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Produtor é produtor, empresário é empresário

POR RODRIGO LUIS SECHI

RODRIGO SECHI

EM 05/09/2019

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A muitos anos venho escutando, e em muitos casos até mesmo difundindo a ideia da profissionalização do produtor leiteiro. Em muitas ocasiões discutimos formas e novas técnicas para ajudar o produtor a chegar a este patamar. Comento que muitas vezes expressei a opinião que, produtores não profissionais, infelizmente estão destinados a parar com a atividade leiteira.

Pois bem, hoje, após alguns anos me dedicando ao trabalho com produtores leiteiros, em sua maioria pequenos produtores, vejo a atividade de uma forma um pouco distinta de como a via a algum tempo. Após participar de um seminário, onde o tema tratado foi basicamente utilização de novas tecnologias para a produção leiteira e logo escutar de todos os palestrantes a ideia da profissionalização dos produtores e a consequente extinção dos não profissionais, algo me chamou a atenção. Um fato que gostaria de compartilhar com todos que estão lendo minhas palavras, um detalhe que me fez pensar, uma pergunta na verdade:

"Por que ainda temos um grande percentual de produtores não profissionais no ramo, e por que estes produtores insistem em seguir na atividade, contrariando a tudo e a todos?"

Tentarei expor em breves palavras o que hoje penso sobre este tema. Convivendo com simples produtores que trabalham toda a vida em pequenos sítios, onde a principal fonte de renda são suas 10-15 vaquinhas leiteiras cultivadas com todo o apreço do mundo, além das hortaliças, galinhas, frutas e todas as riquezas que um sítio pode gerar, observando estas pessoas, hoje, eu as vejo como produtores e não como empresários.

Eis o ponto onde gostaria de chegar: tentamos a muitos extinguir o produtor rural e fazer nascer o empresário rural, este, que administra um tambo tecnificado com altos índices de produtividade, que maneja milhões, que gera emprego e renda, que trabalha visando crescimento e renda.

Em uma pesquisa que realizei com produtores que trabalho, perguntei a eles quais são seus objetivos para o futuro, como eles veem sua propriedade daqui a alguns anos e como gostariam de trabalhar no futuro. Aproximadamente 50% das pessoas responderam que gostariam que as coisas continuassem da forma que estão, coincidentemente, muitos expressaram a tranquilidade e a qualidade em viver da forma que estão, sem preocupações e estreses, sempre usando como exemplo negativo  algum parente ou amigo que possui um tambo grande com muitas vacas e muitas preocupações.

O que gostaria de deixar bem claro aos amigos que estão compartilhando este pequeno texto comigo é que hoje, entendendo um pouco mais as pessoas, vejo que não devo mudar sua essência, devo sim ajudar ao máximo para que cada um, dentro das suas características, encontre a melhor forma de trabalhar e viver, fortalecendo o produtor como produtor e incentivando o empresário como empresário, afinal, em comum, todos nós fazemos parte da mesma família.

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MAURO ARAUJO DIAS

ANÁPOLIS - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 16/09/2019

o trabalho para melhorar a pequena propriedade é de suma importancia, pois eu creio que a maioria dos medios e grandes de hoje em dia, já foram pequenos um dia, e a tecnologia que foi chegando ela tras a melhoria do rebanho seja pequeno como for, o manejo, e são coisas simples que no dia a dia faz a diferença, quanto aceitar o preço do laticinio de uma maneira geral todos aceitamos, com algumas diferenças, no volume, mas e preço sempre é enfiado garganta abaixo, e por outro lado a pequena propriedade salvo engano, a atividade que mais se adequa a ela, é tirar um leitinho, como se diz na roça, e o Brasil em torno das cidades, é cercado de pequenas propriedades, muitod vivem desta rendinha, e outros tiram o leite para pagar o peão, e as despesas.
ARNALDO BANDEIRA

CURITIBA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 16/09/2019

É isso mesmo! Também trabalho num projeto de apoio a pequenos produtores de leite e ao longo do tempo percebi a diferença entre leite commodity e leite renda (sobrevivência - segurança). Essa pressão que o pensamento dominante na cadeia produtiva (lideranças, especialistas, mídia especializada, etc) faz no sentido de "profissionalizar", com significado de ser grande para poder competir e não ser excluído da atividade, tende a marginalizar (colocar à margem) os pequenos produtores familiares e os técnicos e profissionais que se dedicam a apoiá-los. É muito comum ouvir dizer que esses produtores "atrapalham" o negócio porque não crescem e não se profissionalizam e por isso "aceitam" preços menores. Os pequenos produtores familiares devem ser apoiados para melhorar continuamente a produtividade e a qualidade de sua produção, para continuar fazendo parte importante desse universo da atividade leiteira brasileira. No início da década de 90, quando se desregulamentou o mercado do leite, o cenário projetado era de forte exclusão dos pequenos produtores, mediante um rápido processo de modernização da cadeia produtiva. Trinta anos depois, a produção do país cresceu muito e os pequenos produtores continuam tendo participação muito importante, especialmente nas regiões de maior produção e produtividade do país.
EDSON

CATANDUVA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 06/09/2019

TEM RAZÃO MAURO - JA FUI PRODUTOR DE LEITE E TB TENHO SUPERMERCADO, ENTÃO ESTOU NAS DUAS PONTAS DO PRODUTO LEITE .. OS LATICINIOS VENDEM O MÊS TODO O LEITE DENTRO DA SUA CONCORRÊNCIA , DEPOIS FAZ SEUS CUSTOS , AI VAI VER QUANTO DÁ PARA PAGAR PARA O PRODUTOR. ISSO É UM ABSURDO. TEM QUE TER UMA LEI QUE TODO DIA PRIMEIRO DE CADA MÊS SEJA SEJA NOTIFICADO O PRODUTOR DE QUANTO ELE VAI RECEBER PELO LITRO OU KG DO LEITE . SE CONTINUAR ASSIM VAI SOBRAR SOMENTE OS GRANDES E OS QUE INDUSTRIALIZAM SEU PRÓPRIO PRODUTO. ABRAÇOS
MAURO ARAUJO DIAS

ANÁPOLIS - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 06/09/2019

Este principio de que o céu é o limite é muito cansativo, a gente sempre quer um pouco mais de leite, e estas metas muitas vezes nós mesmos tornamos o negocio stressantes, e as noticias de que o pequeno produtor vai desaparecer vai se tornando cada vez mais frequentes, a mão de obra vai ficando cara e ruim, e chega a um ponto que o fazendeiro se assim podemos chamar, terá que ir para o pé da vaca tirar leite, e fazer um queijinho para agregar valor ao leite, pois o proprio laticinio vai liquida-lo.
NELSON JESUS SABOIA RIBAS

GUARACI - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 06/09/2019

DEMORO!!! Se conseguir que os pequenos produtores produzam com higiene e boa qualidade, aí então podemos lutar para que eles tenham preços melhores, eu também acho que esse tipo de produtor nunca vai acabar, pelo menos no Brasil, o leite é uma atividade possível para as pequenas propriedades.
Parabéns pela sua conclusão e coragem em expressa-la, num cenário em que todos acham que os produtores médios e pequenos são incompetentes e só sabem chorar pedindo melhores preços.
JEVENAL ANTENA

CURITIBA - PARANÁ - ESTUDANTE

EM 05/09/2019

Parabéns Rodrigo pelo artigo compatilho do seu pensamento! Mas acredito que a forma de produzir desses produtores, não quer dizer que eles não evoluam e nao absorvam novas tecnicas, apenas não tem a pretensão de ser grande, e que acreditam que eficiência não é sinonimo de alta produtividade ou alta escala, porém pode ser sinomimo de qualidade de vida!
ANTONIO CARLOS SOUZA

BARRA DO RIBEIRO - RIO GRANDE DO SUL - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 05/09/2019

Rodrigo, espectacular o seu entendimento. O mundo está focado em altos altos ganhos e consequentemente em altas cobranças. Precisamos de estímulo e não especuladores.
CARMEN CANTELE SECHI

IJUÍ - RIO GRANDE DO SUL

EM 05/09/2019

Parabéns filho! Continue assim. Você é um grande profissional.??????
FERNANDO RODRIGUES DE ARAÚJO

EM 05/09/2019

Parabéns Rodrigo, bela colocação se muitos tivesse essa msm forma de pensar , a pecuária seria mais valorizada...??
MARIUS CORNÉLIS BRONKHORST

ARAPOTI - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/09/2019

Bom dia Rodrigo
Parabéns pelo artigo ,bem explicado o seu raciocínio .
Gostaria de acrescentar ainda que enquanto o salário mínimo ficar nestes patamares , para tirar dois salários por mês o tirador de leite permanece.
Com uma maior exigência de nível de vida para ele e seu filhos e netos terá que aumentar a receita , se não , não conseguirá.
Rodrigo , estes produtores que não querem crescer pelos motivos citados no artigo , qual é o desenvolvimento próprio no decorrer dos anos ?
A meu pai fazia assim e vou fazer e meu filho está dando continuidade .
É isto que nos queremos para melhorar o nível educacional e desenvolvimento próprio.
O tema é complexo , eu vejo ao meu redor , não consigo e não devo aceitar tal comportamento .
Abraço
HELTON HIPOLITO DE MORAES

SÃO PAULO - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 05/09/2019

Parabéns Rodrigo, que sirva de muito alento para todos o seu belo texto que envolve razão, sensibilidade, reconhecimento e evolução humana como ser pensante que todos somos.

Não se mudam essências, ajuda-se a aperfeiçoa-las.
BRUNO VICENTINI

LAVRAS - MINAS GERAIS

EM 05/09/2019

Sensacional a sua colocação!
Sempre falei também da necessidade da profissionalização do produtor rural, mas após ler esse pequeno texto, percebi que o termo utilizado por mim, não expressava a minha "real intenção"! Ainda não tenho outro termo...
O que gostaria de dizer quando usava o termo profissionalização, estava/está relacionado a:
- redução de custos através da redução de desperdícios,
- redução de retrabalho através de qualificação/instrução,
- melhora de índices econômicos através da racionalização de recursos, da melhoria de qualidade, etc.
Enfim, buscar melhorar vida do produtor através da inserção de boas práticas e conceitos de gestão. Nunca tinha pensado "nas expectativas de vida" do produtor.
No entanto, os grandes desafios ao produtor, são a precariedade da mão de obra, as exigências quanto a adequação a legislações diversas, margem de lucro muito justa e, por aí vai... e vai e vai...
Como então, equacionar as mudanças da cadeia produtiva, às expectativas do produtor de forma que ele possa permanecer na atividade que tanto o agrada, apesar das imensas dificuldades? Como equacionar os desejos do produtor às demandas do mercado?
MARILENE REZENDE VILELA

PRATA - MINAS GERAIS

EM 17/09/2019

Rodrigo, seu texto é uma realidade. Quero parabenizar Bruno Vicentini por suas indagações.
Viver no campo é o que muitos querem, mas, viver do campo nos dias de hoje me parece um tanto difícil para muitos, em especial para o produtor de pequena produção de leite. Ainda lembro da fazenda de meus avos com uma boa criação de porcos, carneiros, frangos no terreiro, um quintal gigantesco, hortaliça e por aí a fora... além da produção de leite. Naquele tempo se comprava terra com dinheiro da venda de porcos. Hoje as coisas foram resumindo na fazenda pois os custos são muito altos. Os filhos não querem ficar mais na fazenda pois o ganho é pouco para o sustento de toda família e daí arrumam emprego na cidade. Por isto vejo que sem novas tecnologias no campo será quase "impossível" sobreviver da atividade do leite. Vamos pagar as contas como??? Parabéns e obrigado por este texto.
EM RESPOSTA A MARILENE REZENDE VILELA
BRUNO VICENTINI

LAVRAS - MINAS GERAIS

EM 18/09/2019

Olá Marilene! Essa sua lembrança da fazenda é algo que nunca vivi, mas sempre adorei ouvir... Dá aquela saudade de algo que nunca foi vivido...
Vamos, cada um de nós, fazer a parte que nos cabe e, quem sabe, um dia, com um projeto de país de longo prazo, não possamos ver o campo novamente atraindo, ao invés de sendo abandonado pelas pessoas...