Principais patógenos causadores de mastite - Parte 1
No último encontro do Conselho Nacional de Mastite dos EUA (2008), foram apresentados alguns resultados de levantamentos de prevalência dos patógenos causadores de mastite em três diferentes países: EUA, Brasil e Argentina. Nesta 1ª parte, serão mostrados os resultados do levantamento nos 17 principais estados produtores de leite dos EUA.
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Não menos importantes são os procedimentos de coleta das amostras, os quais devem ser realizados de modo a evitar a contaminação e garantir a confiabilidade dos resultados. No último encontro do Conselho Nacional de Mastite dos EUA (2008), foram apresentados alguns resultados de levantamentos de prevalência dos patógenos causadores de mastite em três diferentes países: EUA, Brasil e Argentina.
Prevalência de agentes contagiosos em rebanhos dos EUA
Recentemente, foi realizado um levantamento nos 17 principais estados produtores de leite dos EUA, conduzido pelo Sistema de Monitoramento de Saúde Animal do USDA (United States Department of Agriculture) (1). O início do estudo ocorreu em 2007, cuja amostragem teve como objetivo ser representativa de cerca de 80% das vacas em lactação e 79,5% dos rebanhos dos estados incluídos no estudo.
Os rebanhos monitorados foram divididos em duas regiões (Oeste e Leste) e por tamanho: pequeno (até 100 vacas), médio (100-499 vacas) e grande (>500 vacas). O levantamento buscou informações sobre manejo e programas de saúde animal, entre as quais foi realizada a amostragem do tanque para cultura e isolamento dos patógenos contagiosos mais prevalentes: Streptococcus agalactiae, Staphylococcus aureus e Mycoplasma.
Os resultados apontaram que S. aureus foi isolado em 43% dos rebanhos avaliados, sendo que esta prevalência foi a maior entre os três agentes contagiosos pesquisados. Destaca-se ainda que a prevalência deste agente foi similar entres os estados avaliados e em relação ao tamanho dos rebanhos, o que indica que a sua distribuição não é localizada e deve ser encarada como um problema nacional. O risco de isolamento de S. aureus foi maior em rebanhos com histórico de ocorrência de casos clínicos sem resposta ao tratamento e vacas com alta CCS.
Em relação ao S. agalactiae, o isolamento ocorreu em 2,6% dos rebanhos estudados, e da mesma forma que para S. aureus, não foi encontrada diferença entre as regiões e entre o tamanho dos rebanhos. As análises dos questionários e dos resultados das culturas apontaram que rebanhos utilizando pré-dipping apresentaram menor risco de isolamento de S. agalactiae, indicando que este agente é menos prevalente em rebanhos com uma boa rotina de ordenha.
O isolamento de Mycoplasma ocorreu em 3,2% dos rebanhos, contudo o agente foi isolado em 14,4% dos rebanhos grandes, 4,2% nos médios e em 1,8% dos pequenos. Estes últimos resultados indicam que as medidas de manejo utilizadas nos grandes rebanhos americanos aumentam a probabilidade de disseminação de Mycoplasma, quando comparado com rebanhos pequenos e médios.
Material escrito por:
Marcos Veiga Santos
Professor Associado da FMVZ-USP Qualileite/FMVZ-USP Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225 Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP Pirassununga-SP 13635-900 19 3565 4260
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GOIÂNIA - GOIÁS
EM 16/02/2009
SOLONÓPOLE - CEARÁ - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 08/02/2009
Como a cultura microbiologica da substância do leite é usado na identificação e isolamento de microorganismos patogenos (causadores da mastite), por que através das propriedades intrinsecas do leite ainda não desenvolveram uma vacina eficiente que combatesse essa doença antes o período de lactação da primeira parição da novilha e, se desenvolveram, porque não está difundida entre os agropecuaristas dos estados brasileiros?
Atenciosamente,
Shelton-Técnico Agrícola com Habilitação em Zootecnia
<b>Resposta do autor:</b>
Prezado Shelton Teixeira Benevides,
A cultura microbiologia do leite é hoje o método de referência para isolamento (identificação) de agentes causadores de mastite. Em termos resumidos, por meio de uma coleta de amostra de leite do quarto mamário com mastite, faz-se a inoculação em meios específicos e pelas características morfológicas e bioquímicas da colônia isolada, pode-se fazer esse diagnóstico. Esse método é fundamental para identificar o tipo de agente causador (contagioso ou ambiental) e para recomendações sobre tratamento ou descarte da vaca. A cultura não tem relação com a composição do leite.
Em relação a vacinação, realmente até hoje temos apenas duas vacinas contra dois agentes específicos (E. coli e S.aureus) que tem comprovação científica de eficácia, ainda que não 100%. O grande problema da mastite é que existe uma gama enorme de agentes causadores (mais de 100 bactérias identificadas), o que inviabiliza o seu controle por meio de vacinação. A maioria das doenças tem como agente causador apenas um tipo de microrganismo, o que pode facilitar o uso de uma vacina.
Atenciosamente, Marcos Veiga

TAPEJARA - RIO GRANDE DO SUL - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 26/01/2009

ITUVERAVA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE
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