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Quando aprendemos as respostas, mudaram as perguntas!

O momento atual da cadeia do leite exige que busquemos soluções que envolvam todos os elos da cadeia, com maturidade. Entenda melhor, acesse!

Publicado em: 18/05/2022 - 4 minutos de leitura

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Foi-se o tempo em que o consumo de leite crescia 5% ao ano, ou mais, e que em se produzindo, tudo se vendia, parafraseando Pero Vaz de Caminha. Foi-se o tempo em que nosso custo de produção era sistematicamente baixo para os padrões mundiais. Foi-se o tempo em que nossos concorrentes eram os refrigerantes e, vá lá, o suco de laranja.

Agora tem o “plant-based” e, na esquina, misteriosos leites de laboratório que prometem entregar o que nós entregamos, porém, a partir de células cultivadas e biorreatores. Foi-se o tempo em que a agenda de produção, quando muito, envolvia a qualidade. Hoje, a agenda ambiental e a do bem-estar passam a fazer parte da realidade dos produtores que querem continuar produzindo daqui 10 anos. Foi-se o tempo em que tecnologia era adotar uma ordenha mecânica.

Hoje, tem-se a pecuária de precisão, sensores diversos, softwares de gestão, diversas opções de estratégia genética e muito mais, sem falar em plataformas financeiras e market places. Foi-se o tempo (esse já há bastante tempo) em que o preço era garantido pelo governo e a volatilidade do mercado, baixa.

O fato é, meus caros: o campo de jogo hoje está mais competitivo, e a bola corre mais rápido.  

O momento atual da cadeia do leite exige que busquemos soluções que envolvam todos os elos da cadeia, com maturidade.  Exige que enfrentemos a agenda não com discursos populistas e inviáveis, mas à luz do cenário atual de mercado.

E um mercado que muda muito rápido.

Há uns 10 anos, eu escrevi e palestrei dizendo que a cadeia do leite passaria pela maior transformação estrutural entre todas as cadeias de peso do agronegócio. Dentre os aspectos que norteariam essa transformação estavam: a incorporação de tecnologia, aumentando a produtividade; o aumento da escala de produção; a exclusão de produtores da atividade; a melhoria dos processos de gestão.

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Algumas cadeias já passaram por esse processo anos atrás. Avicultura, suinocultura, citricultura, agricultura de grãos, cotonicultura, e por aí vai. No leite, as coisas estavam ainda por acontecer.

E estão acontecendo agora. Alguns fatos e percepções que norteiam essa transformação:

 

  • Aumento da escala de produção de leite: crescem produtores acima de 400 litros/dia, mas principalmente os de mais de 2.000 litros/dia. Dados da Embrapa, publicados no MilkPoint Mercado, estimam que hoje temos mais de 5.000 fazendas com mais de 2.000 litros/dia. Em 1996, eram apenas 293;

 

  • Forte exclusão de produtores, principalmente os de menor porte. Nos últimos 5 anos, no RS, dados da Emater mostram que metade dos produtores deixaram a atividade. Em outros estados, esse número não deve ser diferente;

 

  • Mudanças em sistemas de produção, com o confinamento sendo cada vez mais prevalente, principalmente em função dos compost barns. Mais do que o alojamento de vacas, o confinamento carrega profundas mudanças estruturais. Para confinar, é necessário investir em conforto, nutrição, genética... isso reduz a flexibilidade de custo, garantida pela flexibilidade dos sistemas de produção explicada pelo saudoso prof. Sebastião Teixeira Gomes. Com o confinamento, não resta opção ao produtor a não ser se profissionalizar. Com tudo de bom (e de ruim) que vem atrelado. O confinamento também reduz a diferença da produção entre safra e entressafra. Daqui alguns anos, a produção de leite de safra será menor do que a de entressafra. Como no milho.

 

  • Produzir leite (e qualquer alimento) cada vez mais vai além de simplesmente produzi-lo com a qualidade suficiente.  Produzir alimentos será preservar o meio ambiente, será contribuir para a comunidade, gerar valor para os funcionários, e saber comunicar tudo isso para a sociedade;

 

  • A profissionalização, o aumento de escala e o acesso à informação (muitas vezes informação em excesso) exigem uma nova dinâmica na relação indústria-produtor. Há quem já percebeu isso, investindo em mais transparência na relação, mas há quem trabalhe como se estivéssemos em 1990;

 

É justamente nesse contexto que chegamos à vigésima edição do Interleite Brasil, que será realizada nos dias 3 e 4 de agosto, pela primeira vez em Goiânia. Ao invés de nos debruçarmos sobre as questões técnicas, já cobertas por muitos eventos de qualidade, procuramos discutir justamente as questões acima, começando pela relação indústria-produtor, passando por sistemas de produção, sustentabilidade e rentabilidade. Afinal, como diz o título do texto, quando finalmente aprendemos as respostas (a aplicação de tecnologia), mudaram-se as perguntas!

Estamos na expectativa de fazermos o maior evento já feito, seja porque estamos com um forte apoio local, com a correalização do Senar, Sebrae e Governo, seja porque todos nós estamos sedentos por um encontro que não seja pelo zoom, YouTube ou outra plataforma, seja porque a programação está muito atual, seja porque o Interleite Brasil é uma marca forte de qualidade em informação e organização.

 

Mas queremos você conosco!

Ir a um evento desses sempre nos deixa maiores do que chegamos. É o momento para expandir nossa capacidade de compreensão da complexa cadeia em que vivemos, em um momento igualmente complexo. Mas há caminhos, há oportunidades.

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E lembre-se: “O mundo ocorre fora de sua fazenda ou negócio. E só esbarra em algo bom quem está em movimento”. Vamos lá? Clique aqui, veja detalhes e faça sua inscrição!

 

Figura 1

Figura 2

 

 

*Fonte da foto da matéria: Freepik

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Material escrito por:

Marcelo Pereira de Carvalho

Marcelo Pereira de Carvalho

Fundador e CEO da MilkPoint Ventures.

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