Semana de palestras no Paraná e em Minas Gerais
Nessa semana que vem (10 a 15 de maio) darei palestras em duas importantes regiões leiteiras.
Nessa semana que vem (10 a 15 de maio) darei palestras em duas importantes regiões leiteiras.
O MilkPoint, com o patrocínio da Itambé e apoio da QGN, Tortuga, Kera e SIG Combibloc, decidiu criar uma homenagem a um técnico de destaque do setor. A ideia é homenagear um profissional do setor cujo trabalho causa um impacto positivo - daí o nome do prêmio - Impacto.
O setor leiteiro brasileiro tem alguns lugares-comuns: temos enorme potencial de elevar a produção e o consumo, somos um dos únicos países com condição de abastecer o mundo que precisará cada vez mais de leite, nossa produtividade é baixa e pode aumentar muito, e assim por diante. Porém, muitas vezes a impressão é de que essas possibilidades estão ainda distantes da realidade do dia-a-dia.
O setor lácteo tem debatido já há alguns anos a necessidade de se realizar uma campanha institucional sobre leite, a exemplo do que ocorre em outros países. No entanto, inexistiam estudos atuais que sugerissem que esse seria um caminho efetivo para que o consumo aumentasse, tornando os investimentos em propaganda em teoria mais arriscados, uma vez que não há um embasamento mercadológico para estas ações que, via de regra, demandam recursos significativos.
A Láctea Brasil concluiu um trabalho inédito a respeito das percepções do consumidor em relação ao leite e aos lácteos. O trabalho foi coordenado pela AgriPoint Consultoria e teve a participação das empresas BrandWorks, A Ponte e Nominal, todas elas com muito conhecimento e experiência em pesquisas qualitativas e criação de marcas.
No final do ano passado, o setor recebeu uma notícia que, em função da época, teve uma repercussão menor do que merecia, ainda que se tratasse apenas de uma possibilidade. Falo das negociações em torno da fusão entre cinco centrais cooperativas: Itambé, Cemil, Minas Leite, Centroleite e Confepar. Se concretizada, a união resultaria em uma empresa produzindo 7 milhões de litros diários, tornando-se, da noite para o dia, a maior captadora de leite da América Latina.
Nessa última terça-feira, dia 08, estive em Vila Velha, Espírito Santo, a convite da Tangará Foods.
O setor lácteo, assim como outros setores da economia brasileira, viveu, nos últimos anos, um momento de grandes transformações positivas. O consumo per capita de lácteos passou de 124 kg por habitante/ano, em 2000, para 142,5 kg em 2008, um aumento de 1,8% ao ano, muito significativo, mas que ainda deixa grande espaço para evolução. Ainda que o presente seja favorável e que o futuro apresente boas perspectivas, é necessário cuidar de nosso mercado. Não nos iludamos: a velocidade de transformação é grande e ameaças que estão hoje longe podem chegar mais cedo do que seria necessário para uma preparação convencional.
O IBGE divulgou nessa sexta-feira a produção de leite consolidada de 2008. Foram 27,58 bilhões de litros, um expressivo aumento de 5,5% sobre 2007. O aumento, de 1,445 bilhão de litros, foi o maior do últimos anos.
Aumento da concorrência, percepção da possibilidade e necessidade de maior eficiência na captação, necessidade de crescimento e qualidade do leite estão fazendo com que alguns laticínios olhem sua rede de fornecedores de forma mais estratégica.
A identidade com o campo, a facilidade de produção e a presença crescente de grandes empresas irão revolucionar o leite no Sul do país.
Discutimos competitividade e organização da cadeia, e não faltaram temas polêmicos
No último dia 08 foram divulgados os resultados do Diagnóstico da Cadeia Produtiva do Leite de Goiás, realizado pela FAEG e coordenado pelo Prof. Sebastião Teixeira Gomes, da Universidade de Viçosa. O trabalho é de grande valia para compreendermos um pouco mais como a produção de leite está estruturada na região e, acredito, sirva também para outros estados do Centro-Oeste e do Sudeste, visto que as condições de produção são semelhantes (inclusive esse Diagnóstico chegou a conclusões bem próximas ao realizado em MG em 2005).
No artigo anterior, comentei a respeito da realização de um workshop organizado pela DPA para discutir a competitividade do setor em relação às exportações de lácteos. O artigo procurou traçar um possível cenário de mercado externo, que combinaria preços não tão elevados para os lácteos e um câmbio que dificultaria as exportações. Nesse artigo, pretendo apresentar alguns itens relacionados à competitividade e que foram discutidos no evento.
Nessa semana, participei de um evento fechado promovido pela DPA para discutir a competitividade do leite brasileiro. Podemos ser realmente grandes exportadores de lácteos? Se sim, o que precisa ser feito?
Desde o ano 2000, o Brasil se prepara para assumir a posição de grande exportador de lácteos em algum momento próximo. De fato, de lá para cá, galgamos gradativamente o status de autossuficiência para, em 2004, nos tornarmos exportadores líquidos. Em 2008, finalmente, atingimos mais de US$ 500 milhões em exportações e fomos o 5º maior exportador mundial de leite em pó integral. Em 2009, o quadro parece se reverter.
A crise econômica mundial parece ter tido um efeito positivo para o Brasil. Mostrou a solidez do sistema bancário e reforçou a importância do sistema de suporte social governamental para manter viva a economia em épocas. Se o Brasil está entrando em uma nova fase realmente, se começa a ser visto como economia segura, se não disputa mais recursos, será que teremos custos mais elevados a ponto de dificultar nossa expansão no mercado internacional de lácteos, considerando ainda que não temos as mesmas vantagens comparativas inatas que outras cadeias do agronegócio têm?
O agronegócio brasileiro tem inegável eficiência em diversas cadeias produtivas. Em algumas delas, já somos líderes mundiais; em outras, é questão de tempo. Todas as análises futuras apontam que o Brasil será o pivô do crescimento da produção de alimentos necessário para abastecer uma população de 9 bilhões de pessoas em 2040, mais de 2 bilhões acima do número atual, sem contar a melhoria da renda que certamente incorrerá em aumento da quantidade de calorias ingeridas por pessoa, implicando em mais alimentos.
O Brasil tem verificado um crescimento considerável no mercado de lácteos, que remonta pelo menos ao final da década de 80. De 1989 a 2000, o mercado total, calculado com base na disponibilidade interna de leite, cresceu em média 2,95% ao ano, subindo levemente para 3,04% no período entre 2000 e 2008 (estimando-se uma produção de 27,4 bilhões de litros em 2008).
A questão ambiental está entrando e vai entrar de forma crescente na agenda da produção agrícola e, em nosso caso, na produção pecuária. Dado esse contexto, os principais países e empresas relacionadas ao setor lácteo estão se mobilizando para i) aumentar o grau de conhecimento a respeito do tema; ii) avaliar a extensão do problema; iii) discutir soluções que venham a viabilizar a exploração animal sob a ótica ambiental; iv) preparar uma rede de proteção e defesa do setor.
A onda protecionista que parece acometer vários países e setores da economia mundial não poderia deixar de afetar aquele que é o produto mais sensível do agronegócio mundial: o leite.
Imagine uma ordenha tipo carrossel, que ordenha sem nenhum operador. Isso mesmo, um carrossel robotizado. Agora pense em um vagão de ração completa, equipado com GPS e que também não necessita de um operador. Parece ficção científica? Pode ser, especialmente se considerarmos a atual situação do mercado do leite, aqui e lá fora. Mas essa realidade pode chegar antes do que parece, pelo menos em alguns países do mundo.
O mundo do leite vem sofrendo fortes transformações, ainda que os preços na segunda metade desse ano tenham caído significativamente, criando uma sensação de retorno aos velhos tempos. As mudanças, no entanto, existem. Dentre as várias transformações, talvez a principal seja que, nos últimos anos, os países emergentes tomaram a dianteira no que se refere ao crescimento econômico e isso contribuirá positivamente para a demanda de lácteos.
O episódio de contaminação do leite com a substância melamina, na China, afetando mais de 50 mil pessoas, com 4 mortes de crianças confirmadas, só não teve maior repercussão porque foi ofuscado pela crise econômica mundial, que contaminou os mercados mundo afora. Vale a pena, nesse espaço dedicado às questões lácteas, refletir um pouco sobre o episódio, suas lições e conseqüências.