Argentina: setor leiteiro à beira de um novo conflito de preços

Publicado por: MilkPoint

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O setor leiteiro da Argentina está à beira de um novo conflito. As indústrias anunciaram na Mesa Interprovincial de Leiteria, reunida em São Francisco (Córdoba), e que inclui representantes de Córdoba, Santa Fé, Buenos Aires, Entre Rios e La Pampa, que é "praticamente impossível" manter os preços que estão pagando pelo leite.

A resposta a esta declaração da indústria não tardou a aparecer. Os produtores de leite argentinos advertiram às indústrias que não sobra margem para ajuste, acusaram enfaticamente que continuam importando leite do Uruguai, mas ainda assim - disseram - preferem continuar discutindo o tema na Mesa Nacional de Política Leiteira.

Tratando de arranjar o caminho para um acordo que parece muito distante, as entidades que agrupam os produtores farão uma entrevista com o ministro da Economia, Roberto Lavagna, para solicitar a elevação da tarifa externa que é aplicada na importação de lácteos para 27%, como um elemento que pode reduzir a pressão sobre a situação da indústria.

Se na próxima reunião plenária de São Francisco, que será realizada na terceira semana de agosto, a postura das indústrias não se modificar, os produtores farão assembléias para resolver o caminho a seguir o qual, segundo comentários, consiste em impedir que as grandes empresas continuem importando leite, como estão fazendo há três meses.

"Creio que tanto a produção como a indústria não deve fechar o diálogo. Temos que encontrar, juntos, uma estratégia para que o preço que se paga pela produção não baixe", disse o representante da Confederação de Associações Rurais de Santa Fé (Carsfe), Roberto Socín.

O delineamento da indústria é muito concreto: o consumo interno segue caindo depois de um platô de três ou quatro meses; os níveis de exportação estão contidos, e 50% de leite comprado deve ser destinado à produção de queijos. Frente a estas complicações, não pode continuar pagando os preços atuais pela matéria-prima (média de 20 centavos de dólar por litro), porque o custo não compensaria com os rendimentos da exportação.

Os produtores também expuseram seus argumentos para não aceitar que caiam seus pagamentos. Eles lembraram que, durante vários anos, precisaram aceitar preços muito baixos com o objetivo de suportar a crise que envolveu o setor leiteiro argentino, de forma que os preços atuais - média de 45,5 a 51 centavos de peso ( 16,20 a 18,16 centavos de dólar) - "apenas permitem uma melhora após um período de distúrbios".

"Há um contra-senso na posição industrial. Dizem que há sobre-oferta de leite agora porque o mercado interno caiu abruptamente. No entanto, continuam importando leite do Uruguai. É necessário ter coerência", disse o representante da Sociedade Rural de São Francisco, José Castellano.

Os produtores de leite de Córdoba disseram que a situação que o setor leiteiro argentino está enfrentando agora é conseqüência de não ter implementado no momento correto ações que ajudariam a reduzir a pressão na conjuntura, de forma que, "de maneira nenhuma, como setor da produção, podemos permitir que esta sobre-oferta se traduza em um mau sinal que trará como conseqüência, em curto prazo, menos produtores e menos leite, com tudo o que isso implica para nossas economias regionais".

Em 29/07/03 - 1 Peso Argentino = US$ 0,35625
2,80700 Peso Argentino = US$ 1 (Fonte: Oanda.com)

Fonte: La Nación (por José E. Bordón)
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