A Mesa Nacional de Produtores de Leite da Argentina decidiu manter suspensas as medidas de força e aceitar o caminho de negociação proposto pelo governo para encontrar uma solução ao conflito pelo preço do leite. Isso foi anunciado pelo dirigente Gustavo Vionet na semana passada, que disse que o setor leiteiro decidiu "aproveitar a última via de negociação que o Estado abriu".
Desta forma, foi marcada uma nova reunião entre os representantes do Estado nacional e das províncias, reunidos no Comitê Federal de Leiteria (CFL), e os referentes do setor leiteiro. O porta-voz dos produtores considerou que "se o Estado não juntar as partes e, ao mesmo tempo, mediar para que haja negociação, não haverá solução para o conflito".
"Uma coisa é a reunião das partes e outra é que efetivamente haja negociação. Se não for assegurada a negociação, o que significa que as duas partes estão dispostas a se sentar, dialogar, trocar e ceder posições, seguimos com um diálogo de surdos que não haverá saída. Se o Estado nos der garantias de que pode existir esta negociação, nós estamos dispostos a dialogar", disse Vionet.
O representante dos produtores deixou claro que esta nova instância de negociação "não desarticula" as medidas de força que estavam planejadas em nível de produção, mas sim, "a única coisa que teremos que fazer é mudar a data e o dia". Vionet classificou a baixa de preços como uma manobra "ineficiente" da indústria.
O jornal Castellanos entrevistou o representante dos produtores de leite da Argentina, seguindo a entrevista abaixo:
Castellanos: Em seu momento, os produtores em assembléias deram um prazo de uma semana para a negociação para, em seguida - no caso de não haver acordo -, começar com medidas de força. O que fez com que o plano de ação fosse adiado ou desativado?
Vionet: Os produtores disseram que os dirigentes negociam enquanto há vias de negociação. As decisões sobre medidas de força vêm sendo adiadas porque ninguém está disposto a ir a um conflito enquanto existam possibilidades de se fazer acordos. Quando se abrem portas obviamente ninguém quer ir a um conflito. Vamos tratar de cumprir o pedido dos produtores advertindo que as negociações têm um período e, se dentro deste período não mudarem as coisas, infelizmente teremos que tomar medidas concretas.
Castellanos: Na última reunião fracassada em Santa Fé, a produção deixou a reunião devido à impossibilidade de chegar a um acordo com a indústria. Pareciam posições irreconciliáveis. O que mudou desde aquela reunião para que vocês considerem que agora há espaço para negociação?
Vionet: A produção deixou a reunião pela inflexibilidade da indústria. O Estado lançou depois uma proposta e a produção vê com bons olhos que o Estado comece a tomar medidas de ação concretas e abra a porta de uma negociação. Creio que o trabalho da CFL foi o que abriu a porta e não vamos fechá-la entrando em um conflito, por mais razões que tenhamos.
Castellanos: No entanto, as indústrias seguem aplicando baixas nos preços. Como vêm esta atitude?
Vionet: As indústrias estão avisando os preços que vão pagar e já vemos que tudo indica que haverá uma redução de 20% ou mais. Aquele que pensa que isso não ocorrerá vive em outro planeta, porque obviamente isso é o que a indústria pretende. Nós não somente questionamos a baixa, mas sim, a decisão da indústria de fazê-la unilateralmente, utilizando metodologias arcaicas, porque este tipo de coisa não ocorre em nenhum lugar do mundo. Nós não somos tolos de pensar que os mercados não determinam os preços, mas os preços devem ser fixados em mercados transparentes e não será uma indústria ineficiente que me determinará esse preço.
Os anúncios que reabriram o diálogo
O diálogo entre indústrias e produtores parecia ter chegado ao final após o fracasso da reunião realizada em 27 de agosto em Santa Fé, com a presença dos membros do Comitê Federal de Leiteria (CFL). No entanto, os anúncios posteriores do CFL foram suficientes para que os produtores decidissem continuar a negociação em busca de uma saída para o conflito.
Os anúncios realizados pela CFL que permitiram abrir uma nova instância de diálogo no setor e levaram os produtores a suspender as medidas de força, pelo menos temporariamente, foram os seguintes:
O Estado Nacional e as províncias se comprometeram a:
1) Ditar um Código de Boas Práticas Comerciais que torne transparente a relação entre a produção e a indústria, eliminando comportamentos como fixação retroativa de preços para o leite;
2) Desenvolver um sistema de informação permanente sobre as principais variáveis que determinam o comportamento do mercado lácteo;
3) Determinar um sistema de preços de referência para o leite cru, que sirva como base para a negociação entre produtores e indústrias, o qual será informado mensalmente através da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Pesca e Alimentação (SAGPyA);
4) Fortalecer os mecanismos de fiscalização sanitária para assegurar a eqüidade na competição dentro do setor;
5) Fazer acordos sobre as modalidades de compra para leite destinado a satisfazer as necessidades do Estado em matéria de saúde, educação e assistência social.
Ao mesmo tempo, o CFL advertiu que "tanto o Estado nacional como as províncias carecem de faculdades jurídicas para fixar preços entre as partes".
Fonte: Castellanos, adaptado por Equipe MilkPoint
Argentina: produtores de leite aceitam negociar e suspendem as medidas de força
Publicado por: MilkPoint
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