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Mastite subclínica reduz a produção de leite e o retorno econômico

POR MARCOS VEIGA SANTOS

E JULIANO LEONEL GONÇALVES

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 28/06/2017

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Juliano L. Gonçalves*
Marcos Veiga


A mastite subclínica afeta de 20 a 50% das vacas leiteiras e é considerada a forma mais frequente de mastite. A maioria dos casos de mastite é de origem bacteriana, o que representa mais de 90% de todos os diagnósticos. As infecções bacterianas causam danos ao tecido epitelial secretor de leite e podem afetar permanentemente a produção e composição do leite. Desta forma, as perdas econômicas causadas pela mastite subclínica são consequência direta redução de produção de leite, perdas de qualidade e demais custos (tratamentos, descarte da vaca, custos de prevenção e diagnóstico).

Para quantificar os prejuízos causados por grupos específicos de bactérias causadoras de mastite (contagiosas e ambientais) sobre a produção e a composição do leite de quartos, foi concluído recentemente um estudo pela equipe do Qualileite FMVZ/USP. Foi avaliado o efeito da mastite subclínica, causada por diferentes tipos de patógenos, sobre a CCS e produção de leite de quartos mamários contralaterais (sadios e infectados) e sobre o retorno econômico (produção de leite do quarto mamário × preço do leite), por meio de estimativas de um programa de pagamento por qualidade do leite.

Para realizar o estudo, foram avaliadas 650 vacas em lactação (etapa 1), de sete rebanhos leiteiros, durante 3 semanas consecutivas, para identificar vacas com mastite subclínica. Na etapa 1, as vacas foram consideradas infectadas quando apresentaram pelo menos 2 resultados de CCS > 200×103 células/mL e cultura bacteriológica positiva, na terceira semana de coleta. As vacas infectadas foram avaliadas por quarto mamário na segunda etapa de coleta (15 dias após a primeira etapa), sendo mensurada a produção, a CCS e a composição do leite (146 vacas, 584 quartos), além de coleta asséptica para cultura.

Considerando a correção do preço do leite dos últimos 20 anos, o preço médio do leite brasileiro foi estabelecido em US$ 0,31/L (R$ 0,94/L). Após estes cálculos preliminares, estimou-se o pagamento da qualidade do leite usando um programa de uma empresa de laticínios comercial. As concentrações de gordura e proteína do leite e CCS em nível de quartos foram consideradas para calcular faixas de bonificação e neutralidade. Nenhuma bonificação (<400×103células/ml) ou penalização (>500×103células/mL) por qualidade foi aplicada quando a CCS do leite variou entre 401 e 500×103células/mL. O retorno econômico foi determinado pela produção de leite do quarto mamário × preço final do leite.

Considerando todos os quartos mamários avaliados (n = 584), 375 (64,2%) foram cultura-negativa e os isolados bacterianos mais frequentes foram Corynebacterium spp. (7,9%), Staphylococcus cagulase-negativa (5,8%), Staphylococcus aureus (5,3%), Streptococcus uberis (4,6%), Streptococcus agalactiae (3,9%), outros Streptococcus spp. (2,4%), Gram-negativos (2,4%), Enterococcus spp. (1,4%) e Streptococcus dysgalactiae (0,7%). Quartos mamários sadios (124 pares) apresentaram menor média geométrica de CCS (153×103 células/mL) do que quartos contralaterais infectados (337×103 células/mL ). 

A CCS e a produção de leite de quartos mamários infectados por patógenos ambientais foram comparadas com quartos contralaterais sadios. Quartos sadios apresentaram menor média geométrica da CCS (207,2×103 células/mL) do que quartos contralaterais infectados por patógenos ambientais (1.278,7×103 células/mL). Os quartos sadios apresentaram maior produção de leite (3,64 L/quarto.ordenha) quando comparado com quartos contralaterais infectados por patógenos ambientais (3,08 L/ quarto.ordenha).

De forma similar, os quartos sadios apresentaram menor média geométrica da CCS (250,9×103 células/mL) do que quartos contralaterais infectados por patógenos contagiosos (1.623,4×103 células/mL). Desta forma, quartos sadios produziram em média 0,73 L/quarto.ordenha a mais do que quartos contralaterais infectados.

Dentre os patógenos isolados causadores de mastite subclínica (n = 15), as perdas na produção de leite variaram de 0,07 Kg/quarto.ordenha (quartos infectados por Corynebacterium spp.) até 2,9 Kg/quarto.ordenha, (Escherichia coli, Figura 1). 

Figura 1. Perdas de produção de leite em nível de quartos mamários por patógeno causador de mastite subclínica. *Resultados significativos (P<0.05). ** Resultados que apresentaram tendência (P<0.1).



As perdas econômicas variaram de US$ 0,02 a 0,98/quarto ordenha, sendo maior nos casos de mastite subclínica causados por Enterococcus spp. (US$ 0,43/quarto.ordenha), Streptococcus dysgalactiae (US$ 0,74/quarto.ordenha) e Escherichia coli (US$ 0,98/ quarto.ordenha). Staphylococcus aureus resultou em perdas econômicas de US$ 0,26/quarto.ordenha (Figura 2).

Figura 2. Perdas econômicas em nível de quartos mamários por patógeno causador de mastite subclínica. *Resultados significativos (P<0.05). ** Resultados que apresentaram tendência (P<0.1).




Em termos gerais, a perda econômica foi menor em quartos mamários com mastite subclínica causada por patógenos ambientais (US$ 0,18/ quarto.ordenha) quando comparado com a perda ocasionada por patógenos contagiosos (US$ 0,22/ quarto.ordenha).

Os resultados do estudo indicam que quartos mamários com mastite subclínica causada por patógenos contagiosos e ambientais aumentaram a CCS; e consequentemente, diminuíram a produção de leite e o retorno econômico quando comparado com os quartos contralaterais sadios. 
 
 
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Fonte:

GONÇALVES, J. L. Impacto da mastite subclínica sobre a produção de leite e retorno econômico de vacas leiteiras. 2017. 149 f. Tese (Doutorado em Ciências) - Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2017.

*Juliano L. Gonçalves é pós-doutorando do Departamento de Nutrição e Produção Animal da FMVZ/USP e pesquisador do Laboratório Qualileite-FMVZ/USP.

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

JULIANO LEONEL GONÇALVES

Juliano Leonel Gonçalves graduou-se em Medicina Veterinária pela Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC; concluiu o mestrado e está cursando doutorado na USP. Atualmente, está como pesquisador visitante da Wageningen University, Holanda.

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THYAGO AUGUSTO

EM 30/08/2017

Bom dia.
Hoje falamos muito na produção orgânica não só do leite mas também na produção de carnes.
Um resultado interessante tem trazido para dentro da minha empresa foi a homeopatia. Não falando de uma marca em especifico mas o resultado dela, quando bem usada (longe da mão de picaretas), reduzem bem o custo com a utilização de antibióticos. Percebo que o resultado junto com manejo e organização dos animais na linha de ordenha e higiene, trazem um resultado excelente.
Essa é minha opinião a respeito e acredito que o objetivo da produção siga para o caminho "orgânico".

Bons negocios a todos!
Excelente seu post!
SANDRA CAMPERA BASSO

SÃO PAULO - SÃO PAULO - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 03/07/2017

Controle e Prevenção

Não existe atualmente uma vacina comercial para o controle da "varíola bovina". Após a infecção com o vírus vaccínia e o da varíola bovina, os animais desenvolvem imunidade duradoura. No entanto, o vírus da pseudovaríola parece ser menos imunogênico, e reinfecções podem ocorrer após alguns meses. Infecção prévia com o vírus vaccínia ou da varíola parece não proteger os animais da pseudovaríola (Kahrs, 2001).

Entre as medidas de controle que devem ser adotadas, destaca-se a separação dos animais doentes, linha de ordenha e higiene da ordenha. Iodo glicerinado deve ser utilizado nas lesões, que devem ser mantidas sempre limpas. O uso de luvas de borracha antiderrapante deve ser incentivado. A desinfecção das mãos do ordenhador entre vacas ordenhadas deve ser feita, podendo-se utilizar a "técnica dos três baldes", que consiste em lavar as mãos no primeiro balde contendo água, passar as mãos no segundo balde contendo uma solução de água sanitária diluída (1 litro de água sanitária para três litros de água limpa) e, finalmente, enxaguar as mãos no último balde, contendo água limpa.

A solução de água sanitária deve ser freqüentemente trocada, pois a presença de matéria orgânica e a evaporação do cloro ativo podem diminuir a eficiência do produto para desinfecção. A introdução de animais no rebanho deve ser acompanhada por uma rigorosa inspeção nas tetas dos animais, buscando lesões compatíveis com a doença. (Lobato et al., 2005)

Deve-se tentar minimizar os traumatismos nas tetas, pois eles funcionam como solução de continuidade para infecção viral e podem aumentar durante a época da seca, se a pele estiver ressecada. Depois que a doença já se espalhou no rebanho pode-se apenas minimizar as infecções secundárias e dar tratamento de suporte aos animais.
JOEDISON OLIVEIRA

FILADÉLFIA - BAHIA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 30/06/2017

Boa noite qual e o tratamento para pseudovaríola