Enquanto a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Pesca e Alimentação (SAGPyA), a cargo de Carlos Cheppi, quer "afrouxar" um pouco os controles na tentativa de simplificar o mercado, o secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, se opõe a qualquer mudança. Apesar de no último mês Cheppi ter conseguido tomar o controle das exportações e ter conseguido liberar mais de 250 permissões de embarques de queijos e leite em pó freados pelo Comércio Interior, Moreno sempre manteve o controle do mercado interno, ao qual se destinam 80% da produção de leite da Argentina, e mantém firme sua posição.
Nas últimas três semanas, deixaram de funcionar quatro empresas que fazem parte do grupo das pequenas e médias empresas em Santa Fé (na Argentina, há 200 dessas empresas que processam mais de 10 mil litros diários e outras 800 que processam menos leite), há previsão de mais fechamentos nos próximos 45 dias, e os empresários já avisaram que não podem sustentar o preço de 94,5 centavos de peso (30,76 centavos de dólar) por litro que se comprometeram a pagar no último acordo. O Estado também tem dificuldade para pagar um subsídio que representa 70 milhões de pesos (US$ 22,78 milhões) por mês quando coleta 10 milhões de pesos (US$ 3,25 milhões) pelas exportações.
Além disso, 18 das principais indústrias acabam de informar que pagaram 92 centavos de peso (29,94 centavos de dólar) pelo litro do leite, menos que o combinado com o Governo.
"A Agricultura acredita que é necessário ir afrouxando um pouco o controle para que não se agrave a crise e a questão dos subsídios, mas Moreno segue pensando o contrário", disse ao La Nación uma fonte do setor. Segundo o informado, não houve um choque forte entre Cheppi e Moreno por causa desta diferença, mas disse que a carteira agrícola estaria convencida de que o setor leiteiro pode ter sérios problemas em curto prazo.
Os preços internacionais do leite em pó baixaram de US$ 5.000 para menos de US$ 3.000, o que reduziu a competitividade das empresas e isso ocorreu em meio às barreiras às exportações por parte de Moreno. Além disso, hoje há excesso de estoque de produtos que, no caso dos queijos, representa 45% mais do que no ano passado e, no caso do leite em pó, quase 600% a mais. Por essas razões, as indústrias alegam não poder pagar mais de 84 centavos de peso (27,34 centavos de dólar) por litro.
Diante deste conflito entre Agricultura e Comércio Interior, e preocupados porque não há uma nova reunião marcada a poucos dias do vencimento do acordo, os produtores de leite da Argentina decidiram enviar uma carta a Cheppi para reclamar a devolução do fundo compensador (cerca de US$ 158 milhões), pedir que seja removido o preço de corte para exportação, uma maior transparência comercial e a abertura de preços, com um acordo que cubra os produtos básicos para o consumidor.
Em 23/09/08 - 1 Peso Argentino = US$ 0,32551
3,07208 Peso Argentino = US$ 1 (Fonte: Oanda.com)
A reportagem é do La Nación, adaptada e traduzida pela Equipe MilkPoint.
ARG: Governo entra em conflito sobre acordo de lácteos
Enquanto a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Pesca e Alimentação (SAGPyA), a cargo de Carlos Cheppi, quer "afrouxar" um pouco os controles na tentativa de simplificar o mercado, o secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, se opõe a qualquer mudança. Apesar de no último mês Cheppi ter conseguido tomar o controle das exportações e ter conseguido liberar mais de 250 permissões de embarques de queijos e leite em pó freados pelo Comércio Interior, Moreno sempre manteve o controle do mercado interno, ao qual se destinam 80% da produção de leite da Argentina, e mantém firme sua posição.
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