O ministro interino da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Amauri Dimarzio, instalou ontem (11) a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados. Segundo ele, o novo órgão deverá estruturar a área de lacticínios, buscando o equilíbrio entre oferta e demanda, além de uma renda adequada aos produtores e um produto saudável para os consumidores.
O Brasil é o quinto maior produtor mundial de leite e derivados, mas o consumo per capita de 130 litros/ano está abaixo dos 175 litros/ano recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Por isso, o governo e o setor estão avaliando a criação de uma campanha de estímulo ao consumo de lácteos no País.
Durante a reunião, o secretário-executivo da Câmara, o economista Sávio Pereira, da Secretaria de Política Agrícola (SPA) do Ministério, fez uma apresentação mostrando a atual situação do setor no Brasil, cuja produção é estimada em 22 bilhões de litros em 2003.
As importações brasileiras de lácteos reduziram 78,4%, entre 1998 e outubro deste ano, caindo de US$ 511,6 milhões para US$ 110,4 milhões. Enquanto isso, as exportações do setor registram crescimento desde 2000, devendo atingir US$ 42,41 milhões em 2003. Ele acredita que o Brasil tem condições de elevar ainda mais as vendas externas de produtos lácteos.
A recuperação deve-se a um conjunto de medidas do governo federal de apoio ao setor, destacou Sávio. Entre elas, o aumento dos recursos para o financiamento da estocagem e a criação do Pró-Leite, programa de crédito voltado à modernização da produção. Ele citou ainda a inclusão do leite em pó, mussarela e outros queijos na lista de exceção da Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul, hoje, de 27%, e a exigência de autorização prévia do Ministério para importação de produtos lácteos. "A proibição do uso de leite importado em programas sociais patrocinados pelo governo federal também ajudou a cadeia produtiva", ressaltou.
Para continuar crescendo, os representantes do setor defendem a adoção de algumas medidas. Querem, por exemplo, que o leite seja incluído na reforma tributária na lista de produtos da cesta básica. Além disso, pretendem desenvolver uma campanha de promoção do consumo de leite e a inclusão do produto na merenda escolar.
Órgão consultivo vinculado ao Conselho do Agronegócio (Consagro), a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados já tem uma aliada na campanha de aumento de consumo do produto no Brasil. É a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). De acordo com a presidente da entidade, Valéria Guimarães, o consumo de leite no país tem caído na infância e na adolescência, enquanto aumenta a ingestão de refrigerantes. "Isso pode trazer graves problemas de saúde pública no futuro, com o crescimento da incidência de osteoporose na faixa acima dos 40 anos", afirmou a médica, que participou da reunião de instalação da câmara.
Hoje, o consumo de lácteos no Brasil, entre os nove e os 18 anos, varia de 700 a 1.000 miligramas/dia. O ideal, ressaltou Valéria, é uma ingestão entre 1.200 e 1.500 miligramas/dia. Ela explicou que, na infância e na adolescência, o indivíduo forma a massa óssea. Depois dos 40 anos, começa a perdê-la. "Importantes estudos médicos mostram a importância da ingestão adequada de cálcio na infância e na adolescência. A diminuição do consumo de leite e derivados está diretamente relacionada à aquisição de osso novo", informa um documento da SBEM.
Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), adaptado por Equipe MilkPoint
Câmara Setorial do Leite deverá estruturar a área de laticínios
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