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Limpeza e Desinfecção de Equipamentos de Ordenha e Tanques - Parte 3

POR MARCOS VEIGA SANTOS

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 19/03/2004

7 MIN DE LEITURA

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Ciclos de limpeza por circulação

A limpeza deve começar imediatamente após a ordenha, enquanto as tubulações estão mornas e não ocorreu formação de depósito de resíduos. Deve-se desconectar a tubulação de leite do tanque resfriador e deixar drenar todo resíduo de leite da unidade final e bomba de leite. Recomenda-se a limpeza manual externa das unidades finais e mangueiras, antes de acoplar as unidades de ordenha na linha de limpeza, fechando o circuito por onde as soluções de limpeza serão circuladas, a partir do tanque de limpeza.

a) Enxágüe inicial: O enxágüe com água morna (38 - 55oC) tem como objetivo remover os resíduos de leite grosseiros e que são facilmente solúveis em água. Recomenda-se não recircular este enxágüe e descartar a água após a passagem pelo equipamento. A temperatura não deve ser inferior ao limite de 35oC, pois abaixo ocorre a solidificação da gordura, e acima de 53oC ocorre desnaturação de proteínas. Adicionalmente, o uso de água morna no enxágüe causa leve aquecimento das tubulações e auxilia na manutenção da temperatura dos próximos ciclos.

Alternativamente, pode-se realizar enxágüe entre os ciclos de detergente alcalino e ácido, para remover resíduos químicos que podem ser incompatíveis.

O enxágüe deve remover entre 90 e 95% de todos os resíduos de leite após a ordenha. Como nesta etapa não há gasto de detergentes deve-se procurar fazê-la com a máxima eficácia, o que facilita as próximas etapas.

b) Limpeza com detergente alcalino clorado: o objetivo principal desta etapa é a remoção da gordura e proteína após o enxágüe inicial. O detergente reduz a tensão superficial da água, o que facilita a penetração da água nos resíduos aderidos. A faixa de temperatura ideal é de 43 a 77oC, sendo que a eficácia do detergente aumenta com o aumento da temperatura da água e diminui com o aumento da dureza.

A alcalinidade da solução para circulação é de 250 a 500 ppm de alcalinidade (expressos como Na2O) para ordenhadeiras e 400 ppm para tanques resfriadores. O conteúdo de compostos clorados varia de 75 a 200 ppm de NaOCl (hipoclorito de sódio) para equipamentos de ordenha e de 100 a 200 ppm de NaOCl para tanques.

Uma das grandes deficiências das fazendas leiteiras é a falta de um bom suprimento de água quente para esta etapa e o monitoramento para saber se a temperatura adequada está sendo alcançada.

c) Limpeza com detergente ácido: este ciclo de limpeza é usado para remover os depósitos minerais de origem da água e do leite. A água pode ser fria ou levemente aquecida (35 - 43oC). A freqüência de utilização depende da qualidade da água (dureza) usada para limpeza, sendo normalmente recomendada pelo menos duas vezes por semana. A solução detergente ácida deve apresentar pH menor ou igual a 3,5 para uma ação efetiva, diminuindo a capacidade de multiplicação microbiana e facilitando a ação do sanitizante.

d) Desinfecção ou sanitização: a desinfecção é uma etapa importante da limpeza visando reduzir a contaminação bacteriana. Os sanitizantes são aplicados por circulação após as etapas de limpeza para eliminar microorganismos que sobreviveram e que podem se multiplicar. Os depósitos de resíduos e filmes aderidos as superfícies impedem a ação dos sanitizantes, protegendo os microorganismos de sua ação.

De forma geral, os compostos a base de cloro são os mais utilizados, pois são de amplo espectro de ação e de boa eficácia. Após o preparo da solução desinfetante, a solução deve apresentar de 100 a 200 ppm de cloro disponível. Os produtos mais usados são os hipocloritos de cálcio (CaOCl) e de sódio (NaOCl).

Os compostos clorados, no entanto, são inativados pela matéria orgânica e podem sofrer volatilização durante a estocagem inadequada, durante as diluições ou se forem submetidos a altas temperaturas. A volatilização causa perda da eficácia dos produtos clorados. A formação de gases de cloro ocorre quando produtos clorados são misturados com ácidos. Estes gases são nocivos à saúde, caso sejam inalados.

A desinfecção com produtos a base de cloro pode ser realizada antes da ordenha para eliminar os microorganismos que sobrevivem no período entre ordenhas.

Limpeza e desinfecção de sistemas latão ao pé:

a) Enxágüe: após o final da ordenha deve ser feito o enxágüe de cada unidade de ordenha com água morna (38 - 43oC) pela passagem de água através da teteira com a unidade em funcionamento. Após o enxágüe, desligar o vácuo e enxaguar as demais superfícies.

b) Limpeza com detergente alcalino: deve-se desmontar todos os componentes que entram em contato com o leite e fazer a imersão em solução detergente alcalina em concentração adequada, com temperatura entre 52 e 54oC. Com o uso de escova apropriada deve-se esfregar todos os componentes para remover os resíduos orgânicos.

As teteiras e demais componentes de borracha devem ser lavados como descrito anteriormente. As mangueiras de vácuo também devem ser lavadas da mesma forma que os demais componentes.

c) Limpeza com detergente ácido: conforme descrito anteriormente para sistemas CIP, recomenda-se periodicamente a limpeza dos componentes com solução detergente ácida para remover resíduos minerais.


Após o final da limpeza, todos os componentes devem ser colocados em local apropriado para drenagem e secagem, Recomenda-se pendurar os vários componentes invertidos, de forma a facilitar a drenagem.

d) Limpeza automática da unidade de ordenha: Vários tipos de limpeza automática de unidades de ordenha são disponíveis para sistemas de latão ao pé. Este componente promove a circulação das soluções de limpeza no interior da unidade de ordenha, mas não elimina a limpeza manual externa e dos locais de mais difícil acesso.

Antes da ordenha recomenda-se a passagem de solução desinfetante como no procedimento de enxágüe.

Limpeza manual do tanque de expansão:

Da mesma forma que o equipamento de ordenha, o tanque de expansão pode ser local de acúmulo de resíduos de leite, sendo a sua limpeza feita pelo manualmente ou por circulação (CIP).

Enxágüe: após o esvaziamento do tanque, deve-se enxaguar a superfícies com água morna (38-43oC).

Limpeza com detergente: deve-se preparar cerca de 5-10 litros de solução de detergente alcalino clorado a 49-54oC, de acordo com recomendação do fabricante e esfregar todas as superfícies com escova apropriada, especialmente a pá do agitador e a saída do leite. Recomenda-se a desmontagem da torneira de saída para uma completa limpeza dos vários componentes.

Enxágüe e sanitização: após a limpeza com detergente alcalino pode-se utilizar uma solução de detergente ácido para reduzir a formação de pedra do leite. Antes da próxima utilização do tanque, é importante utilizar uma solução desinfetante a base de cloro para reduzir a contaminação, tomando-se o cuidado para drenar completamente todo o conteúdo do desinfetante.

Problemas mais comuns observados na limpeza de equipamentos de ordenha:

    1. Enxágüe com água fria resulta em solidificação da gordura e maior dificuldade para a etapa de limpeza com detergente alcalino;
    2. Falta de suprimento adequado de água quente para limpeza alcalina ou água com temperatura inferior a recomendada;
    3. Volume insuficiente de água que não permite que todas as superfícies tenham contato com as soluções de limpeza;
    4. Velocidade ou turbulência é insuficiente e não promove o contato das soluções com as tubulações. Neste caso recomenda-se a instalação de um injetor de ar;
    5. Inadequada dosagem de detergentes, o que reduz a ação química e a eficácia da limpeza. No caso de sistemas automáticos deve-se monitorar as características das soluções (pH, alcalinidade) e para os sistemas de dosagem manual deve-se seguir as recomendações do fabricante, tomando-se o cuidado de usar um dosador de fácil manipulação para o responsável pela limpeza.
Monitoramento da limpeza do equipamento de ordenha

O monitoramento da eficácia da limpeza do equipamento de ordenha pode ser feito primeiramente pela análise de características da água e soluções de limpeza (pH, dureza, alcalinidade, concentração de cloro, temperatura), pela inspeção visual do equipamento e pelos vários métodos de contagem de microrganismos.

Caso estejam ocorrendo falhas na limpeza, os resíduos de leite formarão depósitos em alguns locais das tubulações do equipamento de limpeza. Estes filmes podem apresentar aparência diversa, mas podem ser divididos em filmes orgânicos (gordura e proteína) e inorgânicos (pedra do leite). A presença destes depósitos pode ser detectada pelo uso de detergentes alcalinos (retira filmes orgânicos) ou ácido (retira filmes inorgânicos) juntamente com a esfregação.

De maneira geral, o método para avaliação microbiológica mais utilizado em todo o mundo é a contagem bacteriana total (CBT), o qual avalia a contaminação total do leite produzido. Esta medida fornece uma medida geral da qualidade microbiológica do leite, mas não determina qual a fonte de contaminação principal. Elevadas CBT podem ocorrem por diversas causas: falhas na limpeza do equipamento ou do tanque, deficiência no resfriamento do leite, manejo de ordenha incorreto e presença de agentes causadores de mastite. Desta forma, quando uma fazenda apresenta problemas com alta CBT, deve-se proceder a uma avaliação de todos estes itens para identificar a causa e a provável correção.

Referências consultadas

Reinemann, D.J.; Wolters, G.M.V.H.; Billon, P.; Lind, O.; Rasmussen, M.D. Review of practices for cleaning and sanitation of milking machines. Bulletin of the International Dairy Federation. No.381, p.4-18; 2003.

Northeast Dairy Practices Council - The cleaning and sanitizing taks force. Fundamentals of cleaning and sanitizing farm milk handling equipment. NDPC 9, Syracuse, NY, 1991.

Northeast Dairy Practices Council - The cleaning and sanitizing and the farm buildings ad equipment taks force. Guidelines for cleaning ans anitizing of milking machines and farm milk tanks. NDPC 4, Syracuse, NY, 1990.

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

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ROMMEL JACINTHO DA SILVA

QUIRINÓPOLIS - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 07/01/2020

Exelente informações sobre limpeza de ordenha
PAULA RIBEIRO

EM 10/10/2019

Esse desinfetante mata a proteína do leite de vaca?
MARCILENE NUNES MARTINS

CONCEIÇÃO DO MATO DENTRO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 21/08/2019

Para fazer a limpeza utilizo os seguintes produtos: A-500 Premium/Oxiclean 5/S-100
Gostaria de saber se após a limpeza, esta água pode ser liberada em uma represa com peixes, que fica ao lado do curral. Ou se mataria os peixes devido a composição dos remédios.
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 27/08/2019

Prezada Marcilene, sugiro que entre em contato com a empresa para responder a sua pergunta, que é específica para este produto. Atenciosamente, Marcos Veiga
IVAN

SAUDADE DO IGUAÇU - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 12/05/2019

Lembrando que um dos grandes problemas com relação a limpeza alcalina em sistemas de ordenha é a temperatura da água no final do processo de lavagem, a qual nunca deve ser inferior aos 43 ºC( para não haver floculação da gordura e aderência).
GABRYELA

BURITIS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 07/01/2019

Boa tarde.
Gostaria da ajuda de vocês, estou na duvida em relação a higienização do tanque de expansão do caminhão.
O mesmo pode ser higienizado manualmente ou somente pelo sistema CIP.
NEILOR

LARANJEIRAS DO SUL - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 09/08/2018

Precisamos melhorar a qualidade dos equipamentos, teteiras e mangueiras, devido ao desgaste quando da lavagem...
RIGOBERTO GERALDO DE DEUS ALMEIDA

ARCOS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 04/05/2017

Sou Químico já faço produtos de limpeza e quero fabricar o detergente para limpeza de ordenhas  ácido e alcalino.
JUSSARA BORGRS

BELA VISTA DE GOIÁS - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/02/2017

Não  sei mais o que fazer para  manter as mangueiras que liga o vácuo  limpas, elas agora deu para ficar com manchas  rosas
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 03/01/2017

Theresse, quando as proteínas se desnaturam podem se aderir nas superfícies e tornar a limpeza mais difícil, atenciosamente, Marcos Veiga
THERESSE

SEROPEDICA - RIO DE JANEIRO - PESQUISA/ENSINO

EM 28/11/2016

Qual seria o problema de desnaturar as proteínas acima de 53 graus no enxague?
PAULO EMILIO DE FIGUEIREDO OLIVEIRA

SÃO JOÃO EVANGELISTA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 03/04/2009

Otimo artigo, de muita importancia para controlar o gargalo da produção.
Prof. Paulo Emilio
MilkPoint AgriPoint