Fazer um diagnóstico da cadeia láctea paulista, objetivo principal na gestão de Daniel de Felipe, continuará a ser prioridade para Antonio Xavier
Dar seguimento ao que a gestão de Daniel de Figueiredo Felipe começou. Esta é a intenção do novo presidente da Câmara Setorial do Leite de São Paulo, Antonio José Xavier, diretor da AEX Consultoria, eleito a 11 de dezembro, por unanimidade, para um mandato de um ano.
O diagnóstico da cadeia é uma prioridade estabelecida pela Câmara, à qual Xavier pretende dar continuidade. "Recebemos uma proposta do Pensa, a qual analisaremos, eventualmente, fazendo sugestões para aperfeiçoá-la, e buscaremos levar adiante. Foi um projeto no qual o Daniel de Felipe se empenhou muito", comentou.
Sua maior preocupação refere-se ao encadeamento dos elos do setor lácteo: "Alguns elos têm relação até certo ponto conflitante com outros devido a seus interesses, principalmente quando se fala em custos, preços e matéria-prima", avaliou o consultor, afirmando que seu objetivo é procurar fazer a cadeia se entender cada vez melhor, "somando os interesses comuns e procurando definir de que maneira os conflitos podem ser enfrentados".
Xavier disse estar ciente de que não será de uma vez, mas acredita que que a cadeia pode conscientizar-se, pois, em sua opinião, os pontos que unem são muito mais fortes que os conflitos. "Nesse tipo de entidade que é a Câmara Setorial, cabe, em vez de tentar resolver os conflitos, o que pode endurecer posições, procurar maximizar alternativas, entendimentos, nos pontos em que todos os elos são convergentes", acrescentou.
Um dos pontos que conseguem unir a cadeia, segundo o presidente da Câmara Setorial, é o marketing do leite, "sobre o qual a Láctea Brasil tem trabalhado intensamente".
Segundo Xavier, definidos os pontos de conflito, talvez não haja ferramentas para eliminá-los e eles devam ser deixados de lado. "Quando a renda de um setor é limitada, cada um quer maximizar a sua parcela. No caso do leite, os produtores, em termos de preços pagos a eles, estão em situação de desvantagem, devido, por exemplo, à assimetria de informações e a falta de consciência de que somente se unindo conseguirão resolver esse tipo de problema. Enquanto a situação estiver assim, o conflito ficará sem solução", continuou.
Consultar todos os elos, para Xavier, é o primeiro passo para saber se eles revalidarão as prioridades que já existem ou criarão um novo elenco, e, a partir daí, ver o que fazer a respeito. "Consultar, consultar, consultar e extrair as decisões por consenso", reforçou, comentando que a unanimidade é boa à medida que poderá contar com o apoio de todos. "Recebi um mandato e, ao mesmo tempo, uma confiança de todo esse pessoal, e tenho o compromisso de satisfazê-los", completou, aproveitando para elogiar a atuação de Daniel de Felipe, que, em sua opinião, elevou o nível da Câmara, sendo mais difícil corresponder agora.
Balanço
Daniel de Figueiredo Felipe, vice-presidente da Leite Nilza e presidente da Coonai (Cooperativa Nacional Agroindustrial), ficou à frente da Câmara Setorial do Leite paulista por dois anos. Sua gestão, avaliou, foi "um período bastante positivo em termos da grande participação na Câmara Setorial, do envolvimento de toda a cadeia, desde fornecedores de insumos, de equipamentos, embalagens, indústrias e produtores".
De acordo com Felipe, o setor discutiu muito, participou e se organizou, encontrando espaço para conversar na Secretaria Estadual de Agricultura, tanto no mandato anterior quanto no atual. "Sentimos a atuação do governo", afirmou, citando como conquista importante o crédito presumido de ICMS para o longa vida, "que deu condições às indústrias de São Paulo para se equalizarem frente às de outros estados", embora, segundo ele, tenha demorado bastante para ser efetivado.
O crédito presumido foi oficializado em setembro de 2002 e prevê um retorno de 6,7% do imposto, que chega a 7% no Estado. "Ajudou a remunerar melhor o produtor, atingindo toda a cadeia", completou.
O ex-presidente da Câmara Setorial continuou dizendo que sente do governo um grande empenho no setor lácteo, o que pode ser visto, em sua opinião, com o Viva Leite, "programa social que acaba movimentando toda a cadeia láctea e chega ao cidadão". "É um volume muito grande, diariamente distribuído, fazendo do governo de São Paulo o maior comprador de leite pasteurizado do país", comemorou.
Como herança, citada por Xavier, Felipe deixou o objetivo de fazer, segundo ele, uma "tomografia do leite", um levantamento da cadeia láctea paulista, pelo que lutou durante os dois anos de seu mandato.
"Incomoda muito ouvir que o Brasil é o país do agronegócio, que a balança é positiva, que a soja é a maior, que a carne é a maior. Os políticos sempre falam desses produtos e não falam de leite. Só que o negócio que mais emprega é o leite, o que mais gera impostos. Queremos saber o que significa o leite no Estado, quem são os produtores, quantos são, que tecnologia usam, quais são as indústrias, o que produzem, quais seus canais de distribuição, quanto importam de outros estados. Creio que será muito positiva em termos de números e resultados. Precisamos quantificar e valorizar a importância do negócio leite", defendeu.
Felipe transferiu a presidência para Xavier, mas continuará atuando, na comissão que fará a tomografia do leite, ao lado de Xavier, Marcello de Moura Campos Filho, da Leite São Paulo, e Edson Rosolen, da Leite Brasil. "Como tem um custo e o governo tem dificuldade de colocar no orçamento, o setor privado resolveu bancar, dividindo o investimento entre as indústrias", revelou. A "tomografia" está marcada para iniciar a 1º de março de 2004 e deverá durar 100 dias.
Fonte: Mirna Tonus, da Equipe MilkPoint
Câmara Setorial do Leite de SP tem novo presidente
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