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Vacas com mastite grave têm risco de bacteremia?

POR MARCOS VEIGA SANTOS

E GUSTAVO FREU

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 24/06/2021

3 MIN DE LEITURA

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Atualizado em 24/06/2021

A mastite clínica pode ser facilmente identificada antes da ordenha pelas alterações no leite e/ou do úbere. Atualmente, a forma mais simples para classificar a mastite clínica é baseada na gravidade dos sintomas, considerando três escores: leve, moderada e grave.

  • Mastite de grau 1 ou mastite leve: apresenta somente alterações no leite; 
  • Mastite de grau 2 ou mastite moderada: além das alterações no leite, apresenta sinais locais de inflamação do úbere ou quarto mamário (vermelhidão, inchaço, aumento do calor, sensibilidade à dor);
  • Mastite de grau 3 ou mastite grave: apresenta sintomas sistêmicos (febre, perda de apetite ou desidratação).

 A grande maioria (de 90 a 95%) dos casos de mastite em vacas leiteiras são leves e moderados, enquanto que 5 a 7% são de mastite grave.

Mesmo sendo a minoria dos casos, a mastite clínica grave tem altos riscos sobre o estado geral das vacas leiteiras, com danos irreversíveis ao úbere, bacteremia (presença de bactérias no sangue, que migram a partir do leite) e risco de morte das vacas acometidas.

Sendo assim, pela menor ocorrência de mastite grave em vacas leiteiras, poucos estudos são realizados. Recentemente, pesquisadores da Alemanha desenvolveram um estudo com objetivo de fornecer mais informações sobre a ocorrência de bacteremia em vacas com mastite grave.

Durante um ano, 2 rebanhos leiteiros (média de 1.100 vacas em lactação) foram monitorados quanto a ocorrência de mastite. Os casos de mastite clínica grave foram identificados pelos ordenhadores antes das ordenhas e amostras de leite do quarto mamário acometido foram coletadas.

Além do leite, amostras de sangue das vacas com mastite grave foram coletadas antes que qualquer tratamento fosse instituído. As amostras de leite e sangue foram submetidas à cultura microbiológica, sendo que quando nenhum patógeno fosse identificado no sangue, análises adicionais para pesquisar componentes dos patógenos (DNA e endotoxinas no caso de bactérias Gram-negativas) foram realizadas.

Um total de 70 casos de mastite clínica grave foi registrado durante o período do estudo. Deste total, 24,3% (17/70) das amostras de leite apresentaram cultura negativa (Figura 1). Enquanto que nas amostras cultura positiva, Streptococcus uberis (22/70, 31,4%) e Escherichia coli (12/70, 17,1%) apresentaram as maiores frequências de isolamento.

Deve-se destacar que cerca de 40% dos casos graves tem como causa bactérias Gram-positivas, como Strep. uberis e Staph. aureus, o que indica que sintomas graves não estão somente associados com bactérias Gram-negativas.

Apenas uma amostra de sangue apresentou isolamento microbiano positivo (1,4%; 1/70), na qual foi identificado E. coli. Além disso, componentes dos patógenos foram encontrados no sangue em dez dos 70 casos de mastite.

Figura 1. Frequência de isolamento de patógenos causadores de mastite clínica grave em vacas leiteiras provenientes de 2 rebanhos da Alemanha.

gráfico de mastite

As alterações da glândula mamária decorrentes da mastite grave, podem resultar em morte da vaca e lesões no quarto mamário. Dependendo da intensidade de resposta imune da vaca, pode ocorrer passagem de toxinas e bactérias do leite para os vasos sanguíneos, o que poderia causar bacteremia e os sintomas sistêmicos.

Os resultados deste estudo mostraram que a maioria dos casos de mastite clínica grave foram causados por patógenos de origem ambiental, e que a ocorrência de bacteremia foi rara (1,4%).

Outros estudos relataram frequências superiores de bacteremia (32%) em hemoculturas de vacas com mastite aguda causada por E. coli. É importante destacar que o desenvolvimento e ocorrência de bacteremia devido a mastite grave dependem da virulência e patogenicidade do agente envolvido, da resposta imunológica da vaca e fatores de risco ambiental.

Em virtude das alterações no estado geral das vacas e do risco resultante da bacteremia, os protocolos de tratamento da mastite grave devem atuar nos sintomas e buscar reduzir o risco de morte da vaca. Dentre os protocolos, estão: uso de antimicrobiano intramamário e sistêmico, fluidoterapia e uso de antiinflamatórios não-esteroidais.

No entanto, a ocorrência de bacteremia ou de identificação de componentes de patógenos no sangue das vacas com mastite grave foi rara neste estudo, o que levou estes autores a questionarem até que ponto é necessário administrar antimicrobianos por via sistêmica.

Estes resultados reforçam a importância dos demais componentes do protocolo de tratamento, como a adequada hidratação e o uso de anti-inflamamários não-esteroidais, além de buscar otimizar a capacidade de resposta imune das vacas.

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Referencias
BRENNECKE et al. Animals, v.11, n.410, 2021.

 

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MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

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JOÃO LEONARDO PIRES CARVALHO FARIA

MONTES CLAROS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 24/06/2021

Como sempre, muito didático e esclarecedor!
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