Balança registra leve déficit em outubro

A alta de preços no mercado internacional, dada principalmente pela redução de oferta de lácteos, sinaliza um cenário positivo para o mercado leiteiro no Brasil. Isso porque os valores externos estão mais atrativos que os do mercado interno, o que pode influenciar uma redução das importações nos próximos meses.

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De acordo com dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), a balança comercial de lácteos registrou novo saldo negativo em outubro. Apesar do déficit de US$ 836,7 mil ser relativamente modesto, o número fica significativamente pior ao ser comparado com o superávit de US$ 8,9 milhões no mesmo período do ano passado.

Outubro foi o quinto mês no ano a registrar déficit na balança de lácteos, e no acumulado do ano a soma das importações é superior à das exportações em US$ 2,041 milhões, indicando na prática um equilíbrio na balança comercial.

Incluindo nos lácteos transacionados a farinha láctea, o doce de leite, o leite em pó modificado, as caseínas e caseinatos e as lactalbuminas, o setor teria registrado em outubro um déficit de US$ 1,177 milhão. Já no acumulado do ano, o saldo seria positivo em US$ 8,06 milhões.

A seguir, as importações e as exportações são analisadas dentro do contexto atual de mercado.

Gráfico 1. Evolução do saldo da balança comercial de lácteos nos últimos meses, em valor FOB (Mil US$).

Figura 1

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Importações

As importações em outubro foram superiores ao mesmo período de 2005 em cerca de 127% em valor e 145% em volume. Em relação a setembro, apresentaram uma queda de 7,2% em valor e 14,4% em volume.

Os principais produtos importados em outubro foram o leite em pó (51,6%), soro de leite (23,1%) e queijos (18,4%) em valor FOB.

No acumulado do ano, o volume importado ficou em 74,5 mil toneladas, ou seja, 20,3% superior ao mesmo período do ano passado. Em valor, foram importados 122,4 milhões em lácteos, representando um acréscimo de 19,5% frente a 2005.

A oferta interna restrita, quando considerado o acumulado do ano, e o real valorizado frente ao dólar são os fatores que determinaram o aumento das importações nesse ano. Analisando pelo lado do câmbio, é possível dizer que as importações só não têm sido maiores porque os preços no mercado internacional subiram nos últimos meses, revertendo uma tendência de leve queda nos preços externos verificada no primeiro semestre.

Mesmo com esse novo cenário de preços externos mais altos, que tende a reduzir a atratividade das importações, os preços de leite no mercado interno têm estado acima do verificado em países relevantes na exportação de leite, sendo o principal exemplo a Argentina. Lá, segundo dados da Sagpya (Secretaria de Agricultura, Pecuária, Pesca e Alimentos), o valor pago pelo litro de leite aos produtores em setembro foi de 0,4992 pesos, o que equivale a US$ 0,1647/l (segundo dados de câmbio do Banco Central do Brasil). Ou seja, os preços no no mercado nacional estiveram, em dólares, quase 40% mais altos que na Argentina, favorecendo as importações brasileiras.

Não por acaso o país vizinho foi responsável por cerca de 54% do valor das importações em outubro, e 43,5% em volume. As importações argentinas só não foram maiores pelo fato do governo argentino impor taxas de exportação justamente com o intuito de evitar uma saída excessiva de leite, sinalizando a preocupação da Argentina em segurar os índices de inflação. É provável também que o interesse de abastecer outros mercados conquistados pela Argentina tenha contribuído para limitar as exportações para o Brasil, ainda mais em um cenário em que o mercado externo está aquecido. O mercado trabalha com a informação de que a Argentina está vendida até fevereiro de 2007.

Gráfico 2. Evolução das importações de lácteos (leites UHT, leites em pó, leite condensado, iogurtes, soro de leite, manteiga e queijos) em volume (mil quilos).

Figura 2

Clique aqui para ver as tabelas 1 e 2 com os dados de importação de lácteos em valor FOB e volume.


Gráfico 3. Participação dos lácteos no valor das importações de janeiro a outubro de 2006 (leites UHT, leites em pó, leite condensado, iogurtes, soro de leite, manteiga e queijos).

Figura 3

Exportações

As exportações em outubro representaram um aumento de cerca de 53% em valor e 52% em volume em relação ao mês anterior.

No acumulado do ano, já somam aproximadamente US$ 120,4 milhões e 76,9 mil toneladas, o que significa um aumento de 16,6% em valor e 23,3% em volume.

Gráfico 4. Evolução das exportações de lácteos (leites UHT, leites em pó, leite condensado, iogurtes, soro de leite, manteiga e queijos) em volume (quilos).

Figura 4

Clique aqui para ver as tabelas 3 e 4 com os dados de exportação de lácteos em valor FOB e volume.

O principal produto exportado continua sendo o leite condensado, responsável por 54,1% do valor obtido com as vendas externas em outubro e 42,9% no acumulado do ano. Em volume, esse produto é responsável por cerca de 55% das exportações até outubro. Nesse cenário de câmbio desfavorável, o leite condensado se apresenta como uma alternativa bem mais viável do que o pó para exportação.

O segundo produto é o leite em pó, responsável por 20% do valor das vendas em outubro, mas no acumulado do ano representa uma queda nas vendas de 15,7% em valor e 17,3% em volume em relação ao mesmo período do ano passado.

Gráfico 5. Participação dos lácteos no valor das exportações de janeiro a outubro de 2006 (leites UHT, leites em pó, leite condensado, iogurtes, soro de leite, manteiga e queijos).

Figura 5

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Os principais destinos das exportações em outubro, em valor, foram a Venezuela (30%), Estados Unidos (17%), Filipinas (11%) e Angola (9%).

Vale ressaltar a redução do envio de lácteos para a Angola em outubro, visto que, no mês anterior, foi responsável por 26,3% das exportações brasileiras.

Além disso, os Estados Unidos aumentaram as importações do Brasil em outubro em 1510% em volume e 510% em valor em relação a setembro.

Preços internacionais

Tabela 5. Preços de exportação dos principais lácteos exportados pelo Brasil, em dólares por quilo.

Figura 6

Perspectivas

A alta de preços no mercado internacional, dada principalmente pela redução de oferta de lácteos, sinaliza um cenário positivo para o mercado leiteiro no Brasil. Isso porque os valores externos estão mais atrativos que os do mercado interno, o que pode influenciar uma redução das importações nos próximos meses.

Outro fator, segundo agentes exportadores, é que a disponibilidade de soro de leite no mercado internacional é pequena, principalmente nos países do Mercosul, o que conseqüentemente provocaria uma queda das compras brasileiras desse produto, que, segundo os dados da Secex, é o segundo produto mais importado pelo país.

A substituição das importações nos próximos meses pode fazer com que o volume que seria enviado ao mercado externo seja vendido nacionalmente, fazendo com que possa haver um aumento das exportações nos primeiros meses do próximo ano.

A redução das compras externas também pode favorecer o mercado nacional. Agentes exportadores acreditam que os preços pagos internamente possam, no mínimo, permanecer estáveis, visto que o período é de pico de safra.

As tendências verificadas, tendo em vista o cenário internacional, podem favorecer um equilíbrio da balança comercial de lácteos até o final do ano. Como até outubro o saldo foi negativo em aproximadamente US$ 2 milhões, um pequeno aumento das exportações e redução das importações tende a equilibrar o valor da balança no fechamento do ano.
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Material escrito por:

Aline Barrozo Ferro

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