Via Lác Lelo, Laticínio Cruzília está entre as novas aquisições da Aqua Capital

Ano difícil para muitas empresas brasileiras, 2018 será encerrado em comemoração na Aqua Capital: a gestora brasileira de fundos de participações voltada ao agronegócio concluiu seis aquisições, realizadas no segundo semestre. Com isso, chega a um portfólio de 17 empresas desde o lançamento de seu primeiro fundo de investimentos no país, em 2012.

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Ano difícil para muitas empresas brasileiras, 2018 será encerrado em comemoração na Aqua Capital: a gestora brasileira de fundos de participações voltada ao agronegócio concluiu seis aquisições, realizadas no segundo semestre. Com isso, chega a um portfólio de 17 empresas desde o lançamento de seu primeiro fundo de investimentos no país, em 2012.

Como sempre, o foco esteve em negócios do chamado “middle market” — empresas familiares com faturamento anual de R$ 60 milhões a R$ 200 milhões, estruturas financeiras sólidas e distantes do radar da grande concorrência.

O pacote de aquisições totalizou R$ 400 milhões e envolveu duas empresas de distribuição de insumos agrícolas (a mineira Grão de Ouro, cuja aquisição ainda está em análise no Cade, e a AgroFerrari, do interior de São Paulo), uma distribuidora de peças agrícolas (a Rech Agrícola, do Mato Grosso) e uma distribuidora de produtos veterinários (a Alfa Distribuidora). Além disso, a gestora incorporou à sua carteira a Cruzília, produtora mineira de queijos premium adquirida pela catarinense Lac Lélo, cujo controle passou para a Aqua Capital no início deste ano.

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Segundo Sebastian Popik, sócio-diretor da Aqua, a sexta aquisição refere-se a uma empresa de produção e distribuição de defensivos biológicos, cujo nome será tornado público apenas na próxima segunda-feira, após a formalização do comunicado aos funcionários.

Juntas, as seis empresas faturam cerca de R$ 600 milhões ao ano.

“Nossas empresas crescerão organicamente e também via aquisições, o que aumenta a nossa plataforma de negócios”, disse ao Valor Popik, referindo-se ao movimento de compra direta de outros negócios por parte de suas controladas. “Isso tende a se intensificar. Nossas empresas cresceram, em média, 20% ao ano nos últimos três anos”.

A leva de compras ocorreu dentro do fundo de investimentos lançado pela gestora em 2016, com US$ 370 milhões — mais que o dobro dos US$ 173 milhões do primeiro fundo. Conforme o executivo, ainda restam cerca de US$ 80 milhões para serem investidos e algumas empresas já prospectadas.

Diferentemente de outras gestoras, a Aqua compra o controle da companhia, mas mantém a família fundadora no dia a dia do negócio. Além da área de laticínios e insumos, onde apostou suas fichas nos últimos anos, há segmentos do agronegócio brasileiro ainda inexplorados pelos investidores estrangeiros — e que mereceriam mais atenção, afirma o executivo. “Por exemplo, o setor de frutas”.

Também não há, até o momento, dinheiro chinês à mesa. Mas isso deverá mudar em breve. Uma equipe da Aqua realizou uma visita de duas semanas ao Japão, Coreia do Sul e China, justamente para estreitar o canal de relacionamento entre possíveis compradores e empresas no Brasil. Até então, a Aqua Capital adotava uma postura passiva — apenas recebia interessados chineses em visita ao Brasil. “A China está saindo [do segmento] de commodities e indo em busca de alimentos”, afirma Popik.

O exemplo mais recente desse movimento foi a aquisição, no mês passado, da empresa chilena de salmão Australis Seafoods pelo Joyvio Group, de Pequim, por US$ 880 milhões. A Joyvio é a subsidiária de frutas e bebidas do Legend Holdings, dona da Lenovo. A Australis, por sua vez, produz cerca de 64 mil toneladas de salmão por ano, ou 9% da oferta chilena desse pescado. 

Nesse sentido, investidores da China atuando diretamente no setor de alimentos no Brasil são esperados, acrescenta. O interesse chinês está em peixes, frutas, vinhos e carnes produzidos no país.

Em 2019, a Aqua deverá realizar a primeira saída de um investimento no país. A primeira empresa já está posicionada na fila de “desinvestimentos”, com a possibilidade de saída do fundo de outras duas. E as perspectivas são de continuidade na trajetória de expansão. Com “otimismo moderado”, Popik diz ver motivos para a melhora no ambiente de negócios . “Ter um presidente com mandato já é muita coisa. E com orientação pró-negócios, ajuda ainda mais”.

As informações são do jornal Valor Econômico.

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