A Nova Zelândia (NZ) é um dos países de referência, se não o mais importante, no que diz respeito à pecuária de leite a pasto. Em área, a Nova Zelândia tem aproximadamente o mesmo tamanho do estado de São Paulo e menos da metade do de Minas Gerais.
Já em produção, a Nova Zelândia se destaca e vem batendo recordes de produtividade estação após estação. Na última, de 2024/2025, a Nova Zelândia produziu 21 bilhões de litros de leite, com uma média de 4492 litros/vaca/ano e 414 kg de sólidos totais por vaca.
Tamanha produtividade é resultado de uma pecuária altamente tecnificada e adaptada ao clima e à geografia do país. Fazendas de leite na NZ produzem quase 100% a pasto, com animais pastejando o ano inteiro, seja com capim ou com outras culturas forrageiras. Silagem e palm kernel são utilizados apenas como estratégia, não como fontes principais de nutrição.
O país está localizado no Hemisfério Sul, na Oceania, e fica a algumas horas da Austrália. A Nova Zelândia é constituída por 3 ilhas: Ilha Norte, Ilha Sul e a pequena Stewart Island. As Ilhas Norte e Sul são as principais massas territoriais do país, onde se concentra a maior parte da população e do rebanho. A Nova Zelândia é uma das massas de terra mais recentes do mundo, oriunda do levantamento de terras causado pelo encontro de duas placas tectônicas (Placa do Pacífico e Placa Australiana) e subsequente vulcanismo. Uma terra nova, extremamente fértil, mas por vezes também ácida.
Fica nítida tamanha transformação ao olharmos para o mapa da Nova Zelândia e virmos a cadeia de montanhas que cruza o país de norte a sul. Essa principal cadeia de montanhas e outras cadeias menores adjacentes são responsáveis por definir a distribuição das atividades rurais no país. Basicamente, onde há terras e planícies, em vales de rios (flat lands), a pecuária leiteira, assim como a horticultura, se desenvolve melhor. Por outro lado, onde há um relevo mais acentuado e montanhoso (hill country), a pecuária bovina, ovina e de cervídeos se destaca.
Mas essa nem sempre foi a realidade. Antes dos anos 80, a pecuária de ovinos era predominante no país, sendo conduzida tanto no Hill Country quanto nas Flat Lands. Nos anos 80, a NZ chegou a ter cerca de 70 milhões de cabeças de ovelha no país. A grande mudança começa em 1984, quando a NZ passa por um processo denominado de “Rogernomics”, que, indiretamente, se torna o estopim da revolução na pecuária de leite neozelandesa. Mas esse é assunto para nossa próxima coluna!