A longevidade das vacas de um rebanho é uma característica que afeta consideravelmente os resultados de uma fazenda. Quando a longevidade é aumentada, geralmente há uma tendência de aumento da produção de leite, pois abre-se a oportunidade de maior descarte das vacas de baixa produção, e conseqüentemente, possibilita maior quantidade de vacas adultas, cuja produção é maior que dos animais jovens.
A longevidade de um rebanho tem relação com o descarte voluntário (animais de baixa produção) e involuntário (outras razões, como infertilidade, sanidade, etc). A redução do descarte involuntário é uma forma de reduzir custos e aumentar o lucro de um rebanho.
A mastite pode ser uma das principais causas de descarte involuntário, sendo que ainda causa aumento de outros prejuízos como: redução da produção, descarte de leite, custo de medicamentos e redução da qualidade. As estimativas em rebanhos especializados são de que a mastite seja a responsável por cerca de 15 a 34% das razões de descarte em vacas adultas e de até 10% em primíparas.
Sendo assim, maiores índices de ocorrência de mastite podem aumentar a taxa de descarte e os custos de reposição. A resistência genética à mastite é um dos elementos de programas de melhoramento genético, no entanto, apresenta baixa herdabilidade e normalmente pode ser ter antagonismo com a seleção para aumento da produção de leite.
Com o objetivo de avaliar o impacto da CCS de rebanhos leiteiros sobre a longevidade, foi desenvolvido um estudo no Canadá, que utilizou dados de mais 2 milhões de vacas, distribuídas em quase 20 mil rebanhos das raças Holandesa, Ayrshire e Jersey. Foi definido como longevidade funcional o número de dias desde a primeira parição até o dia do descarte ou morte do animal.
Os resultados de CCS mensais de todas as vacas foram agrupados em 10 diferentes classes de escore linear de CS (ELCS) e distribuídos por número de lactação. Na análise dos dados foram avaliados os efeitos do estágio de lactação, tamanho do rebanho, produção de leite e composição e a classe de CCS.
A média de CCS foi de 167.000 cel/ml para as vacas Holandesas, 155.000 cel/ml para as da raça Ayrshire e 212.000 cel/ml para a raça Jersey. Dentro das três raças estudas, não houve aumento do risco de descarte para todos os animais que apresentaram CCS abaixo de ELCS=5 (400.000 cel/ml). No entanto, quanto uma vaca apresentou CCS superior a média dentro da média de sua raça, ocorreu aumento do risco desse animal ser descartado, sendo que para CCS elevadas o risco de descarte chega a aumentar de 5 a 6,6 vezes em comparação com vacas com baixa CCS.
Esses resultados, ainda que obtidos dentro de condições de manejo do Canadá apontam para uma importante relação: rebanhos que implantam programas de controle de mastite e de acasalamento buscando reduzir a CCS conseguem indiretamente aumentar a longevidade e conseqüentemente, os resultados da atividade.
Fonte:
Sewalem, et al., 2006. Journal of Dairy Science v.89, p. 3609-3614.
Relação entre CCS e longevidade de vacas leiteiras
A longevidade das vacas de um rebanho é uma característica que afeta consideravelmente os resultados de uma fazenda. Quando a longevidade é aumentada, geralmente há uma tendência de aumento da produção de leite, pois abre-se a oportunidade de maior descarte das vacas de baixa produção, e conseqüentemente, possibilita maior quantidade de vacas adultas, cuja produção é maior que dos animais jovens.
Publicado por: Marcos Veiga Santos
Publicado em: - 2 minutos de leitura
Material escrito por:
Marcos Veiga Santos
Professor Associado da FMVZ-USP Qualileite/FMVZ-USP Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225 Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP Pirassununga-SP 13635-900 19 3565 4260
Acessar todos os materiaisDeixe sua opinião!
LUIZ F. A. MARQUES
VITÓRIA - ESPÍRITO SANTO - PESQUISA/ENSINO
EM 03/10/2006
Conforme os resultados obtidos no Canadá e citados no artigo, existe bastante variação entre as raças para a CCS, característica que poderia ser explorada em cruzamentos orientados no gado de leite no Brasil. É importante introduzir e manter o gado resistente à mamite, mas a resistência genética tem herdabilidade baixa.
Então, é oportuno explorar, com os cruzamentos, de uma só vez, a ampla variabilidade genética (não aditiva) que existe entre as raças e a correlação entre as duas características: CCS e resistência genética à mamite.
Outra vantagem é ainda aguardada na heterose, com base no mérito de cada raça e nas diferenças entre elas. Aqui no Brasil, os resultados do Programa de Análise de Rebanhos Leiteiros do Paraná, demonstram, para centenas de lactações encerradas, o maior mérito para a raça Simental quanto à baixa CCS, incluindo rebanhos de alta produção (mais de 30 kg/vaca/dia).
Muitos resultados, além do PARLPR, tais como torneios leiteiros e controles de rebanhos particulares, indicam a baixa CCS na raça Simental, sugerindo que esta raça deve ser usada nos cruzamentos de gado leite para melhorar seus desempenhos.
Então, é oportuno explorar, com os cruzamentos, de uma só vez, a ampla variabilidade genética (não aditiva) que existe entre as raças e a correlação entre as duas características: CCS e resistência genética à mamite.
Outra vantagem é ainda aguardada na heterose, com base no mérito de cada raça e nas diferenças entre elas. Aqui no Brasil, os resultados do Programa de Análise de Rebanhos Leiteiros do Paraná, demonstram, para centenas de lactações encerradas, o maior mérito para a raça Simental quanto à baixa CCS, incluindo rebanhos de alta produção (mais de 30 kg/vaca/dia).
Muitos resultados, além do PARLPR, tais como torneios leiteiros e controles de rebanhos particulares, indicam a baixa CCS na raça Simental, sugerindo que esta raça deve ser usada nos cruzamentos de gado leite para melhorar seus desempenhos.