As incertezas provocadas pelo Brexit poderão acelerar as gestões na Comissão Europeia pela aprovação de um novo "pacote anticrise" para o setor agrícola. Reunidos em Luxemburgo, os ministros da Agricultura dos países da UE listaram o que, em sua visão, deveria ser esse novo conjunto de medidas que completaria o socorro de € 500 milhões anunciado em setembro de 2015 e as outras medidas adicionais estabelecidas em março deste ano.
A ideia é que o novo pacote possa, sobretudo, estabilizar ou reduzir estruturalmente a produção no segmento de lácteos. Pelo plano que está sendo costurado, a Comissão Europeia precisará oferecer subsídios aos países-membros que aceitarem reforçar seus sistemas de produção de lácteos e também de carne suína. Nesse caso, os países poderão ter sinal verde para oferecer mais ajuda a esses dois segmentos e também ao de frutas e legumes.
França, Itália, Espanha, Polônia e Alemanha apoiam, ainda, que a Comissão Europeia dobre a ajuda "de minimis" (para cotização social, créditos de impostos etc), de € 15 mil para € 30 mil por produtor. Além disso, os países europeus pedem a implantação de instrumentos diferentes capazes de abrir mais mercados aos produtos do bloco por meio de créditos à exportação.
Pekka Pesonen, secretário-geral da central agrícola europeia Copa & Cogeca, argumentou que o resultado do plebiscito no Reino Unido favorável ao Brexit aumentou as incertezas no setor agrícola, que já sofre com baixo crescimento, alto custo de insumos e queda das cotações de algumas commodities - afora o veto de Moscou a suas exportações. "Os agricultores europeus estão sofrendo problemas severos de liquidez, e precisamos evitar outros distúrbios no mercado", disse Pesonen após conversar com alguns ministros da Agricultura em Luxemburgo.
Segundo o dirigente da Copa & Cogeca, a receita dos agricultores europeus caiu 4% no ano passado, apesar de as exportações terem aumentado mais de 5%. Para este ano, as perspectivas não são melhores, mas, segundo Pesonen, ainda é difícil fazer previsões mais exatas.
Indagado sobre o impacto do Brexit nas negociações entre UE e Mercosul em torno de um acordo de livre comércio, Pesonen admitiu que a disposição dos países europeus não será de ampliar concessões. Mas ele observou que tampouco é possível prever até onde vai a abertura de mercados para produtos agrícolas de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Em contrapartida, acrescentou Pekka Pesonen, o Reino Unido vai ter de costurar seus próprios acordos comerciais - e os britânicos costumam ser mais liberais.
A França, que lidera a ala protecionista na UE, espera que no dia 18 de julho a Comissão Europeia possa aprovar também medidas de apoio para o segmento de carne bovina. O ministro francês da Agricultura, Stéphane Le Foll, afirmou, em comunicado, que cerca de 20 países-membros apoiaram a proposta de Paris que prevê a mobilização urgente de recursos para incitar os produtores do Velho Continente a controlar sua oferta.
As informações são do jornal Valor Econômico.
Brexit pode acelerar aprovação de 'pacote anticrise' na União Europeia
As incertezas provocadas pelo Brexit poderão acelerar as gestões na Comissão Europeia pela aprovação de um novo "pacote anticrise" para o setor agrícola. Reunidos em Luxemburgo, os ministros da Agricultura dos países da UE listaram o que, em sua visão, deveria ser esse novo conjunto de medidas que completaria o socorro de ? 500 milhões anunciado em setembro de 2015 e as outras medidas adicionais estabelecidas em março deste ano.
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