Uso de calcário em cama reduz contaminação microbiana
Um dos principais desafios atuais na prevenção da mastite é o controle dos agentes ambientais. Em sistemas confinados, como o <i>free-stall</i>, um dos principais reservatórios de agentes ambientais é a cama das baias, o que significa que a manutenção da limpeza dos tetos depende de um bom <i>design</i> da baia e do manejo de limpeza da cama.
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O principal reservatório dos agentes ambientais (p.ex., Escherichia coli, Klebisiella spp., Streptococcus spp) é o próprio ambiente que a vaca vive. Os resultados de estudos apontam que existe uma relação positiva entre a taxa de infecções intramamárias causadas por coliformes e a contaminação da extremidade dos tetos. Em outras palavras, quanto maior a contaminação dos tetos, maior é o risco da vaca apresentar mastite ambiental.
Em sistemas confinados, como o free-stall, um dos principais reservatórios de agentes ambientais é a cama das baias, o que significa que a manutenção da limpeza dos tetos depende de um bom design da baia e do manejo de limpeza da cama. Diversas estratégias de manejo da cama têm sido usadas, entre as quais o uso de calcário, diretamente sobre a cama ou sobre o colchão de lona, é uma das mais difundidas.
Um estudo recente avaliou a eficácia de cinco diferentes tipos de tratamento para cama em relação à redução da contaminação microbiana da cama em sistemas tipo free-stall. Foram testados os seguintes produtos em relação ao controle (sem adição de qualquer produto): adição de calcário, desinfetante ácido comercial, cinzas (subproduto da queima do carvão) e maravalha de madeira. A aplicação dos produtos foi feita a cada dois dias em camas a base de borracha, para grupos de 30 vacas, dentro do seguinte esquema: 0,5 kg de calcário, 120 ml de desinfetante ácido comercial, 1 kg de cinzas e 1 kg de maravalha de madeira. Após os tratamentos foram feitas avaliações da contagem de agentes ambientais na cama e na extremidade dos tetos.
Os resultados obtidos no estudo indicaram que o tipo de tratamento da cama teve efeito altamente significativo em relação à contaminação por agentes ambientais, sendo que o calcário foi o produto que apresentou a maior eficácia, seguido da aplicação do desinfetante comercial. Em relação ao controle, a aplicação de calcário reduziu a contagem de coliformes em 2,6 vezes, a contagem de Klebisiella em 2,80 vezes, a de E. coli em 3,4 vezes e a de Streptococcus spp em 3,25 vezes. O uso de maravalha de madeira apresentou as maiores contagens de Klebisiella spp similares ao procedimento controle, o que aponta para uma grande dificuldade de controle deste agente quando se usa esse tipo de cama.
Quando foi avaliada a contaminação na extremidade dos tetos, o único procedimento que apresentou eficácia em termos de redução tanto de coliformes quanto de Klebisiella spp foi o uso do calcário. Em termos de contagem de Streptococcus spp, nenhum dos tratamentos foi eficiente na redução da contaminação dos tetos em relação ao controle. Em síntese, os resultados indicam que o único tratamento que reduziu de forma significativa a contaminação por agentes ambientais na cama foi a aplicação de calcário. Como era esperado, a cama atingiu pico de contaminação após 36-48 hs da aplicação dos tratamentos, enquanto a contaminação dos tetos atingiu valores máximos após 12 hs da aplicação dos produtos na cama. É bom lembrar, que além do manejo da cama, o tipo de material usado apresenta impacto direto sobre o nível de limpeza das vacas, principalmente em relação às seguintes características: capacidade de absorção de umidade, capacidade de redução de crescimento de um grupo específico de microrganismo (exemplo: Klebisiella spp cresce rapidamente em maravalha de madeira) e destino da cama depois do uso. Um bom manejo de cama resulta em vacas com tetos limpos e secos, o que auxilia no controle da mastite ambiental.
Fonte: Kristula, et al., J. Dairy Sci. 91:1885-1892, 2008.
Material escrito por:
Marcos Veiga Santos
Professor Associado da FMVZ-USP Qualileite/FMVZ-USP Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225 Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP Pirassununga-SP 13635-900 19 3565 4260
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RESENDE - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 06/08/2019
PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO
EM 27/08/2019
fico no aguardo para entender melhor a sua questão, atenciosamente, Marcos Veiga

RESENDE - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 10/12/2019

GUARACIABA - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 12/03/2018
Gostaria de saber se o uso de calcário ou de produto químico(virkon S) em cama de composto barn para diminuir a pressão de microrganismos patogênicos pode afetar a fermentação da cama.
Aguardo resposta

GUARACIABA - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 12/03/2018
Gostaria de saber se é possivel o uso de calcario ou de produto químico( virkon S) em cama de compost barn para diminuição de CBT, e se o uso desses produtos afeta a fermentação da cama?
Obrigado
PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO
EM 14/03/2018

CURITIBA - PARANÁ - PESQUISA/ENSINO
EM 08/09/2009
A utilização de pó secante,formulado com agentes antiumectantes,tem se mostrado eficiente na secagem de uberes e pisos,assim como na cicatrização de feridas de tetas e mãos de ordenhadores.
Atenciosamente
Deocy França
<b>Resposta do autor:</b>
Prezado Deocy Franca,
Obrigado pela mensagem. Atenciosamente, Marcos Veiga

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 13/08/2009
Nosso gado, na seca, após as ordenhas(02) vão para um canzil concretado e coberto onde damos cana, cevada, concetrado. Após alimentar-se são soltas e ficam nas proximidades do cocho, área terra sobreada onde deitam-se, etc. Recentemente sugeriram que fosse jogado cal nessa área para "limpeza" porem sem saber a frequência. Você tem conhecimento dessa pratica e procedimentos ? Com relação ao calcário seria tambem uma alternativa; se sim como proceder, etc.
<b>Resposta do autor:</b>
Prezado Milton Antônio D´Oliveira,
Os dados do trabalho sobre calcário foram obtidos em outra situação (cama com colchão em free-stall) e eu não acredito que isso possa ser usado na sua situação. Ainda que seja difícil do ponto de vista de execução, a melhor recomendação seria manter o local o mais limpo e seco possível. Acho que o uso do calcário teria pouco efeito, além do fato de reduzir a umidade. Pela sua mensagem isso ocorre principalmente no período seco, quando o problema ambiental é menor.
Atenciosamente, Marcos Veiga

ARAPONGAS - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 11/07/2009
<b>Resposta do autor:</b>
Prezado Antonio Francisco Chaves Neto,
No artigo em questão não se menciona sobre o tipo de calcário utilizado, mas acredito que ambos os tipos podem funcionar, pois basicamente a diferença entre os dois é a diferença de teores de cálcio e magnésio, o que não deve interferir no resultado em relação ao uso em camas de maravalha.
Atenciosamente, Marcos Veiga

REDENÇÃO - PARÁ - ESTUDANTE
EM 22/05/2009
É uma ótima solução para a prevenção de possíveis doenças infectocontagiosas, além de serem métodos simples e baratos e de grande importância para o meio acadêmico!

OUTRO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 28/04/2009
Gostaria de saber se a Cal pode ser usada no lugar do calcario. E qual o intervalo ideal entre uma aplicação e outra?
<b>Resposta do autor:</b>
Prezado Eduardo Cogo Abib,
O artigo em questão fez uso do calcário (CaCO3). Considerando que a cal é (CaO) é uma base e que tem outra composição eu não tenho informação se pode ocorrer essa substituição. Aparentemente, são produtos parecidos, mas com composição e comportamento químico diferentes, o que me indica que não deveria ser utilizada a Cal para essa finalidade, a não ser que tenhamos um outro estudo avaliando o seu uso. No estudo em questão, o calcário foi usado dia sim, dia não.
Atenciosamente, Marcos Veiga

UBERABA - MINAS GERAIS
EM 23/04/2009
Qual seria o melhor manejo considerando cama de free-stall com areia? E se tem algum trabalho comparando o uso de formol e de calcário e qual a frequência de uso.
<b>Resposta do autor:</b>
Prezado Rodrigo de Paula Longo Cunha,
O trabalho que foi apresentado no radar técnico tratava do uso do calcário para camas com colchões e não camas de areia. A minha opinião é que para camas de areia o impacto do calcário deve ser muito pequeno. Na minha opinião um bom manejo de cama, deve ser o de reposição quinzenal de areia nas camas (areia nova) e diariamente retirar o esterco das camas que estão sujas.
Atenciosamente, Marcos Veiga
SÃO LOURENÇO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 14/04/2009
Trabalho com gado de leite e esta matéria me serviu muito, pois o nosso manejo se resulta em 10 baias com cama de areia e pó de serra (maravalha) e temos dois free stall com cama só de areia. Fazemos lógico limpeza diária e jogamos Cal só em outras partes e não diretamente na cama, estou com problemas de CCS alta pois não consigo diminuir. Como posso dentro do meu manejo me adequar melhor? Devo tirar a maravalha das baias?
Espero um retorno e agradeço a matéria.
Abraços
Marina
<b>Resposta do autor:</b>
Prezada Marina de Fatima Ribeiro,
Obrigado pela mensagem. É muito difícil fazer uma recomendação técnica com poucas informações, mas o passo inicial que você deveria considerar é se a alta CCS tem relação com a ocorrência de mastite ambiental (pouco comum) ou se em razão de agentes contagiosos (o mais provável). Após ter definida essa situação, pode-se então pensar em tomar alguma medida em relação a cama, que teria uma relação somente com a mastite ambiental.
Atenciosamente, Marcos Veiga

OLIVEIRA - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 10/04/2009
<b>Resposta do autor:</b>
Prezado Alexandre de Carvalho Pires
Obrigado pela mensagem.
Atenciosamente, Marcos Veiga

OLIVEIRA - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 10/04/2009