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Programas para Controle de Doenças Infecciosas e Melhoria do Desempenho Reprodutivo

POR RICARDA MARIA DOS SANTOS

E JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

JOSÉ LUIZ M.VASCONCELOS E RICARDA MARIA DOS SANTOS

EM 29/09/2010

8 MIN DE LEITURA

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Este texto é parte da palestra apresentada por Daniel L. Grooms, no XIV Curso Novos Enfoques na Produção e Reprodução de Bovinos, realizado em Uberlândia em março de 2010.

Introdução

A eficiência reprodutiva é um dos principais fatores envolvidos na viabilidade econômica do setor de criação de bovinos (Feuz e Umberger, 2003; Wolf, 2003). Fatores que afetam a reprodução têm impacto econômico significativo sobre produtores cujas operações dependem da produção de crias saudáveis e viáveis. As causas da ineficiência reprodutiva são diversas e numerosas, indo desde erros simples de manejo, até conjuntos complexos de enfermidades multifatoriais. As enfermidades infecciosas podem constituir uma causa importante de ineficiência reprodutiva. Muitas bactérias, vírus, protozoários, fungos e parasitas foram associados às perdas reprodutivas em bovinos. Este artigo é uma breve revisão das causas infecciosas mais comuns de perdas reprodutivas em bovinos.

Incidência

As doenças infecciosas têm relação com infertilidade, mortes embrionárias precoces, abortos e defeitos congênitos, e são frequentemente referidas como causas de tais perdas por laboratórios de diagnóstico (Tabela 1). A ocorrência de doenças infecciosas foi documentada em aproximadamente 40-50% dos casos de abortos em bovinos (Jerrett et al., 1984; Anderson et al., 1991; Yamini et al., 1990; Kirkbride, 1992a; Kirkbride 1992b; Khodakaram-Tafti e Ikede, 2005; McEwan e Carman, 2005). A incidência de causas infecciosas específicas de perdas reprodutivas pode variar de acordo com vários fatores, da região do país à época do ano. O conhecimento da maneira como tais fatores podem influenciar a incidência de patógenos específicos é importante na elucidação da causa das perdas reprodutivas. Abortos causados por sorovares de Leptospirose que não o hardjo, por exemplo, podem ocorrer nas épocas do ano em que os animais têm mais acesso a ambientes frequentados por animais selvagens, que podem ser hospedeiros de manutenção. Por outro lado, uma vez que os bovinos são os hospedeiros definitivos da L. hardjo, os abortos podem ocorrer sempre que bovinos não infectados entram em contato com bovinos que estão excretando a bactéria.

Tabela 1. Porcentagem de abortos examinados em laboratórios de diagnóstico, com identificação do agente infeccioso.



Causas Infecciosas Comuns de Abortos em Bovinos

Diversos agentes infecciosos foram identificados como causas potenciais de abortos em bovinos. Os agentes virais mais importantes são os vírus da diarreia bovina a vírus (BVD) e da rinotraqueíte infecciosa bovina (IBR). Os principais agentes bacterianos associados ao aborto bovino incluem Leptospirosis spp., Campylobacter fetus e Brucella abortus. Outras bactérias, tais como Chlamydia, Haemophilus somnus, Mycoplasma spp, Anaplasmosis, Listeria monocytogenes, Salmonella spp e Archanobacterium pyogenes, também foram relacionados ao aborto bovino. O Trichomoniasis e o Neospora caninum são parasitas causadores de perdas reprodutivas. Finalmente, várias espécies micóticas foram associadas à ocorrência de abortos esporádicos em bovinos. Três das causas infecciosas mais comumente diagnosticadas em perdas reprodutivas, o BVD, a Leptospirosis spp. e o Neospora caninum, serão discutidas em maior detalhe no texto abaixo.

Controle das Causas Infecciosas de Perdas Reprodutivas

O controle de doenças infecciosas geralmente envolve um ataque em diversas frentes. O primeiro passo é a redução da exposição aos patógenos em si. O conhecimento dos reservatórios de patógenos específicos é fundamental. Por exemplo, no caso do BVD, o reservatório primário são bovinos persistentemente infectados pelo vírus. A detecção e eliminação deste reservatório é um ponto crítico de controle na redução das perdas reprodutivas causadas pelo BVD. O segundo passo é a melhora da resposta imune dos animais aos patógenos, de forma que, caso a exposição ocorra, a probabilidade de ocorrência de patologia reprodutiva seja menor. A melhora da imunidade envolve a manutenção dos animais em bom estado de saúde geral, por meio do manejo nutricional e ambiental. Além disso, o desenvolvimento de respostas imunes específicas, através da implementação de um programa adequado de vacinação, é benéfico. As vacinas e o momento da vacinação têm que ser escolhidos com base no conhecimento profundo da patogênese da doença e das limitações das vacinas utilizadas. Também é importante lembrar que as vacinas não são 100% eficazes, devendo, portanto, ser utilizadas junto com outras medidas de controle. Finalmente, medidas adequadas de biocontenção precisam ser implementadas para reduzir a introdução e o aumento do número de patógenos. Tais medidas podem ir desde o controle da movimentação de animais, até os testes laboratoriais para a identificação da doença e a desinfecção adequada.

Literatura Citada

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RICARDA MARIA DOS SANTOS

Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia.
Médica veterinária formada pela FMVZ-UNESP de Botucatu em 1995, com doutorado em Medicina Veterinária pela FCAV-UNESP de Jaboticabal em 2005.

JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

Médico Veterinário e professor da FMVZ/UNESP, campus de Botucatu

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EDIVALDO FAVERO

SALTO DO LONTRA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 13/10/2010

ola tenho muitos problemas com repetição de cio. o que poderia ser feito para que não repetisse.obrigado
RICARDA MARIA DOS SANTOS

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 05/10/2010

Prezado Luis Bernardo Mendes,
Você esta falando de bezerros de corte ou de leite?
Na maioria das vazes o problema maior é o manejo da criação. Existem as vacinas para serem feitas nas vacas para previnir diarréia dos bezerros, mas se o ambiente for muito desafiador não vão conseguir solucionar o problema.
A pessoa mais indicada para responder suas dúvidas sobre bezerros é a Dra. Carla Bittar que escreve no radar técnico sobre Animais Jovens.
Obrigada pela participação,
Ricarda.
RICARDA MARIA DOS SANTOS

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 05/10/2010

Prezado Ronaldo Mendonça dos Santos,
Muito obrigada pela correção. Já foi alterado no texto.
Um abraço, até mais,
Ricarda.
RONALDO MENDONÇA DOS SANTOS

UBERABA - MINAS GERAIS

EM 04/10/2010

Parabéns Dr. Ricarda pela explanção do artigo!
No segundo comentário após a introdução há um equívoco sobre mencionar que L.hardjo ser um agente viral.
Abortos causados por sorovares de Leptospirose que não o hardjo, por exemplo, podem ocorrer nas épocas do ano em que os animais têm mais acesso a ambientes frequentados por animais selvagens, que podem ser hospedeiros de manutenção. Por outro lado, uma vez que os bovinos são os hospedeiros definitivos da _ L. hardjo_ , os abortos podem ocorrer sempre que bovinos não infectados entram em contato com bovinos que estão excretando o VÍRUS.


Um forte amplexo,

____________________________________________________________
(34) 9932-9140 - Ronaldo Mendonça dos Santos

Colaborador: www.embryosys.com.br bovine reproduction
LUIS BERNARDO MENDES

SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 01/10/2010

olá tudo bem.
oque fazer para diminuir as diarréias de bezerros, tivemos anos bem piores no passado combatemos em todas as frentes que nos tivemos conhecimento, melhoramos muito mas mesmo assim ainda temos problemas com diarreia em bezerro, oque será que pode ser feito para reduzir este problema ao mínimo possível.desde já os meus agradecimento.
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