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Desvendando a terra do leite

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

EM 27/03/2013

16 MIN DE LEITURA

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Nos últimos anos, a Nova Zelândia tem sido retratada no Brasil como uma espécie de paraíso do leite: uso inteligente dos recursos disponíveis, baixo custo de produção, sistemas produtivos bem definidos, organização da cadeia produtiva e alta qualidade da matéria-prima: um modelo a ser não só admirado, mas seguido pelo Brasil, capaz de colocar o país novamente no rol dos grandes exportadores, como é a Nova Zelândia, principal exportador mundial de leite.

Com efeito, a Nova Zelândia é realmente a terra do leite.

O faturamento da Fonterra, sua maior empresa, e onde tivemos a oportunidade de assistir a uma apresentação na simbólica sala do conselho administrativo (foto 1), é cerca de 8 vezes maior do que a segunda maior empresa de toda a economia do país. O leite representa nada menos do que 25% das exportações da Nova Zelândia, e as melhores áreas ou já foram ou estão sendo convertidas para o leite, a partir da criação de ovinos, gado de corte e mesmo agricultura, que via de regra não consegue competir. O leite tem sido, de certa forma, a galinha dos ovos de ouro desse país de clima, em geral, úmido, ideal para a produção de forragem. A sala de administração da Fonterra, por assim dizer, pode ser considerada os metros quadrados mais importantes da economia do país.


Foto 1: reunião do grupo de viagem MilkPoint/CAEP na sala do conselho administrativo da Fonterra

A visita que mencionei ocorreu agora em meados de março, quando tivemos a oportunidade de conhecer com relativa profundidade a realidade do leite na Nova Zelândia, a partir de visitas a produtores, cerca de uma dúzia de palestras em universidades e empresas, e conversa com técnicos de destaque no setor. O programa que fizemos, e do qual participaram 22 pessoas, nos permitiu tirar uma fotografia do momento atual e, mais do que isso, gerar massa crítica para entender as profundas transformações pelas quais passa a atividade leiteira nesse país. Sem dúvida, esse é o primeiro e principal aspecto que pudemos atestar: o setor lácteo da Nova Zelândia é extremamente dinâmico e vem respondendo à nova conjuntura mundial, marcada pela elevação dos preços em 2007 e pela crescente volatilidade. Talvez em nenhum outro país do mundo a elevação dos preços dos lácteos tenha causado tantas mudanças. E, como todas as transformações, há opiniões divergentes, possibilidades distintas de futuro e incertezas – em algum grau semelhantes às que temos por aqui.

Eficiência, profissionalismo e empreendedorismo

A primeira impressão ao se chegar a Nova Zelândia é que as coisas funcionam. De fato, esse país de pouco mais de 4 milhões de pessoas leva tudo o que faz muito a sério, e no leite não poderia ser diferente.

Nosso grupo ficou muito impressionado com a infra-estrutura disponível – estradas, equipamentos, pessoas, serviços. Os caminhões de coleta de leite (foto 2) são o sonho de produtores e indústrias do Brasil. A coleta de leite é feita de forma automática, por amostradores, e com medidor de vazão. Ao chegar à propriedade, o motorista imprime os dados da coleta do dia anterior – gordura, proteína, volume de leite, células somáticas, kg de MilkSolids (gordura + proteína) - foto 3).



Foto 2. Caminhão de leite da Fonterra – 37 toneladas



Foto 3. Caminhão imprimindo os dados de produção e qualidade


A Fonterra capta 230 litros de leite para cada kilômetro rodado, 6 vezes mais do que as empresas mais eficientes no Brasil. A comparação com o Brasil, no entanto, é injusta. A logística deles facilita muito, sem contar a qualidade das estradas. A foto 4 mostra os pontos de coleta de uma das regiões – os pontos pretos são produtores de leite. Em cada caminhão, uma tela com o roteiro a ser preenchido, sempre no asfalto ou, na pior das hipóteses, em um cascalho melhor que muitas rodovias brasileiras.


Foto 4. Pontos de coleta de leite da Fonterra, em uma das regiões da Nova Zelândia

A eficiência também pode ser vista na automação e na gestão de informação. Todos os produtores que visitamos dispõem de uma vasta estrutura de informação e identificação eletrônica dos animais. O Milk Hub, foto 5, é um destes sistemas.



Foto 5. Milk Hub – equipamento permite monitorar as vacas e separá-las para controle de mastite e outras práticas


O profissionalismo também é algo que impressiona. Uma estagiária brasileira nos contou que, às 4 da manhã, houve um problema na ordenha que impossibilitava o prosseguimento da atividade. Ela ligou para o proprietário que estava em casa, este ligou para a empresa e, em cerca de 20 minutos, naquele horário, havia um profissional solucionando o imprevisto. É bem possível que os demais serviços também operem nesse grau de profissionalismo – com efeito, muita coisa é terceirizada, como colheita de volumoso para silagem e a inseminação, normalmente feita com sêmen fresco (em um processo que permite a viabilidade por 4 dias) por um profissional da LIC, principal central do país, e que insemina a maior parte das vacas (75% das vacas são inseminadas).

Um outro aspecto muito evidente é o estímulo ao empreendedorismo no país, onde o sucesso é valorizado. Cerca de 30% das vacas são ordenhadas no sistema de sharemilker, no qual o sharemilker entra com o trabalho e com as vacas, ao passo que o produtor entra com a terra, equipamentos e fertilização do pasto. A renda do leite é dividida 50/50 (no sistema mais comum, embora existam diferentes configurações). O sharemilker é uma maneira viabilizar a sucessão, resolver o problema da mão-de-obra qualificada e atrair empreendedores para o negócio. A sociedade para produção é uma característica bastante interessante do leite neozelandês: vários produtores que visitamos possuem um sócio não operacional, principalmente na Ilha Sul, onde a atividade mais cresce.

Dois produtores que visitamos chamaram a atenção nesse quesito. Um deles foi o casal Jason e Lisa Suisted, que ganharam o prêmio de Sharemilker do ano de 2012. O outro é Craig e Helen Elliott, que começaram como sharemilker há cerca de 20 anos e hoje possuem 7.000 vacas em lactação.

Jason (foto 6) era carpinteiro; Lisa era cabeleireira. Hoje, depois de 12 estações produtivas, a quinta como sharemilkers, ordenham mais de 450 vacas e obtém retorno sobre o capital investido de 40% ao ano. O próximo passo é comprar uma fazenda própria. Veja a missão deles:

“Estamos no negócio de agricultura. Nosso objetivo é oferecer uma boa vida para nossa família e um ambiente saudável para nossas crianças, para que possam viver a vida,, e que estejamos próximos a elas enquanto vivem. Queremos usar práticas modernas de produção de leite para atingir um crescimento de pelo menos 30% no patrimônio líquido por ano. Isso nos fará atingir nosso objetivo de ter nossa própria fazenda. Faremos isso por meio de trabalho duro e dedicação na atividade leiteira, com honestidade, integridade e lealdade com nossa equipe”.


Entre os objetivos concretos: aumentar de 450 para 650 a 1000 vacas em 2 anos; aumentar o patrimônio líquido para NZ$ 2 milhões em 2014,; manter os custos operacionais entre os 25% mais baixos entre os sharemilkers de Waikato (principal região produtora), em não mais de 55% da renda bruta.


Foto 6: Jason Suisted, ex-carpinteiro e agora produtor de destaque


Fica evidente que os Suisted não brincam em serviço. O mesmo se aplica a Craig Elliott (foto 7), que começou economizando aos 8 anos de idade, vendendo perus, e hoje, aos 43, possui 7.000 vacas, com um sócio, na região de Canterbury, na Ilha Sul da Nova Zelândia.


Foto 7: Craig Elliott e sua filha Amy – começou economizando aos 8 e hoje possui em sociedade cerca de 7.000 vacas


A cultura do empreendedorismo e do profissionalismo permeia a produção de leite do país. Todos têm os indicadores financeiros na ponta da língua, além dos dados técnicos. A impressão que se tem é que ninguém brinca de produzir leite. É um negócio, e como negócio, precisa dar dinheiro. Até porque, se não der, o banco toma.

Endividamento para alavancar o crescimento

Assim como nos Estados Unidos, o financiamento é a mola propulsora do crescimento da atividade. É relativamente normal o produtor dever 50% do capital investido, pagando mensalmente os juros dessa dívida. O problema é que, com o “boom” do leite em 2007 e com a relativa escassez de terras (considerando que é um país pequeno), o capital necessário para expandir se multiplicou nos últimos anos. Uma área formada para leite (com pasto e equipamentos) em Canterbury, na Ilha Sul, pode sair por até R$ 80 mil o hectare; na Ilha Norte, se for perto de Auckland, pode atingir R$ 140 mil! Mesmo nas demais áreas da Ilha Norte, valores de R$ 70-80 mil/ha são comuns (obs: de acordo com os dados da LIC, o valor médio para o país é próximo a R$ 53.000/ha). A rigor, conforme os dados apresentados pela professora da Massey University e diretora da Fonterra, Nicola Shadboldt, o negócio de valorização da terra tem dado retorno mais alto do que o negócio de produção de leite. E isso, claro, é uma preocupação, porque coloca uma pressão adicional sobre o retorno da atividade de produção em um momento no qual a terra parar de subir.

Em função do valor da terra, o nível de dívida é significativo. No total, os produtores devem cerca de R$ 50,1 bilhões para uma produção anual de 19,129 bilhões de kg. Em produtores mais alavancados, o custo da dívida chega a aumentar em 50% o custo de produção: supondo um custo operacional médio de NZ$4/kg de sólidos (gordura e proteína), vimos produtores que pagam mais NZ$ 1,5 a 2,00/kg de serviço da dívida. Colocando em reais, e considerando um leite com a quantidade de gordura e proteína do leite brasileiro, o custo operacional seria nesse caso de R$ 0,45/kg de leite brasileiro, mais R$ 0,18 a R$ 0,23 de dívida, totalizando R$ 0,63 a 0,68/kg, sem a remuneração do proprietário. Como disse Jeremy Casey (foto 8), produtor que acabou de inaugurar sua fazenda em Canterbury, “se tivermos um pagamento de NZ$ 6,50, nos sobra NZ$ 0,50/kg de sólidos para comprar roupas”.


Foto 8. Jeremy Casey mostra o sistema de tubulações que recicla água de ordenha e dejetos

O endividamento coloca a produção de leite da Nova Zelândia em uma espécie de corda bamba: se os preços caírem aos níveis históricos ou algo próximo a eles, a conta não fecha. Essa realidade faz com que o custo do leite neozelandês fique mais próxima a de outros países como os Estados Unidos, ainda que a produção seja, em grande parte, a pasto. Para os produtores que possuem a terra, a situação é melhor, mas o custo de oportunidade do capital investido continua existindo.

O aumento do preço da terra e o aumento do preço do leite (uma coisa é receber US$ 0,20/kg; a outra, US$ 0,40, como ocorreu muitas vezes a partir de 2007) forçam uma maior produtividade por área. Nos sistemas mais intensivos, os produtores têm obtido mais de 2.000 kg de sólidos por hectare, lembrando que sólidos na NZ é igual a gordura e proteína, que equivalem a 8,6% do leite. Assim, 2000 kg de sólidos por hectare, equivalem a 23.000 kg/ha do leite neozelandês, ou 29.000 kg se fosse leite brasileiro, com 6,8% de gordura + proteína. Observação: nessa conta, não entra a área para bezerras e novilhas, geralmente criadas em uma outra propriedade.

Em função disso (preço do leite e da terra), há uma mudança em curso no sistema de produção, que envolve mais equipamentos e custos. A Nova Zelândia tem 5 sistemas de produção, de acordo com o nível de suplementação – o sistema 1, exclusivo a pasto e que representa menos de 10% das fazendas; até o sistema 5, com pelo menos 30% da dieta não proveniente do pasto (silagem de pasto é considerada pasto; silagem de milho entra nesses 30%) . Todos os especialistas consultados disseram que cada vez mais há produtores subindo na escala de 1 a 5. E, segundo um especialista da Massey University, em uma pesquisa com produtores, o número real era, em média, 1 ponto acima do que os produtores achavam que tinham, indicando que estão usando mais suplementos do que imaginavam. Os dados da Massey University entre 2006/07 e 2008/9 mostram que, nos anos de preços elevados, os sistemas mais intensivos tiveram rentabilidade aos sistemas menos intensivos, mas no ano 2008/09, com baixos preços para o leite, os sistemas mais intensivos perderam (Obs: essa conclusão está diferente da primeira versão do artigo, após recebermos um email da Dra. Nicola Shadbolt, corrigindo).  Muitos acham que a dependência de suplementos tira a flexibilidade do sistema e deixa-o muito vulnerável a preços que podem cair (alguma semelhança com o Brasil?).

Aliás, é interessante como a discussão sobre sistemas está quente nesse momento. Há quem diga que a Nova Zelândia deve voltar atrás e trabalhar com mais pasto. Na outra ponta, há quem considere que, em um futuro não muito distante, as vacas serão todas confinadas e ordenhadas por robôs. Um dos técnicos nos mencionou um produtor norte-americano cuja vaca mais produtiva chegou a produzir 100 kg por dia se auto-ordenhando 6 vezes em um sistema robotizado. Ele fez as contas a chegou à receita de NZ$ 50 proporcionada diariamente por esse animal. “Nunca vi por aqui uma vaca que desse NZ$ 50/dia”, disse. O fato é que, como ele, muitos estão pensando em receita e lucro por área, ao invés de custo mínimo. Nesse sentido, vimos muito mais silagem de milho do que esperávamos, e mesmo no sistema a pasto, há novidades, como o fornecimento de pasto roçado para as vacas no intuito de aumentar a ingestão de volumoso.

Uma das razões apontadas pelos que acreditam no caminho do confinamento é a pressão ambiental. No ponto onde a vaca urina, a dosagem de nitrogênio é equivalente a 1.000 kg de uréia/ha. Nas épocas mais úmidas do ano, uma parte significativa disso acaba percolando, atingindo lençol freático. Em função disso, já há quem recomende confinar, ao menos nos meses mais úmidos. Há produtores que estão sendo levados à justiça em função dos problemas ambientais, cuja pressão é cada vez maior. Por outro lado, o confinamento implica em trazer mais nutrientes de fora para dentro da propriedade, o que pode elevar o problema ambiental, porém com características diferentes. Além disso, o custo não é barato em um país que produz poucas alternativas de suplementação. O farelo de dendê, importado da Malásia, e que tem 13% de proteína, não sai, em média, por menos de R$ 420/tonelada; o farelo de algodão está cotado a R$ 1.100, e a silagem de milho custa cerca de R$ 670/tonelada de matéria seca... Independentemente do caminho a se seguir, o fato é que há mais equipamentos e estrutura do que imaginávamos, como pode ser visto nas fotos 9 e 10.

Uma outra razão possível para o confinamento é a ausência de mão-de-obra qualificada para manejar o pasto. Não mais do que 300 profissionais agrícolas são formados a cada ano nas duas universidades, a Massey, na Ilha Norte, e a Lincoln, na Ilha Sul. Manejo de pastagens no nível necessário é algo que requer alguém que conheça o sistema, e nesse ponto bons gerentes chegam a ganhar mais de R$ 250 mil por ano, mais do que professores universitários. Vimos muitos técnicos brasileiros trabalhando como estagiários ou mesmo como gerentes de fazendas, como é o caso de Sandro, que trabalha em uma das fazendas dos Elliotts.


Foto 9. Silo tipo bunker na Massey University – paisagem norte-americana na Nova Zelândia


Foto 10. Ordenha recém-inaugurada na fazenda de Jeremy Casey (que é um dos sócios da fazenda Leitíssimo, na Bahia)

Há, ainda, um outro investimento que precisa ser feito pelos cooperados da Fonterra. Para entregar o leite para a cooperativa, o produtor precisa pagar o equivalente a NZ$ 7 por cada kg de sólidos entregues no ano. Esse montante representa a integralização das cotas da cooperativa. Assim, um produtor que produza, por exemplo, 100.000 kg de sólidos no ano (1,16 milhão de litros/ano – 3.185 kg/dia em média), precisa capitalizar a empresa em cerca de R$ 1,17 milhão. Ou, caso já seja sócio, este é o valor de suas cotas, que agora podem ser transacionadas entre cooperados.

Em função disso, a tentação para muitos produtores é significativa: vender as cotas e investir em uma nova fazenda, muitas vezes em outra região de terra mais barata (preferencialmente no Sul da Ilha Sul, onde há muito ainda a converter para leite), fornecendo o produto para umas das outras empresas do país: as cooperativas Tatua e Westland, ou as empresas privadas Open Country Cheese (foto 11), e Synlait (foto 12).

O gerente de captação de leite de uma das empresas novatas me disse que a base de fornecimento de leite deles está crescendo e que possuem bons produtores, talvez alguns dos mais inovadores, já que não é fácil deixar a estrutura da Fonterra e acreditar em uma nova entrante.


Foto 11: Open Country cresce no país – “parceria por opção”, diz a plaquinha na entrada de cada um dos fornecedores



Foto 12: Synlait – empresa de capital sino-nipônico ganha espaço na Ilha Sul. Em Canterbury, tem cerca de 20% do leite

Nesse cenário de mudanças, sobram desafios para a gigante Fonterra (foto 13), que embora domine amplamente, com 89% do leite, não tem mais os 96% de outrora.


Foto 13: Fábrica de Darfield, da Fonterra. Quando o segundo secador estiver pronto, será a maior do mundo, processando 4,5 milhões de litros por dia

Quanto o país pode crescer?

Essa é uma questão muito interessante e atual ao se falar de Nova Zelândia. Na Ilha Norte (foto 13), que concentra 64% da produção, nos últimos 10 anos, não houve crescimento. As áreas melhores estão ocupadas e a possibilidade de irrigar mais é pequena, já que a água já está em grande parte comprometida. Já na Ilha Sul (foto 14), há ainda o que crescer, principalmente no Sul da Ilha Sul, onde a irrigação não é necessária. Em função disso, trabalha-se com a possibilidade de um crescimento médio de 2% ao ano, a não ser que haja mudança significativa no sistema de produção, elevando a lotação, que hoje atinge entre 3,5 e 4,0 vacas por hectare/ano, cada uma produzindo até 500 a 550 kg de sólidos (considerando os níveis mais elevados).


Foto 14: Sem irrigação, suscetibilidade climática é maior, como pudemos observar nesse período no qual a seca é a maior da história na Ilha Norte.


Foto 15: Ilha Sul – crescimento deve continuar, apesar das maiores restrições ambientais

Acredito que nosso grupo tenha voltado da viagem com uma visão mais completa não só do que é a produção na Nova Zelândia, dos desafios, das oportunidades, dos possíveis caminhos, mas também dos nossos próprios desafios, oportunidades e possíveis caminhos. Devemos refazer a viagem em setembro de 2014, quando as pastagens estarão em pleno vigor. Sugiro que todos que possam ir, se planejem, pois é um local que vale muito a pena visitar.

PS: publicaremos outros artigos sobre a viagem, mais específicos, como a genética, nos próximos 15-20 dias. Faça o download das estatísticas neozelandesas clicando aqui


Foto 16. Grupo de viagem MilkPoint na entrada da Massey University. Uma manhã de palestras que mudou nossa percepção sobre a atividade no país. O grupo foi acompanhado pelo consultor Wagner Beskow, que morou por 7 anos no país e escreve o blog Transpondo no MilkPoint.


Foto 17. Participantes checam o pastejo de azevém irrigado. Sem irrigação, é impossível produzir em boa parte da ilha Sul, onde chove 600 mm anuais. 
 

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP), Mestre em Ciência Animal (ESALQ/USP), MBA Executivo Internacional (FIA/USP), diretor executivo da AgriPoint e coordenador do MilkPoint.

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MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 27/04/2013

Pessoal, a diretora da Fonterra, produtora e professora da Massey University me enviou um email fazendo duas correções que julgo relevantes. A primeira, o preço médio da área para leite na NZ é de R$ 55.000/ha. Quando mencionei valores de R$ 80.000 até R$ 140.000/ha, são áreas já totalmente preparadas para operar, com equipamento, etc. No caso dos R$ 140.000, são áreas próximas a capital.



A outra correção é mais relevante. Em relação aos sistemas de produção, não houve diferença de rentabilidade entre os graus de intensificação para os anos de 2006/07 e 2007/08. Já para 2008/09, quando o preço do leite caiu, os sistemas mais intensivos foram piores.
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/04/2013

Prezado Luiz Otávio da Costa de Lima: Aqui, também, visamos lucro e, por isso, temos procurado encontrar um caminho mais viável para a produção de leite. Como nosso País não tem o solo neozelandês, nem os subsídios que eles tiveram até 1984, nossa terra está muito loteada e não se tem mais grandes extensões em mão de um só dono, não temos condição de manter gado pouco produtivo, como o deles, em nossos pastos, pois pereceremos, de sorte que a péssima remuneração do nosso leite, pela ação predatória da indústria, nos abateria imediatamente, se não ofertarmos uma escala de alta produção.

Não acho, portanto, que nosso futuro seja a pasto (nem o deles o é), pois, se assim for, ele não existirá.

Um abraço,



GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

=HÁ OITO ANOS CONFINANDO QUALIDADE=


MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 05/04/2013

Danilo,





O preço da vaca magra é de 300-400 NZD, em boas condições custa 600-700 NZD. Multiplique por  1,67 e terá em reais.
LUÍS OTÁVIO DA COSTA DE LIMA

CRUZ ALTA - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 04/04/2013

Prezado Guilherme!

Meu comentário, pelo visto, acabou sendo mal interpretado. O que acho importante que fique claro é que, embora estejam realmente utilizando mais suplementos do que o que se divulgava no Brasil (e isso também foi uma surpresa para mim!), a BASE do sistema NZ é pasto (de 80 a 90% da DIETA). Porém, diferente da grande maioria daqui, eles tem algo bastante claro: dá dinheiro faz, não dá dinheiro, muda!

Aqui se defende a morte sistemas e conceitos como "sistema a pasto", "semiconfinamento" etc., oque não no levará a lugar algum.

Inteligente seremos nós, se entendermos esta forma de pensar e utilizarmos as gigantes vantagens que possuimos aqui!

Um abraço!  
HERMENEGILDO DE ASSIS VILLAÇA

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 04/04/2013

Dr.Marcelo,

Como sempre seus artigos são de primeira linha.

Continui assim, que só temos a lucrar.
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/04/2013

Prezado Bernie Woodcok: Muito obrigado pelas explicações, muito úteis para a compreesão dos dados em pesquisa.

Parece que, em termos de qualidade do leite, nossos desafios são muito parecidos, muito embora, infelizmente, o comum, aqui no Brasil, seja o coeficiente maior.

A sua explicação sobre o aumento dos rebanhos é perfeita e vai de encontro ao meu pensamento - rebanhos menores, manejo melhor, lucro mais fácil de ser atingido.

Quanto à temperatura, estranhei que ela estivesse tão alta naquela coleta, mas, por questões de proliferação bacteriológica, minhas suspeitas eram semelhantes o que deflui de suas explicações.

Um abraço,



GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

=HÁ OITO ANOS CONFINANDO QUALIDADE=
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/04/2013

Prezado Luiz Otávio da Costa de Lima: Realmente, você tem razão. A informação é bastante clara ao dizer que o sistema que se utiliza exclusivamente de pasto (que é o que se divulgava, no Brasil, como sendo o adotado na Nova Zelândia) represente, apenas e tão somente, dez por cento do manejo neozelandês e, não, como você quis entender, noventa por cento.

Lembro a você que pasto e suplementação é semiconfinamento e, não, sistema a pasto.

Um abraço,





GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

=HÁ OITO ANOS CONFINANDO QUALIDADE=
BERNARD WOODCOCK

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 03/04/2013

Guilherme - alguns pontos

- CCS, os melhores fazendas tem um resultado em torno de 40.000, os piores 350.00. é um desafio continuo para manter baixo, especialmente com os rebanhos crescendo (media agora de 350 vacas, muitas fazendas com 600 ou mais).

- efluente, reuso da agua - todo mundo faz. com métodos um pouco diferente que brasil. também todo mundo recebe uma auditoria no sistema de efluentes.

- temperatura, escrevi com mais detalhes para Marcelo agora, mas normal é 3 a 4 graus. no caso da foto, provavelmente foi uma coleta logo depois a ordenha. Na NZ todo mundo tem uma placa de resfriamento, então o leite vai para 17 graus em um segundo, e depois ate 4 graus em 2 - 3 horas é o normal.
MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 03/04/2013

Guilherme, vou tentar checar essa info e te passo.



Ronaldo, a contagem bacteriana é feita, mas o resultado fica na internet logo após ser realizada.
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/04/2013

Prezado Marcelo: E quanto à temperatura da análise em comento? É leite sem refrigeração ou lá é considerado, como ideal, valor mais alto que aqui, onde a média aceitável está entre 3° e 4° C?

Obrigado pelas informações.

Um abraço,





GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

=HÁ OITO ANOS CONFINANDO QUALIDADE=
RONALDO MARCIANO GONTIJO

BOM DESPACHO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/04/2013

Será que eu não consegui ver na foto ou lá eles não fazem a contagem bacteriana total?
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/04/2013

Prezado Marcelo: Se o Brasil conseguir esta média de 200.000 estaremos bem. O que eu quis dizer é que é possível (antes achava que eles estariam com valores muito mais baixos). Por isso minha surpresa.

Todavia, concordo com você que experiências individuais, embora sirvam de incentivo, não podem ser consideradas senão em face do todo.

Um abraço,





GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

=HÁ OITO ANOS CONFINANDO QUALIDADE=
MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 02/04/2013

Olá João Luis, obrigado! Quando falo comprometida, me refiro a quantidade (obrigado por notar esse ponto). Puxa, não sei onde você pode pegar as informações sobre o reaproveitamento da água de ordenha. Talvez na Dairy NZ tenha algo: http://www.dairynz.co.nz/


JOÃO LUIS DOS SANTOS

CAMPINAS - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 02/04/2013

Marcelo,

Obrigado por compartilhar informações tão relevantes.

Que os profissionais do seguimento possam utilizá-las com objetivo de melhorar ainda mais a nossa realidade.

Você mostra na foto 8 uma tubulação de água reaproveitada da ordenha.

Depois comenta que "As áreas melhores estão ocupadas e a possibilidade de irrigar mais é pequena, já que a água já está em grande parte comprometida."

Pergunto:

Você tem mais informações, ou sabe onde consigo, sobre como é feito o reaproveitamento desta água da ordenha?

Quando diz que a água esta comprometida, refere-se a quantidade ou qualidade?



Abraços e obrigado.

João Luis dos Santos

http://www.especializo.com.br
DECIO REBELLATTO

CERRO LARGO - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 02/04/2013

Marcelo

Sempre que leio matérias como está me dou conta da importância do milkpoint, sob teu excelente gerenciamento, como instrumento difusor de informação.

Vou me organizar para acompanhá-los em setembro de 2014.

att

Décio rebellatto
PAULO FERNANDO ANDRADE CORREA DA SILVA

VALENÇA - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 01/04/2013

Marcelo,

Excelente relatório de viagem. Sem dúvida, grandes ensinamentos.

Obrigado pela ajuda.

Paulo Fernando.
MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 01/04/2013

Obrigado a todos pelos comentários até agora. Guilherme, acho que a CCS deles é muito baixa. A média do país está em 200 mil. Se sua média está abaixo desta da foto (na casa do 100 mil), parabéns, é realmente muito baixa!! Porém, não devemos comparar uma situação individual com a média do país.



Outro ponto a comentar é que, sim, a suplementação existe e sistemas puramente a pasto são minoria. Porém, é preciso levar em conta que o pasto continua sendo e será por um bom tempo (no mínimo) a principal fonte de alimentação.
LUÍS OTÁVIO DA COSTA DE LIMA

CRUZ ALTA - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 01/04/2013

Muitas vezes se lê e se assimilam as informações da forma que convêm. Só acho importante caracterizar bem os fatos para que a conversa não vá para o lado do "funciona, não funciona": 10% das propriedades usam exclusivamente pasto (armazenado ou não), a grande maioria está no sistema 3, com 10 a 20% de suplamentação (os outros 80 a 90% seguem sendo pasto!!).

Ou seja, o sistema NZ é predominandotemente dependente de pasto, sim. Apenas 5% dos produtores utilizam mais de 50% da necessidade da vaca suplementada. Obviamente, após as altas de preços de 2007 o nível de suplmentação aumentou muito (nesta nova alta deve se intensificar), afinal, o objetivo é ganhar $$ e alguns raros alimentos começam a se viabilizar. A grande discussão é que no próximo momento de baixa, o retorno a níveis mais baixos não é fácil, pois a lotação aumenta com o grau de suplemento, obrigando a uma redução de rebanho ou prejuízo.



Quanto a CCS, rebanhos abaixo de 150.000 cs/ml, indiscutívelmente, são rebanhos sem mastite, tanto quanto valores abaixo de 100.000 cs/ml. Isto é fisiológico da vaca.





Um Abraço
ANA CLÁUDIA ROSA

CATALÃO - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 31/03/2013

Muito bom o editorial. Parabéns pela organização da viagem, pois com ela podemos perceber como ocorre a produção leiteira pelo mundo e o quanto o Brasil precisa crescer nessa área.
RONALDO MARCIANO GONTIJO

BOM DESPACHO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 31/03/2013

Prezado Marcelo,



Realmente o país mais competitivo são os  EUA, pegando os dados da Califórnia no ano de 2012 temos uma clara ideia da competitividade deste país. Foram 18,96 bilhões de litros, produzidos por um rebanho de 1,72 milhões de cabeças.


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