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Uso de medidas de controle de mastite aumentam a eficiência técnica de fazendas leiteiras

POR MARCOS VEIGA SANTOS

E TIAGO TOMAZI

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 23/11/2012

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Marcos Veiga dos Santos
Tiago Tomazi*

Eficiência técnica é o termo econômico que se refere ao potencial de maximização da produção tanto quanto os insumos utilizados permitirem. Fazendas produtoras de leite tornam-se mais eficientes tecnicamente quando adotam práticas que otimizam o uso dos dos insumos, o que consequentemente reduz os custos de produção e torna as propriedades mais lucrativas e sustentáveis.

Qualquer doença que ocorra nas vacas interfere nos resultados econômicos da fazenda, pois geram gastos com tratamento e reduzem a produção de leite. Estudos realizados na Europa estimaram custos na faixa de €210,00 a €428,00 por caso de mastite clínica. A mastite reduz significativamente a probabilidade da fazenda ser economicamente eficiente. Entre as causas principais destacam-se aquelas relacionadas aos seguintes gastos: encargos com Médico Veterinário e medicamentos, perda de produção, descarte do leite, redução das bonificações devido ao aumento na CCS, trabalho extra, aumento do risco de um novo caso de doença, descarte de vacas e custos relacionados ao bem-estar animal.

A incidência de mastite em um rebanho é influenciada pelo manejo dos animais e por fatores ambientais. Dentre estes fatores pode-se listar o estado das instalações, higiene das vacas manejo nutricional, qualidade da água, equipamento de ordenha e práticas gerais relacionadas à secagem das vacas. A incidência da mastite e o seu impacto sobre a produção e qualidade do leite podem ser reduzidos por meio de medidas preventivas. Estas medidas incluem a limpeza frequente das instalações, manejo de ordenha apropriado e com alto padrão de higiene, segregação das vacas com base na CCS, desinfecção dos tetos antes e após a ordenha e inspeção e manutenção periódica dos equipamentos de ordenha. Protocolos de tratamento com antimicrobianos, terapia de vaca seca e regimes estritos de descarte de animais com casos crônicos de mastite são exemplos de medidas que limitam o impacto econômico das infecções intramamárias em rebanhos leiteiros.

A adoção de programas de controle e prevenção da mastite leva ao aumento das despesas com insumos, especialmente em termos de mão de obra. A lucratividade gerada pelas medidas preventivas é determinada pela comparação do custo de implementação de tais práticas com a redução da incidência de mastite que pode ser alcançada por meio destas medidas. Nem todas as medidas preventivas são igualmente efetivas quanto ao ganho econômico. A avaliação dos efeitos do uso de medidas preventivas tem indicado que a desinfecção dos tetos após a ordenha, manutenção periódica dos equipamentos de ordenha e a terapia de vaca seca são tecnicamente efetivas em reduzir a incidência de mastite. No entanto, o uso de sanitizantes na solução de lavagem ao preparar os tetos para ordenha não demonstrou ser uma prática economicamente efetiva em nível de rebanho.

Um estudo realizado na Suécia, com base em registros de 361 fazendas leiteiras, buscou avaliar se e quais medidas preventivas da mastite influenciam nos resultados econômicos da fazenda como um todo. O estudo foi realizado por meio da determinação da eficiência técnica em fazendas leiteiras especializadas. Em particular, determinou-se como a adoção de medidas preventivas aplicadas em fazendas economicamente eficientes pode aumentar a probabilidade de fazendas ineficientes tornarem-se totalmente eficientes.

Para determinação da eficiência técnica dos rebanhos utilizou-se um escore baseado em registros contábeis que variou de 0 a 1,0, onde o escore 1,0 caracterizou uma fazenda totalmente eficiente. Duas etapas foram necessárias para gerar tal escore. Em primeiro lugar determinou-se a "fronteira eficiente", isto é, a função de produção que descreve a utilização eficiente dos insumos dado um certo nível de produção. E em segundo, a diferença entre cada fazenda em relação a fronteira eficiente foi determinada, o que gerou um escore de eficiência para cada propriedade produtora de leite. Os insumos utilizados na produção foram divididos em quatro fontes de despesas: compra de alimentos, mão de obra, capital e outras despesas (serviços veterinários, fertilizantes, sementes, combustível e energia elétrica). Por outro lado, as receitas foram agregadas em uma fonte única, a qual se baseou na receita total das vendas dos produtos da propriedade. Em média, 77,5% das receitas das fazendas tiveram origem da venda do leite.

Os efeitos das medidas preventivas da mastite sobre a eficiência técnica foram avaliados por meio de análises de regressão logística. As informações relacionadas à sanidade da glândula mamária foram avaliadas a partir da incidência de mastite clínica tratada em relação ao número total de animais no rebanho.
O nível médio de eficiência técnica entre todas as fazendas avaliadas foi 0,71, o que sugere que fazendas ineficientes poderiam, em média, reduzir o uso dos insumos em aproximadamente 30% se as práticas fossem ajustadas àquelas aplicadas em fazendas eficientes (escore 1,0). Trinta e uma fazendas (8,6%) foram identificadas como totalmente eficientes tecnicamente e foram as fazendas com as melhores práticas as quais o restante das fazendas foram comparadas.

Os resultados do estudo demonstraram que fazendas totalmente eficientes foram caracterizadas por baixa incidência de mastite , o que confirma a importância da redução da incidência desta doença a fim de aumentar a eficiência técnica da fazenda. Fazendas totalmente eficientes tiveram maior proporção de vacas holandesas e menor frequência de alocação de vacas em sistema de tie stalls (baias individuais). Várias medidas preventivas da mastite diferiram entre fazendas totalmente eficientes e o restante das fazendas: o uso de cama de areia, ambiente limpo durante a ordenha, estimulação manual do úbere e troca do conjunto de teteiras após ordenha de vacas com alta CCS foram medidas frequentemente utilizadas em fazendas totalmente eficientes. Outras medidas preventivas como desinfecção dos tetos pré e pós-ordenha e segregação de vacas foram menos frequentes em fazendas totalmente eficientes. No entanto, estas medidas não devem subjugadas, pois ao se avaliar os aspectos biológicos e não-econômicos, tais como fatores microbiológicos e de bem-estar animal, tais medidas de prevenção estão bem fundamentadas tecnicamente. Além disso, os resultados sugerem que estas práticas podem ser implementadas sem impacto negativo sobre o desempenho econômico da fazenda.
O descarte de vacas com alta CCS foi a medida de manejo mais comum quando a CCS do tanque foi considerada elevada. Contatar um Médico Veterinário foi a segunda medida mais comum. A formação de lotes de vacas com alta CCS foi a medida menos usada entre as fazendas. Os resultados do estudo sugerem que a formação de lotes e a checagem da qualidade dos alimentos foram negativamente associadas com a eficiência técnica, devido ao fato de as fazendas totalmente eficientes usarem estas práticas com menor frequência que as fazendas menos eficientes. No entanto, práticas de manejo como checagem das rotinas de higiene e dos equipamentos de ordenha, descarte de vacas com alta CCS e a assessoria de um Médico Veterinário foram mais frequentes em fazendas totalmente eficientes.

O escore médio de eficiência técnica encontrado neste estudo (0,71) em comparação com o escore máximo (1,0) revelaram possibilidades consideráveis de melhorias na eficiência técnica se todas as fazendas estudadas se tornarem tão eficientes quanto as fazendas que possuem as melhores práticas de manejo. O escore de eficiência observado indicou que os custos podem ser reduzidos em aproximadamente 30% se as práticas aplicadas nas fazendas identificadas como totalmente eficientes forem corretamente aplicadas no restante das fazendas. Esse é um indicativo importante ao considerar a estreita margem de lucro das propriedades leiteiras.

Fonte: Hansson et al.; Animal (2011), 5:4, p.632–640.

*Tiago Tomazi é mestrando do Programa de Pós-Graduação em Nutrição e Produção Animal da FMVZ-USP (http://www2.fmvz.usp.br/nutricaoanimal/)

 

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

TIAGO TOMAZI

Médico Veterinário e Doutor em Nutrição e Produção Animal
Pesquisador do Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP

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ESTÊVÃO DOMINGOS DE OLIVEIRA

CAÇU - GOIÁS

EM 29/11/2012

Prevenção é a saída. O grande problema é que nós brasileiros temos dificuldades em realizar planos de médio e longo prazos. O controle de mastite eficiente deve focar em medidas que garantam a situação adequada a longo prazo. Medidas de curto prazo como focar em tratamento da mastite( que sempre é a medida mais onerosa para a fazenda) são ainda muito recomendadas. Devemos mudar essa tendência em nossas fazendas leiteiras e em nossos técnicos.
JOSELITO GONÇALVES BATISTA

UBERABA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 27/11/2012

Cada vez mais se evidencia a grande importancia da sanidade no controle da mastite. São praticas de facil implementação , mas de muito comprometimento por parte da equipe de trabalho, ou seja, precisamos concietisar os colaboradores destas praticas e acompanhar os resultados qualitativos do leite para comprovar a eficiencia do trabalho executado por eles. E também fica claro que a prevenção é chave para o controle mais eficiente e economicamente mais viavel.