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Boas práticas de produção associadas à higiene de ordenha e qualidade do leite - Parte 1

POR MARCOS VEIGA SANTOS

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 21/08/2007

6 MIN DE LEITURA

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1. Introdução

A produção de alimentos sofre constantemente reflexos da percepção dos consumidores nos mercados nacional e internacional. Nesse sentido, é crescente a demanda por alimentos de alta qualidade, seguros e livres de resíduos. Para alguns alimentos exportados, as exigências de qualidade por parte das cadeias internacionais de varejo incluem, além dos critérios usuais de composição, higiene e segurança, outros aspectos do processo produtivo, como o respeito ao ambiente, as adequadas condições de trabalho, higiene e saúde dos trabalhadores. No caso da produção animal, as atenções estão voltadas para as condições sócio-ambientais, para o bem estar animal e a sustentabilidade da atividade.

Sendo assim, além da busca de aumentos de rentabilidade e ganhos de eficiência, os sistemas de produção de leite no Brasil e no mundo têm que ter responsabilidade em relação à proteção da saúde humana e animal, e a garantia do bem estar animal e sustentabilidade ambiental. Para tanto, dentro do de conceito de cadeia de produção, é de suma importância, para a qualidade e segurança do leite oferecido aos consumidores, as práticas utilizadas durante a produção primária.

Essas práticas empregadas dentro da fazenda leiteira devem assegurar que o leite seja produzido a partir de animais saudáveis, em boas condições de higiene e dentro de condição ambiental sustentável. Tais procedimentos devem sempre enfocar a prevenção dos problemas, visto que a sua correção é, na maioria das vezes, mais cara e menos eficiente.

A demanda por alimentos seguros fez surgir diversos programas para assegurar a qualidade e segurança dos alimentos. Entre as principais ferramentas usadas pelas cadeias produtivas, destacam-se: Boas Práticas Agropecuárias (BPA), Boas Práticas de Fabricação (BPF), Procedimento Padrão de Higiene Operacional (PPHO), Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC), Programa alimento seguro (PAS), Rastreabilidade, Sistemas de Certificação e Protocolos Internacionais (ex., EurepGap).

As potenciais vantagens para os produtores que implantam esses programas são o aumento da competitividade, o oferecimento de produtos diferenciados e a maior garantia de permanência dos mercados. Para os consumidores, a principal vantagem é a garantia de alimentos seguros e de alta qualidade.

As boas práticas agropecuárias (BPA) são um conjunto de atividades desenvolvidas dentro da fazenda leiteira com objetivo de garantir a saúde, o bem estar e a segurança dos animais, do homem e do ambiente. Tais práticas estão associadas ao processamento de derivados lácteos seguros e de qualidade, à sustentabilidade ambiental e à possibilidade de agregação de valor, além de ser uma exigência dos consumidores e da legislação. As BPAs são também a base para a implantação de outros programas de garantia de segurança dos alimentos, como o APPCC (análise de perigo e pontos críticos de controle).

Durante os últimos anos, várias empresas captadoras e cooperativas em diversos países do mundo têm desenvolvido programas de qualidade, os quais têm como base a aplicação de medidas nas fazendas leiteiras para a garantia da segurança dos derivados lácteos. Esses programas buscam melhorias nas seguintes áreas dentro das fazendas leiteiras: a) saúde animal, b) higiene de ordenha, c) alimentação animal e fornecimento de água, d) bem estar animal, e) ambiente.

Adicionalmente, os programas de boas práticas de produção requerem cuidados e necessidade de registros do uso de medicamentos veterinários e defensivos agrícolas, utilização de produtos de origem animal na alimentação dos animais e identificação animal.

Figura 1. Principais componentes e objetivos das boas práticas de produção de leite.


Fonte: adaptado de Guide to good dairy farming practice. IDF/FAO, 2004)

2. Saúde animal e controle de mastite

Um dos fundamentos das boas práticas de produção de leite é garantia da sanidade dos animais e que seja implantado um programa de saúde animal. Na maioria dos países, alguns programas são oficiais e têm a gestão governamental, como as campanhas de vacinação contra febre aftosa no Brasil. As BPAs ligadas à saúde animal podem ser divididas em quatro diferentes áreas de atuação:

- Medidas preventivas para evitar a entrada de doenças na fazenda,
- Implantação de um programa de saúde de rebanho e controle de doenças,
- Uso de medicamentos veterinários com prescrição ou de acordo com a bula,
- Treinamento de mão-de-obra.

2.1. Medidas preventivas para evitar a entrada de doenças na fazenda

2.1.1 Comprar animais apenas de rebanhos com controle sanitário e controlar a introdução na fazenda: uma das portas de entrada de doenças numa fazenda leiteira é por meio da introdução de animais portadores de doenças infecciosas. Desta forma, recomenda-se não introduzir novos animais no rebanho sem um prévio controle sanitário, o que geralmente, é de difícil implantação.

Contudo, antes da entrada no rebanho, todos novos animais devem ser avaliados quanto à ocorrência de doenças infecciosas mais comuns na região. Deve-se solicitar do vendedor a comprovação de vacinações, registros de ocorrência de doenças e tratamentos. Quando as informações não são confiáveis ou mesmo inexistentes, recomenda-se colocar os novos animais em quarentena antes da introdução ao rebanho.

2.1.2 Transporte de animais e introdução de doenças na fazenda: deve-se fazer um controle de trânsito de animais de outros rebanhos dentro da fazenda. Além disso, outra preocupação é o descarte de carcaças de animais mortos, visando minimizar a transmissão de doenças.

2.2 Implantação de um programa de saúde de rebanho e controle de doenças

2.2.1 Utilizar um bom sistema de identificação individual dos animais

2.2.2 Implantar programa de controle de doenças: um bom programa de controle sanitário deve ser implantado em todos os rebanhos, visando o controle e prevenção de doenças.

2.2.3 Manter registro de todos os tratamentos e identificar os animais tratados adequadamente

2.3.4 Programa de controle de mastite

Os princípios básicos para o controle da mastite compreendem a eliminação de infecções existentes, a prevenção de novas infecções e o monitoramento da saúde da glândula mamária. O controle de mastite deve ter como meta a eliminação de infecções, reduzindo sua duração por meio de medidas como o tratamento de vaca seca, o descarte de vacas com casos crônicos e o tratamento durante a lactação.

Além disso, as medidas de um programa de controle de mastite devem enfocar a redução da taxa de novas infecções, o que pode ser obtido com o uso de medidas de higiene de ordenha (pré e pós-dipping), adequado funcionamento do sistema de ordenha, entre outras. Por fim, deve-se monitorar a saúde da glândula mamária individualmente e no rebanho para avaliar se as medidas adotadas apresentam sucesso ou não. As principais medidas de um programa de controle de mastite são:

a)Estabelecer metas realistas para a saúde da glândula mamária
b)Coleta de dados e monitoramento da saúde da glândula mamária
c)Proporcionar um ambiente limpo e confortável para os animais
d)Correto manejo de ordenha
e)Adequada manutenção e uso do equipamento de ordenha
f)Tratamento da mastite clínica durante a lactação
g)Descarte e/ou segregação de vacas com mastite crônica
h)Tratamento de vaca seca
i)Medidas de biossegurança contra a mastite contagiosa
j)Revisão periódica do programa de controle de mastite

2.3 Uso responsável de medicamentos veterinários

2.3.1 Usar medicamentos de acordo com as indicações da bula, com especial atenção para as dosagens e para o período de carência. O médico veterinário é único o profissional capacitado para fazer prescrições de medicamentos que não estejam de acordo com as indicações da bula.

2.3.2 Usar somente medicamentos registrados e respeitar o período de carência

2.3.3 Guardar os medicamentos em local seco e seguro, preferencialmente com acesso restrito apenas ao responsável pelos tratamentos.
Além disso, os medicamentos indicados para uso em vacas em lactação devem ser separados dos para vacas secas e animais não lactantes.

2.4 Treinamento de mão-de-obra

Os funcionários e pessoas envolvidas com o manejo de animais doentes devem ser treinados quanto a correta utilização e aplicação de medicamentos veterinários. Deve-se assegurar que, para a aplicação de produtos potencialmente tóxicos, sejam usados equipamentos de proteção individual.

Fonte:

SANTOS, M. V. Boas práticas de produção associadas à higiene de ordenha e qualidade do leite. In: O Brasil e a nova era do mercado do leite - Compreender para competir. Piracicaba-SP : Agripoint Ltda, 2007, v.1, p. 135-154.

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

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LÍVIA FERMINO

POÇOS DE CALDAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 30/06/2008

Dr. Macos Veiga,
Existe atualmente na legislação brasileira a forma correta de identificação dos animais?
O SISBOV está acontecendo na prática?
Você pode me enviar algum artigo a respeito da identificação e origem dos animais?
Obrigada

<b>Resposta do autor</b>

Prezada Lívia Fermino,

Eu não tenho informação precisa sobre o assunto. Acredito que alguns estados estejam em processo de implantação de uma identificação mais rigorosa, como em SC, mas eu não teria nenhuma informação mais detalhada sobre isso.

Atenciosamente, Marcos Veiga

RAIMUNDO NONATO RABELO

FRANCA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 22/06/2008

Dr. Marcos Veiga, estou desenvolvendo minha tese de doutorado sobre faudes no leite, dando ênfase especial a adição de citrato de sódio em leite in natura como estabilizante do mesmo antes de chegar nos laticínos, além de outras fraudes como adição de soro de queijo, água, peróxido de hidrogênio... Gostaria de saber se o Sr. tem indicação de algum material que eu possa utilizar para detecção de citrato em leite.

Um abraço.
Prof. Msc. Rabelo

<b>Resposta do autor</b>

Prezado Raimundo,

Obrigado pela mensagem. Infelizmente, eu não tenho nenhuma experiência nessa área e desconheço qualquer estudo ou metodologia que possa te ajudar. Eu sei que existem grupos de pesquisa da Unicamp, UFV e Unesp Jaboticabal que teriam trabalhado com essas metodologias, mas confesso que não sei exatamente quem foi o pesquisador.

Atenciosamente, Marcos Veiga


UANDERSOM ATHAYDE MOURA

ITAGUAÇÚ - ESPÍRITO SANTO

EM 01/09/2007

O produtor de leite brasileiro acha que para produzir leite de qualidade precisa somente de um bom plantel e um alto investimento em instalações, sabido que o retorno do investimento é perdido na hora da ordenha. O produtor está à procura da vaca milagrosa.

<b>Resposta do autor:</b>

Prezado Uandersom,

Obrigado pela mensagem. Concordo totalmente contigo, pois na maioria das vezes as soluções mais simples nem sempre são as que trazem mais retorno ao produtor.

Atenciosamente, Marcos Veiga

DANIEL ANTONIO GORSKI PEREIRA

SANTA MARIA - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 26/08/2007

Existe diferença entre a mastite crônica e a contagiosa?

<b>Resposta do autor:</b>

Daniel, considera-se mastite crônica quando a vaca apresenta um caso de mastite clínica que não se resolve com o tratamento ou, no caso de mastite subclínica, quando o caso de mastite tem duração mais que dois meses consecutivos.

Atenciosamente,

Marcos Veiga dos Santos

DANIEL ANTONIO GORSKI PEREIRA

SANTA MARIA - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 26/08/2007

Por favor, poderia me responder se o controle de CCS está relacionado com a mastite, e o controle de CBT está relacionado com a higiene externa do teto?

<b>Resposta do autor:</b>

Daniel,

Realmente, o controle de mastite tem impacto direto sobre a CCS e a higiene de ordenha e refrigeração do leite está mais relacionada com a CBT do leite. Em poucas situações, pode acontecer que a mastite resulta em elevação da CBT do leite.

Atenciosamente,

Marcos Veiga dos Santos
MilkPoint AgriPoint