Produção de silagens mistas
Seção Conservação de Forragens: "Frequentemente eu sou indagado sobre a possibilidade e quais seriam os ganhos quando silagens mistas (associação de duas ou mais culturas) são produzidas. Esta é uma prática que foi divulgada há muitos anos (década de 70) e, no passado, a associação entre milho e soja era a mais praticada", por Thiago Fernandes Bernardes, Professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (UFLA).
Publicado em: - 2 minutos de leitura
A proteína bruta que irá compor a dieta dos animais, na maioria das situações, será fornecida por meio de um concentrado proteico. Outros países são dependentes de proteína oriunda de plantas, como ocorre com o cultivo de alfafa; porém, esse não é o modelo de produção mais utilizado nas fazendas zootécnicas brasileiras. A associação entre plantas com baixa e alta concentração de proteína pode ser praticada por aqui, mas eu vejo este cenário para pequenos produtores, os quais possuem menos recurso financeiro para a compra de concentrado e ainda conseguem ter maior controle do estágio de desenvolvimento das culturas (produzem em menor escala), fator que se torna decisivo para a produção de silagens mistas e que irei discutir a seguir.
Atualmente, alguns produtores e técnicos também citam opções como cana-de-açúcar com capim, cana-de-açúcar com milho, sorgo com milho e outras. Nestes casos não vejo justificativa para tais associações. Na realidade, estas associações levam a uma maior dificuldade do ponto de vista de manejo, pois a ensilagem de uma só cultura é complexo, imaginem a associação. É raro duas culturas atingirem o ponto ideal de colheita na mesma época. Então, quando a mistura ocorre uma das culturas estará jovem ou em estágio avançado de maturidade, o que trará consequências negativas para a conservação da massa e sobre o valor nutritivo da silagem. Além das consequências negativas apontadas anteriormente, a colheita e a homogeneização das culturas também se tornarão complexas. Portanto, a recomendação é que cada cultura, principalmente as gramíneas, seja ensilada isoladamente.
Há situações em que a mistura ocorrerá de maneira natural. Por exemplo, o milho é uma espécie muito cultivada para a recuperação de pastos degradados (sistemas integrados). Quando este estiver apto para ser colhido, o capim estará em desenvolvimento avançado e, desse modo, haverá mistura desta forrageira com o milho, o que se torna justificável.
Material escrito por:
Thiago Bernardes
Professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (UFLA) - MG. www.tfbernardes.com
Acessar todos os materiaisDeixe sua opinião!
LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO
EM 27/12/2017
Att,
Thiago Bernardes

RIVERSUL - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 27/12/2017

MONTES CLAROS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 03/12/2015

GUARATINGUETÁ - SÃO PAULO - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS
EM 03/12/2015
Utilizei esta técnica com muito sucesso em Campo Verde, no Mato Grosso, enquanto administrava fazendas de pecuária de corte, onde plantamos milho para colher grãos, consorciado com braquiaria brizanta cultivar marandu, seguindo à risca as recomendação da EMBRAPA no que batizou de sistema Santa Fé. Porém, o sucesso do sistema consiste em suprimir por um tempo o capim para que a cultura principal, o milho, possa de desenvolver, o que se faz com a defasagem da semeadura de ambas no tempo (com duas operações de semeadura) ou defasagem da germinação, semeando capim à profundidades maiores, de forma que sua emergência ocorra depois do milho. A supressão também é garantida com herbicidas sobre o capim (atrasina) em sub-dose. Essas medidas são necessárias, caso contrário o capim "abafa" o milho. Seguindo esses preceitos, não há problemas na colheita do milho, pois o capim lá instalado se desenvolve pouco.
Agora, pensando em silagem, sinceramente não vejo nenhuma vantagem em não retardar o desenvolvimento do capim para que o milho se desenvolva. Se ambos crescerem juntos será formada uma massa de milho + capim, talvez com mais massa vegetal, mas certamente resultando em silagem de valor energético e digestibilidade inferior à silagem só de milho. Qual a vantagem? E aí sim daria trabalho pra colher.
LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO
EM 02/12/2015
As duas forrageiras apresentam fermentação indesejável devido as suas características como plantas. Desse modo, eu não vejo como uma associação adequada. Leucena ou qualquer outra leguminosa poderá ser ensilada com uma outra gramínea que tenha fermentação desejável, como o milho e o sorgo. Contudo, conforme comentei no artigo, acho que estas misturas seriam viáveis somente para pequenas propriedades.
Att,
Thiago Bernardes
LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO
EM 02/12/2015
Onde se lê: ou seja, há... leia-se: ou seja, não há...
LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO
EM 02/12/2015
A minha opinião sobre esta prática está descrita no artigo em questão, ou seja, há justificativa operacional, nutricional ou de qualquer outra ordem que justifique a associação de milho com sorgo.
Att,
Thiago Bernardes
PAVÃO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 02/12/2015
Professor Tiago,
Outro dia em pesquisa sobre o tema abordado, me deparei com um material que dizia a respeito da silagem de capim - elefante em consórcio com a leguminosa leucena (Leucaena leucocephala), com o intuito de uma melhora no nível proteico desta silagem. Em fim, gostaria se possível, de ter um parecer do professor a respeito desta possibilidade.
abraço a todos!
Thalles Veiga
SANTA ROSA - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 02/12/2015
Obrigado!!
SANTA ROSA - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 02/12/2015
Tenho uma propriedade na região noroeste do RS, com cerca de 35 cabeças no total.
Ouço experiências de produtores que misturaram sementes de sorgo junto com as de milho e semearam na mesma linha, na proporção de 15% de sorgo para 85% de milho. Ainda não fiz a experiência, dizem que no safrinha funciona bem.
Qual a sua opinião sobre isso, levando em conta estágios de maturação, competição entre plantas (duas culturas na mesma área simultaneamente), o fator "ensilagem", conservação, valor energético, tendo em vista que na minha propriedade a silagem tem a função de equilíbrio energético e não como fonte de proteína, que aqui vem da ração+pastagem.
Desde já, muito obrigado.
Abraço!!
LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO
EM 01/12/2015
Não conheço bem a realidade da região, portanto é mais difícil opinar. Contudo, não entendi porque o sorgo é plantado em áreas mais ingrimes. Pelo fato do milho ser uma cultura nobre?
Também não entendi porque os dois são colhidos em associação sendo que esta prática poderia ser feita separadamente.
Você poderia esclarecer melhor estes pontos?
Att,
Thiago Bernardes

MONTES CLAROS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 01/12/2015

SÃO MIGUEL DAS MATAS - BAHIA - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 30/11/2015
CHAPECÓ - SANTA CATARINA - PESQUISA/ENSINO
EM 30/11/2015
Aqui na região de Chapecó tenho encontrado milho e sorgo plantados em uma mesma área destinada à ensilagem. A prática é plantar sorgo em áreas mais íngremes, e milho nas mais planas (na mesma época). Ainda, o espaçamento entre linhas é aumentado, justamente para permitir uma colheita sem tombamento ou esmagamento das linhas laterais. O fato é que os silos ficam com mesclas das culturas, e concordo que todo o manejo fica dificultado (ensilagem, valor nutricional, densidade, etc...). Mas, o que dizer de uma situação como essas visto que foi a melhor alternativa encontrada por produtores para poder aproveitar melhor as áreas? Lembrando que as propriedades tem cerca de 25 ha, em média 30 vacas em lactação e, também temos observado falta de silagem para os animais. Fica evidente a necessidade de assistência para planejamento alimentar por aqui...
LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO
EM 28/11/2015
A integração entre a forrageira a cultura anual, nesse caso o milho é uma maneira interessante para se recuperar pastos degradados. Essa ferramenta de manejo surgiu nos últimos anos e continuará sendo implantada pelos os seus casos de sucesso.
Para resolver da colhedora basta adotar estratégias que evitem o seu travamento, tal como reduzir a velocidade de colheita e manter sempre aceleração alta.
Att,
Thiago Bernardes

GUIA LOPES DA LAGUNA - MATO GROSSO DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 27/11/2015