O uso da CCS em diferentes países - Parte 3

A CCS do tanque (CCST) tem se tornado cada vez mais disponível aos produtores que fornecem leite para empresas que fazem o pagamento por qualidade. Geralmente, esse dado é enviado mensalmente e está diretamente relacionado com a qualidade do leite.

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A CCS do tanque (CCST) tem se tornado cada vez mais disponível aos produtores que fornecem leite para empresas que fazem o pagamento por qualidade. Geralmente, esse dado é enviado mensalmente e está diretamente relacionado com a qualidade do leite.

A CCST é uma medida indireta do percentual de quartos mamários infectados no rebanho e apresenta relação positiva com a prevalência da mastite no rebanho e com a gravidade dos casos de mastite, sendo que este último depende do tipo de agente causador. A predominância do tipo de agente causador de mastite (ambiental ou contagioso) tem efeito significativo sobre a CCST.

Ainda que existam estimativas de pesquisa sobre a porcentagem de quartos infectados e a CCST, é muito difícil determinar com precisão a prevalência da mastite de um rebanho apenas com os resultados de CCST. Considerando que existe grande variabilidade da CCS individual das vacas, é necessário que os resultados de CCST sejam analisados ao longo do tempo, como indicativo da ocorrência de problemas de mastite subclínica.

Em termos de metas para a saúde da glândula mamária, recomenda-se CCST < 250.000 cel/ml e 85% das vacas com CCS individual <250.000 cel/ml (Tabela 5). Sendo assim, o objetivo de um programa de controle de mastite é o de reduzir a prevalência dessas vacas com alta CCS. Isso pode ser obtido pela redução da entrada desses animais no rebanho e pela diminuição da duração da mastite subclínica.

Tabela 1. Recomendações para metas da saúde da glândula mamária de rebanhos leiteiros.

Figura 1

Quando se classifica a CCS dos rebanhos em baixa (<150.000 cel/ml), média (150.000 a 250.000 cel/ml) e alta (250.000 a 400.000 cel/ml), grande parte da variação da CCS do tanque entre rebanhos pode ser explicada pelo manejo adotado. As práticas de manejo que estão associadas com a baixa CCS do tanque em rebanhos leiteiros são: terapia da vaca seca, rotina de ordenha adequada, desinfecção dos tetos após a ordenha e tratamento dos casos de mastite clínica. Os rebanhos de baixa CCS apresentam melhores condições de higiene que os de alta CCS, o que reduz a exposição aos patógenos e reduz a sua transmissão durante a ordenha.

Em um estudo realizado em 175 rebanhos da Zona da Mata de Minas Gerais, foram identificados os fatores de risco associados com a ocorrência de alta CCS no tanque. Foram identificados como fatores que não apresentam efeito sobre a CCST: o tipo de ordenha (manual, mecânica canalizada e balde-ao-pé), a idade média dos rebanhos, o local de ordenha e a realização de exames dos primeiros jatos de leite. A anti-sepsia antes e após a ordenha, a realização de linha de ordenha, o não fornecimento de alimento durante a ordenha foram identificados como procedimentos que contribuem para reduzir a CCST.

Considerando uma média de CCS do tanque ao longo do ano e calculando o desvio padrão (DP) desses dados, pode-se estabelecer uma faixa de variação (um DP acima e abaixo da média), o que representa um intervalo de confiança de 95%. As observações fora desse intervalo representam alterações reais da saúde da glândula mamária do rebanho e devem ser seguidas de medidas de controle. Por outro lado, o risco de ocorrência de mastite clínica aumenta em rebanhos com baixa CCST e com a elevada proporção de vacas com baixa CCS .

Para rebanhos que apresentam alta CCS por prolongados períodos é de fundamental importância a realização da CCS individual das vacas e a cultura microbiológica para identificação dos agentes causadores de mastite clínica e subclínica. Com base nos resultados da CCS individual, pode-se implantar as seguintes estratégias:

a) Primeiramente, identificar se a alta CCST tem origem em um reduzido número de vacas com CCS muito alta (<5%) ou se um maior número de vacas contribui para a alta CCST. Se essa primeira opção acontecer, recomenda-se avaliar detalhadamente esses animais quanto ao padrão de CCS ao longo da lactação, cultura microbiológica para identificação de agentes causadores e com base nesses resultados, pode-se realizar o tratamento intramamário, a secagem antecipada, descarte ou segregação.

b) Quando mais de 5% das vacas contribui para a alta CCST, um próximo passo seria diferenciar se as infecções são predominantemente crônicas ou novas. Caso a ocorrência de novas infecções seja elevada (>5%), é recomendável uma completa verificação em todo o programa de controle preventivo de mastite, com especial atenção para: o manejo de ordenha, pré e pós-dipping, tratamento de vaca seca, introdução de animais no rebanho e segregação de vacas com mastite crônica. Por outro lado, quando a taxa de infecções crônicas é alta (>5%), recomenda-se identificar esses animais e com base no perfil de CCS ao longo da lactação e dos resultados de cultura microbiológica, proceder a uma das seguintes medidas: descarte, segregação ou tratamento (durante a lactação ou secagem antecipada).

Considerações finais

O principal fator que afeta a CCS é a ocorrência de uma IIM. A definição de um limite de CCS para estimar a ocorrência de uma IIM em uma vaca depende de diversos fatores como a prevalência da mastite no rebanho, o estágio de lactação e qual a finalidade dessa informação. Ainda que o limite de 200.000 cel/ml seja reconhecidamente utilizado na grande maioria das situações, o uso de um valor único de CCS para tomada de decisões em um rebanho leiteiro pode levar erros de interpretação.

Referências bibliográficas

SANTOS, M. V. O uso da CCS em diferentes países In: Mesquita, A.J. Durr, J.W., Coelho, K.O. Perspectivas e avanços da qualidade do leite no Brasil. Goiânia: Editora Talento, p. 181-197, 2006.
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Material escrito por:

Marcos Veiga Santos

Marcos Veiga Santos

Professor Associado da FMVZ-USP Qualileite/FMVZ-USP Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225 Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP Pirassununga-SP 13635-900 19 3565 4260

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Fernando Cerêsa Neto
FERNANDO CERÊSA NETO

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/01/2007

Professor Marcos, parabéns pelos artigos. Se possível, gostaria de sua explicação para cada um dos itens que podem contribuir para aumento da CCST, a saber:

a) Tipo de Ordenha, no meu caso mecânica canalizada;
b) Idade do rebanho (qto mais erado é mais suscetível?);
c) Local de ordenha, no meu caso em barracão concretado, com fosso;
d) fornecimento de alimento durante a ordenha (no meu caso isto é positivo).

Tenho resultados quinzenais de amostras do tanque, cuja CCS permanece numa faixa de 450/550 mil cel/ml e que não consigo baixar. O plantel em lactação varia de 120 a 130 animais, com média de 3 lactação/animal.

Obrigado.
Fernando Cerêsa Neto

<b>Resposta do autor:</b>

Prezado Fernando,

Segue abaixo as repostas para a suas questões:

a)Tipo de Ordenha, no meu caso mecânica canalizada: desde que o equipamento de ordenha esteja funcionando adequadamente (seja feita a manutenção técnica por empresa especializada) e que o seu uso seja adequado (evitar a sobre ordenha, boa estimulação dos tetos antes da ordenha para a descida do leite, desligar o vácuo antes da retirada das teteiras) o equipamento não causa mastite.

b)Idade do rebanho (qto mais erado é mais suscetível?): vacas mais velhas e em estágio de lactação mais avançado têm maior risco de mastite porque são ordenhadas mais vezes e têm uma resposta imune menor. Nesse caso, mesmo vacas velhas, mas sadias, apresentam CCS abaixo de 200,000 cel/ml.

c) Local de ordenha, no meu caso em barracão concretado, com fosso; não há nenhuma relação direta.

d) fornecimento de alimento durante a ordenha (no meu caso isto é positivo): nenhuma relação direta.

Nesse caso, deve-se fazer a CCS ou CMT de todas as vacas para identificar quais as vacas estão com CCS alta e identificar o agente causador, para saber se contagiosa ou ambiental. A partir de entao, pode-se empregar medidas mais específicas para esses agentes.

Atenciosamente,
Marcos Veiga
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