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Novos conceitos sobre o uso de vacinas contra mastite causada por Staphylococcus aureus em vacas leiteiras - Parte 1/2*

POR MARCOS VEIGA SANTOS

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 24/04/2002

4 MIN DE LEITURA

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Vacinação como ferramenta para prevenção

Os programas de controle de mastite são, em grande parte, caracterizados pela aplicação de um conjunto de medidas preventivas objetivando tanto a redução das novas infecções, quanto a diminuição das infecções existentes no rebanho, através de medidas de manejo. No entanto, o uso de estratégias que aumentam a resistência natural da vaca contra infecções é, atualmente, muito estudado. Estes mecanismos de defesa do úbere contra microrganismos causadores de mastite podem ser de dois tipos: os de origem celular, como os leucócitos (linfócitos, neutrófilos e macrófagos) e os de origem humoral, como os anticorpos.

Vale ressaltar que a resposta imune da vaca contra infecções é inicialmente feita através de mecanismos de defesa inespecíficos, como a barreira física do esfíncter e pelas células do sistema imune presentes na glândula mamária, assim como outros fatores solúveis. Esta imunidade inespecífica atua nos estágios iniciais da infecção, enquanto os mecanismos específicos são ativados se a infecção não apresenta solução.

A resposta imune específica, também conhecida como imunidade adquirida, é aquela que reconhece um patógeno específico e, através de anticorpos e da ação de células do sistema imune, como linfócitos e macrófagos, atua de forma coordenada na tentativa de eliminar o agente causador da mastite.

A vacinação é uma das maneiras mais eficientes de aumentar a capacidade de resposta imune da vaca contra um agente patogênico. Desta forma, os programas de vacinação são desenvolvidos para potencializar a capacidade de resposta imune da vaca contra um agente em particular. Para as vacinas contra mastite, isto pode ser obtido pela migração rápida de neutrófilos para o local da infecção e a estimulação da produção de anticorpos específicos pelos linfócitos, objetivando inibir o crescimento bacteriano e a produção de toxinas. Devemos destacar, portanto, que as vacinas contra mastite devem ser desenvolvidas contra um agente específico, tendo como objetivo a prevenção e não o tratamento da mastite.

Para que a utilização de vacinas contra mastite tenha sucesso, é esperado que o seu uso nos rebanhos leiteiros possa atingir pelo menos um dos seguintes objetivos:

- Prevenir o aparecimento de novas infecções intramamárias causadas por um agente específico;

- Reduzir a severidade e freqüência dos sintomas que ocorrem nos casos clínicos;

- Eliminar as infecções crônicas existentes no rebanho.

Por que o Staphylococcus aureus é de difícil controle ?

O S. Aureus pode ser considerado como o principal agente das mastites contagiosas, sendo transmitido principalmente no momento da ordenha e apresentando alta prevalência entre os rebanhos. Este microrganismo é uma bactéria Gram-positiva, sendo, geralmente, encontrado colonizando o canal do teto, o interior da glândula mamária ou a pele do teto, especialmente quando esta se encontra lesada. A transmissão ocorre principalmente através de fômites, tais como as mãos do ordenhador e panos/esponjas de uso múltiplo. Uma vez instalado no interior da glândula mamária, este agente tem a propriedade de fixar-se às células epiteliais e estabelecer uma infecção através de múltiplos mecanismos patogênicos, tais como a produção de toxinas. Isto pode resultar em necrose do estroma e parênquima mamário, estabelecendo-se, nesse local, um foco de infecção. Tal necrose resulta em perda de função secretora e conseqüente redução significativa da produção de leite.

As infecções causadas por S. Aureus apresentam-se tipicamente na forma subclínica, podendo, entretanto, ocasionar casos clínicos eventuais. No entanto, podem ocorrer, com menor freqüência, casos agudos de mastite gangrenosa, que podem levar à morte do animal.

Dentre as características que tornam este microrganismo um dos principais agentes causadores de mastite, destaca-se a sua capacidade de invasão, que permite que o mesmo se localize em partes profundas da glândula mamária. Adicionalmente, ocorre formação de tecido fibroso no foco da infecção, formando "bolsões" de bactérias que impedem o acesso dos antibióticos ao sítio da infecção. Isso resulta na capacidade do S. Aureus causar infecções de longa duração, com tendência a cronificação e baixa taxa de cura, tanto espontânea quanto com a utilização de antibióticos. Em resumo, este patógeno apresenta grande dificuldade de controle devido a:

- Dificuldade de identificar os animais infectados;

- Existência de múltiplos reservatórios do agente: animais infectados, mãos dos ordenhadores, lesões nos tetos;

- Resistência do microrganismo à maioria dos antibióticos disponíveis;

Vacinação contra mastite causada por Staphylococcus aureus

Diversas tentativas de desenvolvimento de vacinas contra S. Aureus têm sido feitas, em função da importância deste agente. Os primeiros estudos, porém, não obtiveram sucesso pois utilizaram bacterinas derivadas do crescimento in vitro deste agentes, sendo em seguida inativadas. Os resultados obtidos do uso destas vacinas apontavam como vantagens a redução da severidade dos sintomas e apresentam efeitos positivos no aumento da taxa de cura espontânea, mas não houve redução do número de novas infecções.

À medida que novos conhecimentos foram gerados e um maior número de fatores de virulência do S. Aureus foi identificado, novas formulações foram sendo desenvolvidas. Os principais antígenos com capacidade antigênica que podem ser utilizados em vacinas contra S. Aureus são: Proteína A da parede celular, adesinas presentes na parede celular e a pseudocápsula extracelular composta por polissacarídeos antifagocíticos.

Diversos estudos com vacinas compostas por antígenos de Proteína A e adesinas demonstraram que os animais vacinados eram mais capazes de eliminar S. Aureus, assim como reduzir os sintomas clínicos e a contagem de células somáticas (CCS). No entanto, o polissacarídeo da pseudocápsula extracelular parece ser, atualmente, o antígeno mais promissor quanto ao desenvolvimento de vacinas contra S. Aureus, podendo, desta forma, compor uma importante ferramenta no controle da mastite causada por S. Aureus. Na segunda parte deste artigo apresentaremos os principais resultados de pesquisa obtidos com o uso de vacinas contra mastite causada por S. Aureus.

* Texto originalmente publicado na Revista Balde Branco, v.446, 2001.

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

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