BRF aperta o passo, se torna global e prevê relançamentos

"Essa companhia, que se diz global, nunca foi global. Ela sempre foi exportadora". Repetida à exaustão por Abilio Diniz desde 2013, quando o empresário assumiu a presidência do conselho de administração da BRF, a frase perdeu o sentido. Depois de avançar sobre a cadeia de distribuição do Oriente Médio, tomar a liderança do mercado argentino de alimentos processados e chegar a 20ª fábrica no exterior, a BRF não é mais somente uma exportadora. "Isso que é uma empresa global", definiu ontem o empresário no "BRF Day", encontro com analistas realizado em São Paulo.

Publicado por: MilkPoint

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"Essa companhia, que se diz global, nunca foi global. Ela sempre foi exportadora". Repetida à exaustão por Abilio Diniz desde 2013, quando o empresário assumiu a presidência do conselho de administração da BRF, a frase perdeu o sentido. Depois de avançar sobre a cadeia de distribuição do Oriente Médio, tomar a liderança do mercado argentino de alimentos processados e chegar a 20ª fábrica no exterior, a BRF não é mais somente uma exportadora. "Isso que é uma empresa global", definiu ontem o empresário no "BRF Day", encontro com analistas realizado em São Paulo.

A expansão global, que fez a participação do Brasil no faturamento da BRF cair para menos da metade, não vai parar por aí. Além de avaliar a abertura do capital da subsidiária Sadia Halal, o Egito e a África Subsaariana entraram definitivamente no radar da companhia brasileira. "Estamos muito empolgados com a África. Em dez anos, tem todo o potencial para ser um mercado de mais de 1 milhão de toneladas por ano", afirmou o CEO da BRF, Pedro Faria. Ainda que não haja uma decisão concreta, o executivo disse ontem, em entrevista a jornalistas, que existem "conversas avançadas" sobre a possibilidade de a empresa contar com uma fábrica na África Subsaariana. Segundo Faria, trata-se de um "caminho natural.

No Egito, o conselho de administração da BRF aprovou no mês passado a criação de uma subsidiária. O objetivo imediato no país africano é avançar na área de distribuição de alimentos, seja por meio de parcerias ou aquisições. "Nossa marca é líder no Egito", destacou Faria.

Paralelamente ao interesse de investir na África, a BRF segue avaliando as melhores opções para "acelerar" o crescimento da Sadia Halal - a subsidiária foi criada em junho e já apresenta faturamento anual de US$ 2 bilhões, cerca de 20% do total. De acordo com o vice-presidente de finanças e relações com investidores da BRF, Alexandre Borges, a companhia mantém conversas com assessores financeiros, jurídicos e consultorias sobre as alternativas para a Sadia Halal.

No horizonte de médio prazo, a China também será alvo de investimentos da BRF. Atualmente, o país asiático é "apenas" um destino das exportações - um dos mais importantes, por sinal. No entanto, a empresa quer operar no país asiático.

Após profunda revisão do portfólio no Brasil, empresa prevê relançamentos

Após passar por uma profunda revisão de portfólio no Brasil e eliminar 220 itens vendidos no varejo, a BRF está revendo parte das decisões. A pedido dos supermercados, a dona das marcas Sadia e Perdigão relançará alguns dos produtos que foram retirados do mercado.

Conforme o gerente geral da BRF no Brasil, Rafael Ivanisk, a redução do portfólio feita há quase dois anos visava tirar do mercado itens de rentabilidade restrita ou baixo volume comercializado. No lugar deles, a ideia era lançar produtos que tivessem melhores margens. No entanto, houve um "descasamento" entre a retirada de itens das gôndolas e os lançamentos, o que favoreceu o avanço da concorrência. "Deveríamos ter esperado para retirar", admitiu Ivanisk em rápida entrevista ao Valor. Como os lançamentos não aconteceram paralelamente à retirada dos itens, o espaço foi ocupado pelos concorrentes.

A decisão da BRF de reduzir o portfólio também afetou produtos importantes para varejistas como o Grupo Pão de Açúcar (GPA). Na categoria de pratos prontos, por exemplo, a lasanha verde - um dos itens retirados devido ao baixo volume comercializado no Brasil - era responsável por cerca de 10% das vendas do GPA, afirmou Ivanisk. De acordo com ele, a BRF vai relançar 12 itens no quarto trimestre. Em 2017, entre dez e 12 itens também serão relançados.

Dentre os produtos, estão o pão de queijo - que agora terá a marca Perdigão -, a lasanha verde e porções menores de lasanha bolonhesa. Além dos relançamentos, a BRF também prepara novos itens. A programação da empresa prevê o lançamento de 75 novos produtos.

No Brasil, a BRF também tem planos para ingressar em outras categorias. Na esteira do sucesso do snack Salamitos, que marcou a estreia da empresa no segmento, a companhia avalia aproveitar a marca Qualy, de margarinas, e lançar geleias e cream cheese, afirmou Ivanisk, durante apresentação no "BRF Day". No futuro, a marca também poderá ser sinônimo de barra de cereais e chips de vegetais, acrescentou. No curto prazo, recompor as margens no país, corroídas pela alta do milho, segue como o maior desafio da empresa no Brasil. Tanto é assim que, em setembro, a BRF promoveu nova rodada de reajustes. Em média, os preços foram elevados em 3,5%.

O movimento de "trade down" - troca por categorias ou marcas mais baratas - que vem sendo marcante em tempos de crise econômica, continua afetando os preços e a rentabilidade da empresa, que mantém a liderança em alimentos processados com 57%.

As informações são do jornal Valor Econômico, resumidas pela Equipe MilkPoint.
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