As vacas podem ter personalidades diferentes?

Pesquisas estão comprovando que, assim como seus colegas da escola, as vacas têm personalidades distintas. Entenda!

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - 3 minutos de leitura

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Lembra do valentão da classe que todos temiam e não gostavam, e que não ia bem na escola? Ou da colega de turma que se dava bem com todo mundo e acumulava uma conquista após a outra?

Pesquisas estão comprovando que, assim como seus colegas da escola, as vacas têm personalidades distintas. Quem trabalha regularmente com vacas certamente tem suas “favoritas” e “menos favoritas” com base em seus temperamentos. Esses traços de personalidade parecem influenciar comportamentos que podem afetar sua saúde, bem-estar e produtividade.

No recente episódio do podcast “Dairy at Guelph”, o professor de Biosciências Animais, Trevor DeVries, descreveu o trabalho que ele e sua equipe na Universidade de Guelph têm realizado para explorar as complexidades entre a personalidade das vacas, seu comportamento e a adaptação aos sistemas automatizados de ordenha (AMS).

Com aproximadamente 20% de todas as fazendas leiteiras canadenses utilizando robôs para ordenha, DeVries explicou que a capacidade das vacas de se adaptarem e utilizarem esses sistemas está se tornando cada vez mais importante.

Personalidade e comportamento: fatores herdados e aprendidos

Quando se trata de personalidades humanas, DeVries afirmou: “Você e eu podemos pensar: ‘somos como nossos pais’. Há coisas que nos impressionam quando somos jovens que vão nos moldar ao longo da vida.” Ele também apontou que pode haver fatores genéticos que influenciam as diferenças de comportamento.

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Por meio de sua pesquisa, DeVries e sua equipe buscaram classificar vacas com base em seus comportamentos, medindo as respostas individuais a objetos e pessoas desconhecidas. Eles então observaram como vacas com diferentes classificações de personalidade se comportavam utilizando os sistemas automatizados de ordenha.

Descobertas importantes

Um achado interessante foi que vacas tímidas e medrosas tendiam a não utilizar toda a cota de ração disponível no robô – seja porque não visitavam o robô com frequência suficiente, não colocavam a cabeça para acionar a liberação da ração, ou ambos.

Essa descoberta é um elemento crítico, já que DeVries destacou que um benefício único dos sistemas de ordenha robótica é a capacidade de fornecer rações personalizadas de forma precisa a cada vaca, com base em fatores como paridade, nível de produção e estágio de lactação.

A alimentação mais precisa pode levar a impactos ambientais devido à redução de resíduos, excreção de nutrientes e emissão de gases. Fornecer mais energia a vacas no início da lactação pode prevenir problemas metabólicos e melhorar o desempenho da lactação. Ajustar estrategicamente as rações na secagem pode proteger a saúde do úbere e melhorar o bem-estar das vacas.

Esses benefícios nutricionais podem ser otimizados em vacas que se adaptam bem ao uso do robô.

Impacto no manejo e seleção de vacas

DeVries reconheceu que avaliar personalidades individuais não é prático no ambiente de fazenda. No entanto, sua equipe está utilizando as informações sobre personalidade para orientar decisões tanto de “natureza” quanto de “criação”, com o objetivo de criar uma população maior de vacas cujas personalidades correspondam positivamente ao uso de robôs.

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“Podemos configurar sistemas de manejo no início da vida que possam moldar a personalidade ou o comportamento das vacas”, explicou DeVries. Ele mencionou que outros pesquisadores estão explorando se a exposição precoce a tecnologias, como alimentadores automáticos de leite, influencia a disposição dos bezerros a usarem sistemas AMS quando se tornam adultos.

Herança comportamental

Em termos de herdabilidade de traços comportamentais, DeVries citou dados recentemente publicados por sua equipe que examinaram os perfis comportamentais de vacas e suas filhas. “É um trabalho muito preliminar, mas detectamos algumas associações positivas entre os perfis comportamentais desses dois grupos de vacas”, compartilhou DeVries.

Ele destacou que, assim como o temperamento na sala de ordenha tem sido usado como ferramenta de seleção há anos, outros comportamentos podem ser priorizados para criar vacas com personalidades mais adequadas à ordenha robótica.

 

 

As informações são do Dairy Herd Management, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.

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José Fernando
JOSÉ FERNANDO

PORTO ALEGRE - RIO GRANDE DO SUL - ESTUDANTE

EM 07/01/2025

Um pouquinho de etologia:
temperamento dominante vs. temperamento submisso;
hierarquia e liderança.
Hierarquia e dominância: a lei do mais forte prevalece
Os bovinos têm uma hierarquia de dominância dentro do grupo. Os criados em sistema à pasto tendem a formar grupos de vacas e bezerros. Já os touros, se juntam e formam pequenos grupos de machos, afastados das fêmeas.

A hierarquia é imposta por meio de disputas, sendo que a força e a agressão acabam sendo determinantes para estabelecê-la. Entretanto, a altura, o peso, a idade, o sexo, o temperamento e os chifres são fatores favoráveis para eleger um líder.

Quando a hierarquia de dominância é estabelecida, as brigas no rebanho reduzem de forma significativa e os animais em posição alta na hierarquia são os que conseguem melhor acesso à água, sombra e alimento. Nos confinamentos, a dominância ainda é mais nítida de ser observada, pois os recursos ficam restritos a um espaço único.

Com o tempo e a convivência, a ordem social pode mudar entre alguns animais no rebanho. Por exemplo: caso um animal dominante sofra algum tipo de lesão que o comprometa, logo perderá sua posição dentro do grupo e uma nova hierarquia se formará.

Liderança x dominância
Há uma diferença entre dominância e liderança. Líder é aquele animal que é seguido ao ir ao bebedouro ou quando se deslocam à procura de sombra e área de pastagem.

Já os animais dominantes, são aqueles que afastam os demais que estão bebendo para que ele possa beber a água, por exemplo.

Fonte: https://beckhauser.com.br/conteudo/o-temperamento-bovino-e-o-impacto-no-bem-estar-animal-e-humano-parte-2
José Fernando
JOSÉ FERNANDO

PORTO ALEGRE - RIO GRANDE DO SUL - ESTUDANTE

EM 06/01/2025

Acho complicado vaca ter personalidade. Personalidade vem de persona do latim. Persona significa pessoa. Na minha opinião, as vacas podem ter temperamentos diferentes. A não ser que você esteja se referindo ao fato de o Imperador Calígula ter nomeado seu cavalo, Incitatus, como cônsul da Bitínia. Nesse caso, quem sabe se o cavalo não tinha personalidade? Eu não estava lá para testemunhar.
Qual a sua dúvida hoje?