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Estratégia de comunicação afeta sucesso no controle da mastite

POR MARCOS VEIGA SANTOS

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 28/07/2010

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Os programas de capacitação e treinamento para controle de mastite têm sido muito usados para promover a prevenção da doença em rebanhos leiteiros. Grande parte dos esforços para o controle da mastite tem sido aplicada no desenvolvimento de materiais educacionais (cartilhas, folhetos, cartazes, checklists, protocolos de tratamento), treinamentos, demonstrações, dias de campo e palestras de especialistas com base no que há de mais atual e cientificamente comprovado.

No entanto, quando nos deparamos com a realidade, os resultados destes programas de treinamento e capacitação estão abaixo das expectativas, uma vez que temos atualmente, em média, cerca de 30-40% de vacas com mastite subclínica nos rebanhos brasileiro. Tal situação é similar aos estudos feitos na década de 1980 e 90. Desta forma, para que estas medidas de controle surtam efeito é necessário, além de embasamento científico, que os produtores efetivamente as coloquem em prática. Ou seja, além da real eficiência de uma prática de manejo, é necessário motivação por parte do produtor para que seja aplicada.

Simplificadamente, os estudos indicam que existam duas formas básicas de comunicação quando se busca uma mudança de comportamento (neste caso podemos entender esta mudança como adoção de uma medida de controle de mastite por parte do produtor). A primeira forma é direta e pode ser chamada de tradicional, pois é baseada na premissa de que os produtores tomam decisões racionais e levam em consideração o embasamento científico de uma determinada medida de manejo. A segunda forma é indireta e conhecida também como periférica, já que leva em conta as dicas, palpites e a experiência pessoal de produtores e técnicos para a solução de problemas, mesmo que não tendo uma comprovação científica. Este segundo método busca a mudança de comportamento dos produtores, de forma inconsciente e sem vincular o uso de uma medida com a sua eficácia.

Conforme destacado, muitos programas de treinamento e capacitação buscam os resultados pelo primeiro caminho, mas os resultados têm sido limitados. Isso ocorre porque para que o produtor tome decisões baseadas em argumentos científicos ou racionais, é necessário também que ele esteja motivado para isso. Sendo assim, quando o produtor não está motivado para aplicação de medidas comprovadas cientificamente, pode-se usar a segunda estratégia, que leva em consideração as dicas de técnicos ("se o veterinário indicou este procedimento é porque deve funcionar") ou de outros produtores ("se quase todos os produtores estão usado é porque funciona mesmo").

Recentemente, um excelente estudo desenvolvido na Holanda avaliou estas duas estratégias de comunicação com produtores na aplicação de um programa nacional de controle de mastite, iniciado em 2005. Este programa foi desenvolvido utilizando estratégias de comunicação tradicional (materiais educacionais, cartazes, protocolos de tratamento, programas de estimativa de perdas ocasionadas pela mastite, visitas técnicas, encontros, com embasamento técnico e científico das recomendações) e periférica (o objetivo foi a adoção do uso de luvas durante a ordenha, por meio de campanhas de distribuição de amostras grátis e descontos).

Os resultados indicaram que dentro de um grupo de 374 produtores avaliados, a maioria deles estava interessada em melhorar a saúde do úbere usando as medidas do programa educacional tradicional, independentemente da situação da mastite no rebanho, pois eram produtores que foram motivados para esse programa. Segundo o estudo, isto comprova que a estratégia de comunicação tradicional é mais eficiente para os produtores que estão motivados para a melhoria no controle da mastite.

De maneira similar, a avaliação da campanha de estímulo ao uso de luvas, que foi baseada somente na estratégia de comunicação indireta, mostrou que houve aumento, entre o início e o final da campanha, de 21 para 42% dos produtores que usavam luvas. A opinião favorável dos produtores avaliados sobre o uso das luvas também aumentou. Esses dados indicam que para determinadas medidas específicas, o uso de estratégias indiretas de comunicação para programas de saúde do úbere podem resultar em mudança positiva de comportamento dos produtores. Na condição que o estudo foi feito, ambos os métodos apresentaram potencial de sucesso, contudo, para ampliação do número de produtores atingidos e aumentar a chance de sucesso, a combinação dos dois tipos de estratégia seria o mais recomendável.

Uma questão fundamental deste estudo é a necessidade de uma motivação prévia dos produtores para a melhoria do controle de mastite. Ou seja, mesmo com um programa de treinamento baseado em medidas de comprovada eficácia, o sucesso depende em grande parte da motivação do produtor aplicar estas medidas. Uma das formas de motivação mais usadas nos países de pecuária desenvolvida é o uso de programas de bonificação/penalização do preço do leite em função da CCS.

Em outras palavras, quando o produtor tem uma motivação (neste caso é econômica, mas não é a única), os programas de treinamento técnico têm mais chance de surtir efeito. Podemos esperar, do mesmo modo, que quando os produtores não têm motivação externa ou desconhecem os prejuízos que estão sofrendo as chances de sucesso de programas tradicionais de treinamento e capacitação são menores. Da mesma forma, não podemos ignorar a eficácia de estratégias de comunicação que não tem embasamento científico, as quais podem ser usadas para aumentar a adoção de uma prática específica de controle.

Fonte:

Jansen et al. J. Dairy Sci. 93 :604-612, 2010.

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

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CLAUDIA BINDER SERVAES

FLORIANÓPOLIS - SANTA CATARINA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 28/07/2010

Marcos, boa tarde
Creio que antes de mais nada o produtor precisa reconhecer que tem a mastite. Isto muitas vezes não é a realidade que encontramos, de forma que qualquer sugestao ara conrole da doença passa desapecibida, pois o produtor não se sente afetado pela doença. Um ponto a ser enfatizado, é que estar com CCS dentro das exigencias legais não significa que os animais estão saudaveis e sem mastite. O estimulo poderia vir da gestão do custo da mastite e não necessariamente pelo incentivo de remuneração. Um trabalho de conscientização sobre as perdas reais relacionadas a mastite, por exemplo, em relação a quantidade de leite produtizido, perda de tetos, custo de tratamentos e leite descartado precisa ser consistente ao longo de toda cadeia produtiva - de forma que também as industrias passariam a valorizar um leite com maior tempo de prateleira, ou queijo de maior rendimento.