Benefícios para a saúde de se consumir lanches saudáveis - Parte 1/3

Leite e sáude: Na atual sociedade com múltiplas tarefas, sempre em movimento, os lanches - pequenas refeições feitas normalmente entre as grandes refeições - são um componente central nas rotinas de consumo das pessoas. Enquanto escolhas não saudáveis podem reduzir o valor nutricional de uma dieta bem balanceada e contribuir com problemas de saúde, os lanches saudáveis podem ajudar a aumentar a ingestão de nutrientes. Por Juliana Santin.

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Introdução

Na atual sociedade com múltiplas tarefas, sempre em movimento, os lanches - pequenas refeições feitas normalmente entre as grandes refeições - são um componente central nas rotinas de consumo das pessoas. De fato, o consumo de lanches é uma prática comum em quase todos os grupos etários e em ambos os sexos (1-5). O NPD Group, um fornecedor global de pesquisas sobre mercado consumidor e varejista, reportou que 87% dos consumidores dos Estados Unidos disseram consumir lanches (6). Os consumidores gastaram mais de US$ 93,5 bilhões em lanches em 2009 e as vendas de lanches deverão continuar crescendo (6,7). Estudos feitos entre crianças, adolescentes e adultos revelaram que a prática de consumir essas pequenas refeições aumentou bastante nas últimas décadas e, hoje, os lanches representam em média cerca de um quarto das calorias diárias consumidas (2-5).
A popularidade dos lanches tem levantado questões referentes a seu impacto na saúde dos consumidores. Especificamente, como o consumo de lanches afeta a densidade de nutrientes da dieta e os lanches levam ao sobrepeso/obesidade? Enquanto escolhas não saudáveis podem reduzir o valor nutricional de uma dieta bem balanceada e contribuir com problemas de saúde, os lanches saudáveis podem ajudar a aumentar a ingestão de nutrientes. Existem evidências de que os norte-americanos estão buscando e fazendo mais escolhas saudáveis para seus lanches (6,8).

Visão geral do consumo de lanches

Qual a definição de "lanchar"? Baseado em uma revisão de mais de 100 estudos sobre o consumo de lanches, pesquisadores concluíram que não existe uma definição universalmente aceita desses termos (9). Lanchar foi definido por uma série de abordagens, incluindo perfil de nutrientes (isto é, classificação dos alimentos baseado em sua qualidade e composição), hora do consumo (isto é, alimentos consumidos entre as refeições tradicionais ou em todas as outras horas que não sejam as refeições principais), grupo de alimentos (isto é, grupos de alimentos consumidos juntos), frequência das ocasiões de consumo (isto é, uma definição implícita de lanchar) e percepção dos indivíduos sobre o consumo de lanches (isto é, a definição auto-descrita de lanches e lanchar) (9).
Um estudo com 122 estudantes mostrou que informações sobre os alimentos (como qualidade nutricional, tamanho da porção, ser ou não ser saudável, tempo de preparo) e informações ambientais (consumo com a família ou consumo individual, qualidade do guardanapo e do prato) influenciaram se consideravam uma ocasião de consumo de alimentos como sendo uma refeição ou um lanche (10). Alguns consumidores podem definir um lanche como um certo tipo de alimento, particularmente alimentos de baixo valor nutricional (como biscoitos, batatas chips), enquanto outros podem se referir aos lanches como alimentos consumidos em um certo momento do dia. O que constitui o lanche para uma pessoa pode ser considerado uma refeição para outra.
O uso das diferentes definições de lanches nos estudos tentando definir os efeitos para a saúde do consumo de lanches resultou em um consenso não claro sobre os efeitos do consumo de lanches e, dessa forma, do desenvolvimento de recomendações baseadas em dados científicos sobre o consumo de lanches aos consumidores (9).

Prevalência do lanche. Descobertas e pesquisas representativas feitas nos Estados Unidos sobre a ingestão de alimentos mostrou que não somente são mais pessoas consumindo lanches, mas também, essas estão consumindo lanches com mais freqüência (1-5). De acordo com dados do "What We Eat in America (WWEIA)", o componente referente à dieta da Pesquisa Nacional de Avaliação de Saúde e Nutrição (NHANES) 2005-2006, a porcentagem de adolescentes que fazem lanches aumentou de 61% em 1977-78, para 83% em 2005-06, e a frequência média dos lanches aumentou de forma significante, de 1,0 para 1,7 vezes por dia (2). Durante o mesmo período, a porcentagem de adolescentes que consumiam três ou mais lanches por dia aumentou mais de duas vezes (isto é, de 9% para 23%). Uma tendência similar é mostrada para adultos (3). Dados do WWEIA, NHANES 2007-08 indicam que a porcentagem de adultos com idade de 20 anos ou mais que consumiram lanches aumentou de 59% para 90% entre 1977-78 e 2007-2008 e a frequência dos lanches diários dobrou (isto é, de 1,0 para 2,2 vezes por dia) durante esse período (3). Em 2007-08, cerca de dois terços dos adultos (65%) consumiram lanches duas ou mais vezes por dia, enquanto em 1977-78 a maioria dos adultos (73%) consumiu lanches somente uma ou nenhuma vez (3). Nessas pesquisas, as ocasiões de consumo de lanches foram reportadas pelos participantes como ocasiões diferentes de consumo, consistindo em pelo menos um item de alimento ou bebida, incluindo água (2,3).

O que, quando onde e por que as pessoas fazem lanches. Os alimentos e bebidas consumidos como lanches variam amplamente, desde aqueles que têm uma baixa proporção entre nutrientes e energia, como bebidas adoçadas ou os lanches tipo "porcaria", como salgadinhos chips, bolachas, doces, bolos, até aqueles que fornecem uma quantidade significante de nutrientes com relação às calorias, como leite com baixo teor de gordura e outros alimentos lácteos, nozes e sementes, frutas e sucos de frutas, vegetais e carnes magras (2,3). Durante os anos, os lanches com baixa proporção entre nutriente e energia aumentaram muito. Quando os tipos de lanches consumidos entre 1989-91 e 2003-06 por crianças e adolescentes com idade de 2 a 18 anos foram avaliados, descobriu-se que as crianças aumentaram sua ingestão de lanches salgados densos em energia e doces, bebidas de frutas e bebidas esportivas como fonte de energia; sobremesas (bolachas e bolos) continuaram sendo a principal fonte de lanches; e o consumo de fruta fresca caiu (4). Em 2006, as bebidas adoçadas (incluindo os refrigerantes com açúcar) foram o terceiro maior contribuinte para a energia dos lanches (4). Um estudo similar com adultos mostrou um aumento nos lanches salgados, doces, nozes/sementes, bebidas alcoólicas e bebidas esportivas como fonte de energia dos lanches e uma redução nas sobremesas, leite/lácteos e sucos/frutas (5).
A boa notícia é que, de acordo com o interesse do público em aumentar a qualidade das dietas tornando-as mais saudáveis (11-13), muitos consumidores estão mudando para lanches mais saudáveis (6,8,14,15). Uma recente e ampla pesquisa de mercado sobre o comportamento de consumo de lanches e a motivação conduzida pelo Innovation Center for U.S. Dairy® mostrou que metade dos consumidores lanchava (51%) para suprir suas necessidades nutricionais, enquanto 49% dos consumidores consumiam os lanches pelo "prazer de mastigar" algo (isto é, lanches doces ou salgados saborosos) (6). Essa tendência em direção aos lanches mais nutritivos é refletida pela maior demanda por iogurte como um lanche (6).
Apesar de a maioria dos consumos de lanches ocorrer à tarde ou à noite (6,14), o consumo pela manhã está aumentando (16). Uma pesquisa de 2010 feita pela Associação Dietética Americana/Fundação Associação Dietética Americana mostrou que as crianças consomem lanches durante todo o dia (17), o que pode fornecer muitas oportunidades para pais e escolas oferecerem lanches nutritivos.

Os alimentos e bebidas consumidos nos lanches estão em toda parte. A maioria (78%) dos lanches é consumida em casa, com 22% sendo consumida fora de casa (6). Apesar de tradicionais lojas de varejo serem as principais fontes dos lanches (6), mais do que nunca os lanches estão agora sendo obtidos em restaurantes (18). Os lanches, especialmente os alimentos e bebidas muito calóricos e com poucos nutrientes, estão amplamente disponíveis em lojas de varejo, cujo principal negócio não é o alimento, como farmácias e postos de gasolina (19). Os lanches também estão disponíveis nas escolas (20).
Onde o lanche é obtido pode influenciar no fato de ser escolhido um lanche saudável ou não (21). Um estudo mostrou que crianças de baixa renda frequentemente compravam lanches, particularmente os muito calóricos e pouco nutritivos, como salgadinhos chips, doces e bebidas adoçadas antes e depois da escola em lojas de conveniência próximas (21). Além disso, um estudo com 1.577 pré-adolescentes mostrou que 69,2% dos estudantes consumiam lanches enquanto assistiam televisão e que pelo menos metade (53,2%) dos estudantes consumia alimentos menos saudáveis (salgados) enquanto viam TV (22). As opções mais nutritivas, como leite e suco, representaram menos de um quarto (24,1%) do total de bebidas consumidas (22).
As pessoas consomem lanches por uma variedade de razões, como alívio da fome, mas também por causa da disponibilidade de lanches, de estímulos psicológicos e emocionais (como tédio, conforto, recompensa, alivio do estresse, experiência prazerosa) ou em resposta a uma série de questões culturais e sociais (enquanto assistem televisão, por exemplo) (9,15). Uma revisão de estudos recentes mostrou que a restrição por parte dos pais de lanches saborosos ou desejáveis em um esforço de reduzir o consumo de calorias ou prevenir a obesidade em crianças é provavelmente contra-produtivo, levando as crianças a comerem na ausência de fome e aumentando sua ingestão desse tipo de alimento (9). Para fazer recomendações efetivas sobre o consumo de lanches, os pesquisadores sugerem que são necessárias mais pesquisas para entender o que motiva o consumo do lanche (9).

Referências bibliográficas

1. U.S. Department of Agriculture, Agricultural Research Service, Beltsville Human Nutrition Research Center, Food Surveys Research Group. MyPyramid Intakes and Snacking Patterns of
U.S. Adults: What We Eat in America, NHANES 2007-2008. Food Surveys Research Group Dietary Data Brief No. 5, 2011. http://ars.usda.gov/Services/docs.htm?docid=19476. Accessed August 5, 2011.
2. U.S. Department of Agriculture, Agricultural Research Service, Beltsville Human Nutrition Research Center, Food Surveys Research Group. Snacking Patterns of U.S. Adolescents: What We Eat in America, NHANES 2005-2006. Food Surveys Research Group Dietary Data Brief, 2010. http://ars.usda.gov/Services/docs.htm?docid=19476. Accessed August 5, 2011.
3. U.S. Department of Agriculture, Agricultural Research Service, Beltsville Human Nutrition Research Center, Food Surveys Research Group. Snacking Patterns of U.S. Adults: What We Eat in America, NHANES 2007-2008. Food Surveys Research Group Dietary Data Brief No. 4, 2011. http://ars.usda.gov/Services/docs.htm?docid=19476. Accessed August 5, 2011.
4. Piernas, C., and B.M. Popkin. Health Aff (Millwood) 29: 398, 2010.
5. Piernas, C., and B.M. Popkin. J. Nutr. 140: 325, 2010.
6. Innovation Center for U.S. Dairy®. Snacking: Identifying a World of Opportunities for Dairy. Innovation Center for U.S. Dairy®, April 2010.
7. Watson, E. "Frenzied lifestyles" prompt US consumers to snack more than ever, report. www.foodnavigator-usa.com/content/view/print/380455. Accessed June 13, 2011.
8. Sloan, A.E. Food Technol. 65(4): 24, 2011.
9. Johnson, G.H., and G.H. Anderson. Crit. Rev. Food Sci. Nutr. 50: 9, 848, 2010.
10. Wansink, B., C.R. Payne, and M. Shimizu. Appetite 54: 214, 2010.
11. International Food Information Council (IFIC) Foundation. 2011 Food & Health Survey. Consumer Attitudes Toward Food Safety, Nutrition, & Health.Washington, DC: International Food Information Council Foundation, 2011. www.foodinsight.org. Accessed September 3, 2011.
12. Food Marketing Institute. U.S. Grocery Shopper Trends 2010. Arlington, VA: Food Marketing Institute, 2010.
13. Food Marketing Institute and Prevention magazine (Rodale). Shopping for Health 2010. Arlington, VA: Food Marketing Institute, 2010.
14. Sloan, A.E. Food Technol. 62(1): 20, 2008.
15. Sloan, A.E. Food Technol. 63(7): 18, 2009.
16. Hill, S. Snacks are the fourth meal of the day. Food Navigator. October 10, 2008. www.foodnavigator-usa.com/content/view/print/222356. Accessed September 3, 2011.
17. American Dietetic Association and American Dietetic Association Foundation. Key Findings:
ADAF Family Nutrition and Physical Activity Survey. November 2010. www.eatright.org. Accessed January 5, 2011.
18. Sloan, A.E. Food Technol. 64(10): 28, 2010. 19. Farley, T.A., E.T. Baker, L. Futrell, et al.
Am. J. Public Health 100: 306, 2010. 20. Briefel, R.R., A. Wilson, and P.M. Gleason. J. Am. Diet. Assoc. 109: 79s, 2009.
21. Borradaile, K.E., S. Sherman, S.S. Vander Veur, et al. Pediatrics 124: 1293, 2009.
22. Skatrud-Mickelson, M., A.M. Adachi-Mejia, and L.A. Sutherland. J. Am. Diet. Assoc. 119: 1385, 2011.

Baseado no artigo "Health Benefits of Smart Snacking", do National Dairy Council (http://www.nationaldairycouncil.org) - Dairy Council Digest Archives, Volume 82, Número 6 novembro/dezembro de 2011.
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Material escrito por:

Juliana Santin

Juliana Santin

Médica veterinária formada pela FMVZ/USP. Contribuo com a geração de conteúdo nos portais da AgriPoint nas áreas de mercado internacional, além de ser responsável pelo Blog Novidades e Lançamentos em Lácteos do MilkPoint Indústria.

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