Em entrevista ao jornal Zero Hora, André comentou que a Lactalis trabalha com 8 mil produtores no Rio Grande do Sul, de todos os perfis de volume possíveis, com leite de excelente qualidade. "Cerca de 70% são produtores de até 300 litros diários. O desafio é ajudá-los a aumentar a produtividade. Para isso, criamos um programa gratuito chamado Lactaleite a fim de aumentar em 30% a produtividade média desses parceiros. Mais de 1 mil produtores no RS já aderiram, o que deve melhorar a competitividade do produto final e a rentabilidade do pecuarista".
Segundo ele, a Lactalis remunera os produtores por qualidade. "Contabilizamos uma série de indicadores técnicos que permitem incentivar os produtores que entregam leite cru com características de pureza. Isso é indispensável para a qualidade da nossa matéria-prima e é muito importante na nossa visão de mercado.A Lactalis implantou uma série de análises com padrão europeu, de última geração, em suas plataformas de recebimento de leite, tão logo chegou ao Brasil".
A Lactalis também passou a remunerar transportadores somente por quilômetro rodado, e não por volume transportado. "Fixamos severos padrões de qualidade e manutenção nas carretas, auditadas periodicamente. Em alguns casos, inclusive, criamos rotas com caminhões próprios para demonstração do padrão exigido. Asseguramos que 100% do leite é rigorosamente analisado antes do seu recebimento nas unidades beneficiadoras. A triagem do leite nas plataformas, por meio de testes rigorosos, garante a industrialização de produtos com alto padrão de qualidade".
O que falta para o Brasil se tornar exportador de leite
"Precisamos melhorar a competitividade, o que passa pelo aumento da produtividade no campo. Com assistência técnica, correta aplicação dos insumos e genética adequada é possível produzir com custos menores e ter um produtor melhor remunerado. Assim, teremos competitividade para exportar nossos produtos lácteos para outros países e regulamos o mercado interno. Temos uma ótima notícia: estamos em meio a um processo de exportação de queijos, bebidas lácteas e outros produtos lácteos produzidos no Rio Grande do Sul para Argentina e Uruguai. Isso é inédito e só será possível pela força das nossas marcas internacionais Président e Parmalat naqueles mercados. Nossa expectativa é de que esses volumes cresçam junto com a produtividade local para que possamos ajudar ainda mais na regulação do mercado gaúcho", pontuou Salles.
Diferença de pagamento em relação ao mercado
"O objetivo é pagar o preço do mercado. Se pagar mais, perdemos competitividade para vender os volumes que compramos de nossos produtores. Se pagamos menos, o produtor perde rentabilidade e corre o risco de ter que baixar a produção. Nosso objetivo não é ter uma política agressiva. Ao contrário. Queremos desenvolver a produção de nossos fornecedores reduzindo o custo por meio da assistência técnica, da disponibilização de insumos com preços competitivos, de excelente qualidade e com desconto na folha de pagamento através do nosso Clube do Produtor de Leite Lactalis".
André diz que a Lactalis se orgulha de adquirir mais de 900 milhões de litros de leite apenas no RS, o que representa quase um quarto de todo o leite do Estado. "Vendemos 80% desse volume, ou seja, cerca de 720 milhões de litros de leite, em produtos lácteos para outros Estados. Sabemos da nossa importância para o equilíbrio da produção local e, por isso, fizemos do Rio Grande do Sul nossa principal base 'exportadora' de leite no país".
Aquisições, após tentativa de comprar a Vigor
"A Lactalis não comenta rumores de mercado. Por outro lado, podemos assegurar que nossa visão é ser a maior empresa de lácteos no Brasil e, neste momento, nossa prioridade é consolidar nossas atividades atuais".
As informações são do Zero Hora, resumidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint.
