Vacas podem ter sotaque regional?

Pesquisas exploram se vacas desenvolvem "sotaques" regionais. Estudos com IA mostram que os mugidos refletem emoções e estados fisiológicos. Entenda!

Publicado por: MilkPoint

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As vacas são animais altamente sociais, capazes de formar laços profundos dentro do rebanho, demonstrando preferências por determinadas companheiras. A complexidade de suas relações atravessa também seus movimentos corporais, expressões faciais e mugidos, que carregam informações sobre necessidades, emoções e situações de alerta. Essa rede de interações pode desenvolver variações regionais em sua comunicação, dando origem a um “sotaque” animal.

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A hipótese ganhou força em 2006, quando John Wells, especialista em fonética da Universidade de Londres, analisou relatos de fazendeiros britânicos que percebiam diferenças sutis nos mugidos de vacas de diferentes regiões. Animais do condado de Somerset, por exemplo, teriam um “muu” reconhecível entre os criadores locais. Wells sugeriu que, assim como ocorre entre pássaros, variações acústicas regionais poderiam surgir entre bovinos, influenciadas pelo convívio social e pelo ambiente.

Nos anos seguintes, novas pesquisas voltadas à análise do comportamento vocal de bovinos passaram a adotar abordagens mais técnicas. Um estudo de 2023, publicado na Revista Brasileira de Zootecnia, examinou as vocalizações de bezerros de diferentes regiões e concluiu que as variações observadas estavam ligadas principalmente a fatores individuais — como idade, estado emocional e contexto social — e não a influências geográficas.

Um exemplo é o estudo BovineTalk: Machine Learning for Vocalization Analysis of Dairy Cattle under Negative Affective States (2023), desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento em Bovinos, em Balotesti, na Romênia, em parceria com a University College London e a Universidade de Haifa.

A pesquisa utilizou modelos de inteligência artificial para reconhecer padrões sonoros associados a emoções negativas, como isolamento e desconforto térmico. Os resultados mostraram que os mugidos são complexos e refletem uma ampla gama de estados emocionais e fisiológicos — porém, até o momento, não há evidências de que essas variações ocorram de forma consistente entre diferentes regiões geográficas.

As informações são do Globo Rural.

 

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