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Ocorrência de mastite altera a curva de lactação de primíparas

POR MARCOS VEIGA SANTOS

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 09/11/2010

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O melhoramento genético das vacas leiteiras para aumento da produção tem apresentado duas consequências principais. A primeira é o grande aumento da produção de leite no início da lactação, por outro lado, a segunda é o maior desafio metabólico da vaca e consequente aumento da susceptibilidade as doenças. Dentre as doenças do gado leiteiro, a mastite é a mais comum e uma das que mais afetam a lucratividade, já que implica em perdas de produção, descarte do leite e custos de tratamentos, redução da qualidade e destarte de animais. A ocorrência de mastite pode afetar a curva de lactação e reduzir a persistência de lactação, mas o impacto pode ser diferente em relação ao estágio de lactação em que a mastite ocorre.

Foi desenvolvido um estudo que avaliou a relação entre a curva de lactação de primíparas e a ocorrência de mastite em diferentes estágios de lactação. Foram estudados registros de lactação de 538 primíparas em relação às demais informações sobre tratamentos e ocorrência de mastite ao longo da lactação. Os animais apresentaram idade ao parto variando entre 21 e 34 meses, e produção média de 10.000 kg/ lactação de 305 dias. Para 95% das vacas estudadas o pico de lactação ocorreu entre 46 e 115 dias em lactação (DEL). Em função disto, a ocorrência de mastite e os tratamentos foram classificados em três fases: a) início de lactação (até 45 DEL); b) pico de lactação (46 a 115 DEL); c) meio e final de lactação (116 a 305 DEL). Cada vaca foi classificada em relação a ocorrência não de pelo menos um caso de mastite em um dos três estágios de lactação do estudo. A distribuição da ocorrência de tratamentos de mastite está apresentada na Tabela 1.

Tabela 1. Ocorrência de mastite (% em relação do total de vacas) distribuída pelo estágio de lactação.


*a) Início de lactação (até 45 DEL); b) pico de lactação (46 a 115 DEL); c) meio e final de lactação (116 a 305 DEL). Fonte: adaptado de YAMAZAKI, e al. (2009).

Conforme apresentado na tabela 1, a frequência de mastite foi maior no início da lactação. As vacas que apresentaram maior taxa de incremento da produção de leite e maior produção de leite no início da lactação foram as que tiveram maior predisposição para ocorrência de mastite ao longo da lactação. Da mesma forma, vacas com alta produção de leite, mas com baixa persistência de lactação foram mais predispostas à ocorrência de mastite após o pico de lactação. Estes resultados indicam que vacas com mastite no início de lactação apresentam maior potencial de produção de leite no início da lactação em relação às vacas sadias, contudo, a ocorrência da mastite parece causar redução deste potencial para níveis similares aos das vacas sadias. Alguns autores sugerem que vacas com elevado volume de produção de leite têm maior tempo de ordenha e consequentemente, maior risco de lesão do esfíncter do teto, o que explicaria a maior predisposição para ocorrência de mastite após o pico de lactação.

Figura 1. Média de produção de leite de 5 a 305 dias de lactação para grupo de vacas com mastite (♦) no início da lactação (0-45 DEL) e vacas sadias (×)



Considerando toda a lactação, a persistência de lactação foi menor para o grupo de vacas com mastite em relação ao grupo que não apresentou mastite. Em termos de produção total de leite durante a lactação, não houve diferença entre as vacas que apresentaram mastite (média de 10.095 kg) e as que não apresentaram (média de 10.004 kg). Desta forma, os animais sadios tenderam a ter uma curva de lactação mais uniforme, enquanto as vacas que apresentaram mastite produziram mais leite no início de lactação, mas sofreram redução da produção de leite depois do pico, resultando em menor persistência de lactação.

Fonte: YAMAZAKI, e al., Animal Science Journal v.80, p.636-643, (2009).

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

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RONALDO MENDONÇA DOS SANTOS

UBERABA - MINAS GERAIS

EM 20/11/2010

Saudações Dr. Marcos Veiga!

Qual sua opinião sobre alguns animais que a ordenha não consegue retirar todo o leite do quarto. Geralmente, os funcionários precionam o úbere no sentido de drená-lo para cisterna da teta. Este procedimento está correto?


Um forte amplexo,

____________________________________________________________
(34) 9932-9140 - Ronaldo Mendonça dos Santos

Colaborador: www.embryosys.com.br bovine reproduction

<b>Resposta do autor:</b>

Prezado Ronaldo Mendonça dos Santos,

Pelo que eu entendi da questão, seria em relação aos animais que tem ordenha mais lenta e o ordenhador pressiona o equipamento de ordenha para tentar retirar o leite, certo?

Este procedimento não é recomendado, pois pode haver deslizamento da teteira e entrada de ar, o que pode levar a um risco de nova infecção intramamária, quando há entrada de ar. Se depois da ordenha, não sobrar mais de 100 ml por quarto mamário, não teria problema de ordenha incompleta, pois sempre vai haver alguma sobra de leite após a ordenha.

Caso não seja esta a pergunta, por favor, envie outra mensagem. Cordialmente, Marcos Veiga