A Arla Foods é a primeira empresa que exporta de leite em pó para o Brasil a fechar um acordo sobre a questão das tarifas antidumping, segundo reportagem de Raquel Landim, publicada hoje no Valor Online. A cooperativa dinamarquesa estabeleceu um compromisso de preço para venda - uma espécie de cotação mínima - com a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), informaram representantes da entidade. O acordo já estaria protocolado no Departamento de Defesa Comercial (Decom). Alegando sigilo, o órgão não diz se recebeu a proposta.
No início de dezembro, o Decom deu parecer favorável à imposição de direitos antidumping nas importações de leite em pó da União Européia (UE), Argentina, Uruguai e Nova Zelândia. A medida imporia a Arla uma tarifa adicional de 82,2% sobre o leite em pó integral. A empresa já paga um imposto de 17%, que incide sobre os derivados lácteos procedentes de países que não fazem parte do Mercosul.
A CNA não divulga qual foi o preço mínimo estabelecido. Mas fontes do setor revelam que a cotação está na casa dos US$ 2 mil por tonelada. Representantes do setor produtivo calculam que esse valor garante preço de R$ 0,45 por litro de leite ao produtor brasileiro. Esse tipo de acordo fechado com a Arla já era previsto no processo de dumping.
Segundo uma fonte ligada ao setor, o acordo só foi possível, porque a Arla exporta apenas para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus. "A região é de difícil acesso e não interessa as empresas brasileiras", comenta. O executivo da Arla responsável pela área não foi localizado para comentar o assunto.
O maior problema está nas exportações de leite em pó das indústrias argentinas e uruguaias, sob as quais não incidem tarifas atualmente. Representantes dos laticínios argentinos e brasileiros se reuniram para discutir a questão na última quarta-feira.
De acordo com um participante do encontro, os argentinos, que a princípio não queriam negociar, propuseram, no decorrer da reunião, praticar preços médios de mercado internacional, que giram entre de US$ 2 mil e US$ 2,1 mil por tonelada.
Os brasileiros não aceitaram, argumentando que é preciso estabelecer um preço mínimo para a importação. Tomando por base a tarifa de 7%, a menor prevista entre os laticínios argentinos, os brasileiros sugeriram US$ 2,3 mil por tonelada, comentou a fonte.
Nenhum acordo foi fechado. Representantes dos dois países devem se reunir novamente esta semana. A taxa prevista no processo antidumping para o leite em pó integral vendido ao país pela Sancor é de 27,2% e pela Mastelloni Hermanos, dona da marca La Serenissima, é de 45,9%. As duas empresas exportam o maior volume de leite em pó argentino para o Brasil. Para a uruguaia Conaprole, a punição é um pouco menos severa: 6,4%. Já a cooperativa neozelandesa New Zealand Dairy Board pode ser taxada em 24,8%.
Por Raquel Landim, para Valor Online, 29/01/01
Arla Foods fecha acordo antidumping com Brasil
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