uma outra forma de escravatura. Pequenos, médios e grandes vão continuar existindo, mas é necessário oportunidade para todos, caso contrário é o caos.
Qual a sua dúvida hoje?