Os dados da balança comercial brasileira indicam um cenário de recuperação do setor lácteo, com queda de importações e aumento de exportações em maio deste ano. Apesar das perspectivas positivas, a Comissão Nacional de Pecuária de Leite (CNPL) da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) avalia que a rentabilidade do produtor rural está estagnada desde o ano passado.
O preço médio pago pelo litro de leite em maio deste ano foi corrigido em apenas 1,94% na comparação com igual período do ano passado, em valores atualizados pelo Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna, da Fundação Getúlio Vargas (IGP-DI). Além disso, os insumos necessários para a pecuária de leite ficaram mais caros desde o ano passado, considerando os fatores de relação de troca.
Para comprar uma tonelada de farelo de soja em maio de 2002 era preciso produzir 1.062 litros de leite. Em maio deste ano, para adquirir a mesma tonelada de farelo de soja, é preciso produzir 1.341 litros de leite, registrando aumento de 26%.
A baixa margem de lucro da atividade leiteira está levando produtores a investir mais na agricultura, na busca por melhor rentabilidade para a atividade rural. A CNPL apurou, em reunião realizada no Rio Grande do Sul, que houve queda de 6% na produção gaúcha de leite nos dois primeiros meses deste ano, na comparação com o primeiro bimestre do ano passado, refletindo decisão de criadores que ampliaram a produção de soja em detrimento à pecuária de leite.
A CNPL avalia que há espaço para recuperação dos preços do leite pagos pela indústria, o que pode incentivar a produção do setor, garantindo não apenas o abastecimento interno, mas também excedentes para exportação. A manutenção de preços elevados dos lácteos no mercado internacional (entre US$ 1,65 mil e US$ 1,75 mil por tonelada de leite em pó integral) desfavorece as importações e impulsiona a demanda pela matéria-prima nacional, o que é provado pelos números da balança comercial.
Números
Em maio o Brasil importou 8,457 mil toneladas de produtos lácteos, o que representa queda de 63,1% na comparação com igual período do ano passado, quando foram compradas 22,891 mil toneladas de lácteos no Exterior.
Em sentido contrário, as exportações do setor somaram 2,294 mil toneladas em maio, representando crescimento de 28,5% na comparação com as 1,785 mil toneladas remetidas ao mercado internacional no mesmo mês do ano passado e aumento de 109,4% em relação a abril deste ano, quando as exportações somaram 1,095 mil toneladas.
Ao serem observados os resultados acumulados entre janeiro e maio, fica evidente a tendência de queda de importações. Nos cinco primeiros meses do ano o Brasil comprou 42,296 mil toneladas de lácteos do Exterior (contra 76,735 mil toneladas em igual período de 2002, representando queda de 44,9%).
"A produção pode crescer 4% este ano se os custos não subirem e permanecer o cenário de queda de importações e aumento das exportações", avaliou o assessor técnico da CNA, Marcelo Costa Martins.
Fonte: Departamento de Comunicação da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e Gazeta Mercantil (por Neila Baldi), adaptado por Equipe MilkPoint
Brasil importa menos leite e amplia exportações do setor em maio
Publicado por: MilkPoint
Publicado em: - 2 minutos de leitura
QUER ACESSAR O CONTEÚDO?
É GRATUITO!
Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.
Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!
Publicado por:
MilkPoint
O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.