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Vazamento de leite após a secagem afeta a saúde do úbere

POR GUSTAVO FREU

E MARCOS VEIGA SANTOS

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 29/09/2020

3 MIN DE LEITURA

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O melhoramento genético e a intensificação da produção nas últimas décadas permitiu que as modernas vacas leiteiras tenham potencial de produções de 25 a 30 kg/leite/dia no momento da secagem. Por esse motivo, a transição da lactação para o período seco é reconhecida como momento crítico para a saúde das vacas leiteiras. Após a secagem das vacas, há grande volume de leite não ordenhado que se acumula nas cisternas, ductos e alvéolos mamários, com significativo aumento da pressão intramamária. Essa situação aumenta o vazamento de leite (VL) e, consequentemente, o risco de novas infecções intramamárias (IIM).

Considerando que VL é considerado um fator de risco da ocorrência de novas IIM no período seco, um estudo recente investigou a incidência de VL após a secagem e os fatores de risco relacionados com a ocorrência de mastite clínica (MC) e novas IIM durante o período seco e após o parto em rebanhos comerciais da Europa. Um total de 1.175 vacas provenientes de 41 rebanhos leiteiros foi avaliado. Neste estudo, os pesquisadores observaram a incidência de VL durante três momentos distintos após a secagem (considerada como dia 0): a) 20 a 24 h, b) 30 a 34 h e c) 48 a 52 h. Além disso, foram coletadas informações sobre a terapia de vaca seca e saúde do úbere das vacas em cada rebanho participante e informações sobre contagem de células somáticas (CCS) individual e ocorrência de MC do nos primeiros 30 dias pós-parto.

A incidência média de VL foi de 24,5% entre 20-52h após a secagem das vacas, e diferiu entre os rebanhos participantes (variando de 0 – 77%; Figura 1). Além disso, a maioria das vacas apresentou VL pela primeira vez entre 20-24 h ou 30-34 h após a secagem. Este resultado está relacionado com o tempo que o úbere é capaz de manter alta pressão devido a grande quantidade de leite não ordenhado acumulado. Uma vez que esta pressão excede a capacidade do esfíncter de suportar o volume de leite armazenado, ocorre o VL.

vazamento de leite apos secagem de vacas leiteiras
Figura 1: Incidência de vazamento de leite (VL) de acordo com os tempos de observação (h).

Adicionalmente, quartos mamários posteriores apresentaram VL com mais frequência do que os quartos mamários anteriores (Figura 2). Isto pode estar associada à maior pressão nos quartos mamários posteriores, uma vez que estes produzem mais leite.

vazamento de leite apos secagem de vacas leiteiras
Figura 2: Incidência de vazamento de leite (VL) por quarto mamário (AE = anterior esquerdo; AD = anterior direito; PE = posterior esquerdo; PD = posterior direito).

O número de ordenhas e a produção de leite no dia da secagem também foram associados com a incidência de VL. O risco de VL foi maior em vacas ordenhadas duas ou mais vezes por dia durante a lactação; e produção de leite >13L na secagem aumentou o risco de VL. Dessa forma, se vacas de alta produção forem manejadas e secadas com menor produção de leite, seria possível reduzir o VL.

Quartos mamários com VL tenderam a apresentam duas vezes mais chance de desenvolver MC até 30 dias pós-parto do que os quartos que não vazavam leite. Da mesma forma, vacas com VL tenderam a ter 1,5 vezes mais chances de novas IIM durante o período seco e nos primeiros 30 dias pós-parto em comparação com vacas sem VL. Esta associação entre VL e características de saúde do úbere foi descrita em estudos anteriores, e sugere que VL pode ser um indicativo de que o canal do teto esteja mais vulnerável à invasão e à colonização da glândula mamária por bactérias. Além disso, os pesquisadores sugerem que o VL na cama das instalações pode fornecer um ambiente favorável a multiplicação de microrganismos presentes na cama e, consequentemente, aumentar a exposição ambiental dos canais de teto abertos. Logo, o risco de infecção das vacas com com VL pode ser maior quando há deficiência de higiene no ambiente das vacas.

Assim, pode-se observar que o VL impacta negativamente a saúde da glândula mamária de vacas leiteiras. Dessa forma, é recomendável avaliar estratégias para reduzir a produção de leite no momento da secagem (> 15 l/vaca/dia) e consequentemente reduzir o VL e risco novas IIM. Isso, além de contribuir para melhoria do bem-estar animal (reduzindo desconforto causado pelo aumento da pressão intramamária), pode reduzir o impacto da mastite nos rebanhos leiteiros.

Fonte: DE PRADO-TARANILLA et al. Journal of Dairy Science, v.103, n.10, 2020.

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

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