FAZER LOGIN COM O FACEBOOK ESQUECI MINHA SENHA SOU UM NOVO USUÁRIO

Dez estratégias básicas para o controle da mastite - Parte 1

POR MARCOS VEIGA SANTOS

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 01/06/2005

2
0
Classicamente, os agentes causadores de mastite podem ser divididos em dois grupos: os contagiosos e os ambientais. A bactéria Escherichia coli é um dos exemplos mais importantes de agente ambiental, visto que o seu reservatório principal é o ambiente em que a vaca vive. No outro extremo, o Staphylococcus aureus e Streptococcus agalactiae são reconhecidos com os mais importantes agentes contagiosos da mastite. Atualmente, temos disponível um conjunto de medidas que podem ser implantadas em qualquer rebanho leiteiro com objetivo de controlar a mastite. Estas recomendações foram baseadas em inúmeros trabalhos de pesquisa e são estratégias de referência do Conselho Nacional de Mastite dos EUA.

Estabelecer os objetivos para a saúde da glândula mamária

É necessário definir metas realistas para a CCS (contagem de células somática) do tanque e das vacas individualmente, e para a taxa de mastite clínica. Ao se iniciar um programa de controle de mastite é importante primeiramente analisar a situação do rebanho. Entre os vários critérios de avaliação podemos utilizar: a CCS do tanque, a porcentagem de vacas com alta CCS (mastite subclínica), ocorrência de mastite clínica e distribuição dos agentes causadores de mastite.

Tabela 1 - Metas para a saúde da glândula mamária de rebanhos leiteiros


Proporcionar um ambiente limpo e confortável

O ambiente que as vacas ficam alojadas deve ser adequado em termos de tamanho e design de baias, quando o rebanho for confinado. É fundamental a manutenção de baias limpas, secas e confortáveis, com especial destaque para o manejo das camas. Além disso, as áreas de descanso das vacas e locais de parição devem ser prioritariamente manejadas para evitar que o ambiente seja uma fonte de risco de novas infecções intramamárias.

O manejo de ordenha é fundamental para o controle de mastite

O manejo de ordenha adequado é aquele que proporciona uma ordenha eficiente, rápida, que não seja risco de novas infecções e que produza leite de alta qualidade. Não existe uma seqüência única de procedimentos para a ordenha, no entanto, devem ser aplicados em todos os rebanhos os princípios de uma ordenha eficiente: tetos limpos e secos. Entre os procedimentos principais, destacamos: realização do teste da caneca de fundo preto para diagnóstico da mastite clínica; desinfecção dos tetos antes de ordenha, secagem com papel toalha descartável e colocação de unidades de ordenha. Após o término do fluxo de leite, deve-se desligar o vácuo antes e retirar as unidades de ordenha e realizar a desinfecção dos tetos após a ordenha. Recomenda-se cobrir toda a superfície dos tetos com a solução desinfetante, cuja função é reduzir as novas infecções causadas por microrganismos contagiosos. Quando necessário, deve-se ordenhar as vacas com mastite por último.

Adequada manutenção e uso do equipamento de ordenha

O equipamento de ordenha deve sofrer uma manutenção e checagem periódica (pelo menos a cada 6 meses) para garantir a saúde da glândula mamária. É importante também garantir que o equipamento encontra-se dimensionado de forma correta e que as partes de borracha, em particular das teteiras, sejam trocadas de acordo com a recomendação do fabricante. Para garantir uma alta qualidade do leite, recomenda-se a lavagem e desinfecção imediatamente após a ordenha.


MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

2

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

ALAMIR BORGES STEPHAN FILHO

CUIABÁ - MATO GROSSO - ESTUDANTE

EM 07/10/2009

Gostaria de saber mais sobre o manejo com as vacas com mastite sub-clinica, se deve ser tratada com antibioticoterapia ou só fazer o manejo higienco durante a ordenha e as vacas acometidas ser ordenhadas por ultimo....obrigado.

<b>Resposta do autor:</b>

Prezado Alamir Borges Stephan Filho,

O tratamento da mastite subclínica com antibióticos somente é recomendada em situações específicas ou quando o agente causador da mastite for a bactéria Streptococcus agalactiae. Nas demais situações, que são a grande maioria, o tratamento recomendado seria na secagem da vaca (tratamento de vaca seca). Recomenda-se ainda, quando possível, que a vaca seja ordenhada ao final da ordenha para evitar a disseminação para as demais vacas do rebanho.

Atenciosamente, Marcos Veiga
JOSE ARNALDO VIEIRA DE MORAIS

ANGATUBA - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 05/12/2005

Sou médico veterinário e produtor, estou usando homeopatia para tratamento e prevenção da mastite. Estou satisfeito com o resultado, gostaria de saber comentários técnicos a respeito.



<b>Resposta do autor:</b>



Prezado José Arnaldo,



Eu não tenho nenhuma experiência técnica com o uso de homeopatia para tratamento de mastite e não tenho conhecimento sobre trabalhos científicos nesta área. Desta forma, a minha posição é a de aguardar a conclusão de algum estudo feito por uma universidade ou instituto de pesquisa. Acredito que esta seja uma importante lacuna que as empresas que comercializam estes produtos deveriam se preocupar, pois somente a experiência (ainda que muito válida) de alguns colegas e técnicos não nos permitiria recomendar ou não o seu uso em rebanhos leiteiros.



Atenciosamente,



Marcos Veiga