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Suplementação de Lipídeos-Ácidos Graxos e Implicações para Reprodução/Saúde Animal Parte - 3

POR RICARDA MARIA DOS SANTOS

E JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

JOSÉ LUIZ M.VASCONCELOS E RICARDA MARIA DOS SANTOS

EM 26/08/2009

5 MIN DE LEITURA

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Este texto é parte da palestra apresentada por Charles R. Staples, da Universidade da Flórida, no XIII Curso de Novos Enfoques na Reprodução e Produção de Bovinos, realizado em Uberlândia em março de 2009.

Melhora da imunidade?

Vacas que apresentam problemas significativos de saúde tem menor probabilidade de conceber após a primeira IA. O fornecimento de gordura pode melhorar a capacidade do organismo da vaca em combater as infecções. A suplementação de ácido linoleico estimula as células do sistema imunológico a responder melhor durante o período de estresse do parto. A vaca utiliza ácido linoleico para produzir prostaglandina F2α, que tem ação pró-inflamatória e ajuda os neutrófilos a combater os patógenos. Os neutrófilos representam a primeira linha de defesa do organismo contra os patógenos.

Vacas holandesas multíparas em uma granja comercial na Flórida foram suplementadas (1,5% da MS da dieta) com sais de cálcio de destilado de óleo de palma (47% de ácido palmítico) ou sais de cálcio de óleo de cártamo (64% de ácido linoleico) (Virtus Nutrition) a partir de 30 dias antes do parto até ~30 dias pós-parto (Silvestre et al., 2008a). Amostras de sangue foram coletadas aos -35, 0, 4 e 7 dias em leite para avaliar a migração de neutrófilos do sangue para os tecidos e eliminar patógenos. Embora a proporção de neutrófilos que eliminaram a E. coli não tenha sido elevada, o número de bactérias mortas por cada neutrófilo aumentou de 455 para 680 nas vacas suplementadas com ácido linoleico. A expressão das moléculas (L-selectina) que promovem a migração dos neutrófilos da corrente sanguínea para os tecidos foi estimulada em 20%.

Quando os neutrófilos foram estimulados em laboratório, os produzidos por vacas suplementadas com ácido linoleico produziram mais fator alfa de necrose tumoral, uma citocina que contribui no combate de infecções. Estas citocinas estimulam o fígado a produzir proteínas de fase aguda que atuam como anticorpos contra os patógenos. As vacas suplementadas com ácido linoleico produziram teores mais elevados de 2 proteínas de fase aguda, a haptoglobina e o fibrinogênio que as vacas alimentadas com óleo de palma. Em resumo, a suplementação de ácido linoleico estimulou a eficácia dos neutrófilos das vacas no período próximo ao parto. Embora tenha havido melhora dos indicadores de saúde imunológica nas vacas alimentadas com óleo de cártamo na forma de sal de cálcio, não houve redução da incidência de problemas de saúde ao longo do estudo.

Nível de Suplementação de Gorduras

Uma pergunta frequente é "Quanto de gordura ou de um ácido graxo específico devem ser fornecidos para tentar melhorar a reprodução?" Nos estudos listados na Tabela 2 (ver parte 1 desse texto), a gordura foi fornecida em nível mínimo de 1,5% da MS da dieta. Sabemos que estes níveis foram eficazes, mas não sabemos se níveis inferiores também resultariam em efeitos benéficos. É bem provável que o fornecimento de gordura em níveis inferiores (100 ou 200 gramas ao dia) poderia ser eficaz. Os principais ácidos graxos (linoleico, linolênico, ácidos graxos trans, EPA, DHA ou outros) que chegam ao intestino delgado da vaca são absorvidos e depositados nos tecidos, inclusive reprodutivos. Alguns podem formar reservas a serem utilizadas ao longo do tempo.

Em um estudo conduzido na Flórida, a concentração de EPA na gordura hepática passou de 0,05 a 0,5 e 0,9% em amostras de fígado coletadas aos 2, 14 e 28 dias de lactação de vacas suplementadas com óleo de linhaça a partir de 5 semanas pré-parto. Um aporte moderado, porém continuo destes ácidos graxos aos tecidos permite que se formem reservas a serem mobilizadas para fins reprodutivos. Portanto, mesmo uma suplementação de gordura inferior a 1,5% poderia ser benéfica, mas ainda não dispomos de dados científicos que suportem a eficácia destes níveis reduzidos.

Quando Iniciar a Suplementação de Gordura?

O fornecimento de gordura deve ser iniciado muito antes do tempo em que ela será necessária para a retomada da atividade reprodutiva para nova fertilização e prenhez, favorecendo a involução do útero, crescimento e ovulação de folículos nos ovários e ajudando o útero a receber e manter uma nova prenhez. Iniciamos a suplementação de gordura no final do período seco (3 a 5 semanas antes da data prevista para o parto), permitindo que os tecidos armazenem os principais ácidos graxos antes de serem necessários. Um experimento foi conduzido para testar se a suplementação de gordura (Megalac-R a 2% da MS da dieta) deveria ser iniciada 5 semanas antes do parto, no momento da parição ou aos 28 dias pós-parto (Cullens, 2005). Neste estudo, a taxa de prenhez melhorou com o fornecimento de Megalac-R, independentemente do momento do início da suplementação.

No estudo de Silvestre et al. (2008), o fornecimento da mistura de sais de cálcio e óleo de peixe e palma a partir do 30 dias pós-parto foi suficiente para elevar o número de embriões saudáveis quando as vacas foram inseminadas aos 83 dias de lactação. O fornecimento de gordura por 40 dias antes do momento desejado de resposta fisiológica deve ser suficiente para elevar a probabilidade de concepção.

Conclusões

Já se sabe a muitos anos que vacas leiteiras recém-paridas produzem mais leite se recebem suplementação de teores moderados de gordura. Existem evidências (resumidas na Tabela 2; ver parte 1), demonstrando que o desempenho reprodutivo de vacas leiteiras em lactação também pode ser beneficiado por esta suplementação de gordura.

As fontes de gorduras enriquecidas com ácidos graxos ômega-6 ou ômega-3 que escapam à degradação ruminal parecem ser as mais eficazes, mas outras gorduras com teores bastante reduzidos destes ácidos graxos tipo ômega também demonstram melhora das taxas de concepção em estudos isolados.

Melhoras das taxas de parição resultantes da suplementação de gorduras foram associadas a: 1) elevação dos níveis de progesterona das vacas através de efeito sobre aumento do diâmetro do folículo dominante e corpo lúteo nos ovários, 2) produção de embriões de melhor qualidade e estímulo de sua maturação e 3) redução da mortalidade embrionária.
O balanço negativo de ácido linoleico, constatado através de modelagem recentemente desenvolvida, pode ser corrigido através de suplementação. O ácido linoleico tem efeitos pró-inflamatórios nas vacas prestes a parir, promovendo maior eficácia dos neutrófilos.

As gorduras são fornecidas em níveis mínimos de 1,5% da matéria seca da dieta nos estudos em que se observaram melhoras das taxas de concepção. O fornecimento de níveis inferiores a estes pode ser benéfico, mas ainda não existem dados científicos para suportar esta hipótese.

A sugestão é iniciar a suplementação de gorduras 40 dias antes do período de cobertura para elevar as probabilidades de concepção.

RICARDA MARIA DOS SANTOS

Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia.
Médica veterinária formada pela FMVZ-UNESP de Botucatu em 1995, com doutorado em Medicina Veterinária pela FCAV-UNESP de Jaboticabal em 2005.

JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

Médico Veterinário e professor da FMVZ/UNESP, campus de Botucatu

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RICARDA MARIA DOS SANTOS

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 03/09/2009

Prezado Gláucio Lima,
Obrigada pela sua participação!
O ideal seria o senhor procurar um técnico da sua região para analisar e formular a dieta das suas vacas.
Ricarda.
WILLIAM J A P SOUSA

GOIÂNIA - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 31/08/2009

Ronaldo,
Sim, é viável. Faça a conta de um periodo de servico muito longo e verá que esse animal, esta comendo é ´vazio", teoricamente irá diminuir o leite em pouco tempo (variando do grau de sangue da composicao racial e nível de producao) sem falar no custo que tera com IATF ou Semen que foi usado sem retorno. É totalmente viável, eu indico na maioria dos casos, 1 mes antes do parto; uso de 100 a 150 gr/cab/dia e mais 45 a 60 dias no pós parto.
Auxilia e muito no balanco energetico, bem como no periodo de espera voluntária.

Bom artigo!
RONALDO MENDONÇA DOS SANTOS

UBERABA - MINAS GERAIS

EM 31/08/2009

Muito bom o artigo! Gostaria de saber se a dieta com a introdução de gorduras é viável? Caso sim, em quais ocasiões posso receitar para os produtores.

Atenciosamente,
Ronaldo Mendonça dos Santos.
GLAUCIO MANOEL DE LIMA BARBOSA

RECIFE - PERNAMBUCO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 27/08/2009

Prezados,

Sou pequeno produtor no estado de Pernambuco, gostaria de entender melhor:

A vaca antes da parição tenho fornecido, farelo de milho, caroço de algoodão, palma e capim. Depois, farelo de milho, caroço de algodão, soja, ureia, calcario calcitico, fosfato bicalcico, palma e capim, misturado com o melaço.

Gostaria de saber se estou correto ou qual seria a melhor alimentação nutricional?

Gláucio Lima
Recife-PE
MilkPoint AgriPoint