O ministro da Agricultura, Pesca e Florestas da Austrália, Warren Truss, junto a uma comitiva daquele país visitou Piracanjuba ontem (06), com a intenção de conhecer o sistema de produção de leite de Goiás e fortalecer a parceria entre os dois países. A Austrália é o país que propôs a criação do Grupo de Cairns, a junção de 30 países que não contam com subsídio para agropecuária e têm neste setor uma grande importância na balança comercial.
A Austrália, junto ao Brasil, Argentina, Uruguai, Nova Zelândia e o Chile, faz parte da Aliança Láctea Global, um subgrupo de Cairns, fundado em agosto do ano passado, destinado à pecuária, com a proposta de discutir o mercado internacional, o protecionismo, o subsídio dos países desenvolvidos e a abertura de novos mercados.
A comitiva liderada pelo ministro da Agricultura australiano visitará várias cidades brasileiras com tradição em pecuária leiteira para conhecer de perto a sanidade e a genética do rebanho nacional. Os australianos também visitarão os outros países da Aliança na América do Sul (Argentina, Chile e Uruguai).
Para o ministro australiano, cada país deve desenvolver suas técnicas locais, "mas em termos mundiais, países como o Brasil e a Austrália devem trabalhar em conjunto para se livrarem dos subsídios que estão sendo pagos pelos países, principalmente os EUA, que estão dificultando a venda de leite brasileiro e australiano no mercado mundial".
Conforme o presidente da Federação de Agricultura do Estado de Goiás (Faeg), Macel Caixeta, os custos australianos para produção de leite são semelhantes aos brasileiros (cerca de US$ 0,13 por litro). Atualmente, o produtor brasileiro recebe, em média, R$ 0,44 pelo litro do leite. O maior preço chega a, no máximo, R$ 0,55. Os europeus recebem, em média, US$ 0,33 por litro.
Piracanjuba
Piracanjuba foi escolhida por ser a maior bacia leiteira de Goiás e a terceira do País, com uma produção em 2001 de 67.955 mil litros de leite. Para o secretário da Agricultura José Mário Schreiner, "Piracanjuba representa aquilo que Goiás pode mostrar de melhor para as visitas internacionais". A comitiva visitou a Fazenda Felicidade, de propriedade do prefeito José Lourenço, onde conheceu o sistema de ordenhas, as instalações da fazenda e exposições sobre a produção de leite no Brasil e em Goiás.
A produção de leite no País pulou de 15,8 bilhões de litros em 1992 para 20,4 bilhões em 2002 e a expectativa é de que chegue a 21,2 bilhões de litros este ano. A região Centro-Oeste foi a segunda em crescimento durante a década de 90, com um salto de 76,40%, inferior somente à região Norte, que apresentou um crescimento de 80,70%.
No ranking mundial, o Brasil é o quinto país em produção de leite, representando 4,39% da produção mundial. Apesar da grande produção, a exportação do segmento é fraca, o que se espera mudar com a Aliança Láctea Global. Segundo o deputado Leonardo Vilela, as negociações podem fazer com que a produção de leite no Brasil, a médio prazo, cresça de 30% a 40%. Os potenciais consumidores seriam a China, o norte da África e a América Central.
Fonte: Diário da Manhã/GO (por Pablo Santos) e O Popular/GO (por Lúcia Monteiro), adaptado por Equipe MilkPoint
Australianos conhecem sistema de produção leiteira do Brasil
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