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Estratégias de manejo para aumentar a eficiência reprodutiva de vacas de leite

POR RICARDA MARIA DOS SANTOS

E JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

JOSÉ LUIZ M.VASCONCELOS E RICARDA MARIA DOS SANTOS

EM 29/03/2006

9 MIN DE LEITURA

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Introdução

A ineficiência reprodutiva de vacas de leite não é só uma fonte de frustração para proprietários e técnicos, é também responsável pela redução da lucratividade da atividade leiteira.

A inseminação artificial é uma das tecnologias mais importantes desenvolvidas na pecuária no último século, no entanto a ineficiência reprodutiva das vacas leiteiras reduz o impacto positivo da IA na atividade leiteira.

Por isso é importante entender os fatores que afetam a taxa de prenhez e os manejos que podem aumentar essa taxa.

A economia do intervalo entre partos

O momento da primeira inseminação pós-parto é essencial para reduzir os dias vazios e o intervalo entre partos.

Um programa reprodutivo bem conduzido aumenta a lucratividade da atividade leiteria por manter grande parte das vacas na fase mais produtiva da lactação (terço inicial).

Para maximizar a lucratividade dos rebanhos, geralmente se recomenda um intervalo entre partos de 13 meses. O uso do bST fez alguns especialistas em produção leiteira questionar a validade de se trabalhar com intervalo entre partos curtos e investigarem o conceito de estender esse intervalo.

Um estudo econômico feito nos EUA, mostrou que mesmo com a utilização do bST, intervalos entre partos maiores que 13 meses resultam em decréscimo no retorno anual por vaca, este foi apenas um estudo preliminar, novos estudos tem que ser feito para investigar a viabilidade de se estender o intervalo entre partos quando se utiliza bST.

Tabela 1. Retorno anual por vaca em um rebanho leiteiro com diferentes intervalos entre partos.

 


Foi considerado para esse modelo:

- Pico de lactação com 8 semanas = 45,9Kg;
- Produção média em 305 dias = 12.145Kg;
- Taxa de redução da produção a partir do pico = 0,1844%;
- Início do tratamento com bST = 63 dias em lactação;
- Resposta inicial ao bSt = 3,6Kg;
- Período seco = 56 dias;
- Lactação por vaca antes do descarte = 3;
- Custo de reposição = U$1400,00
- Valor da vaca descarte = U$450,00
- Valor da bezerra = U$100,00
- Preço do leite = U$0,29/Kg

Intervalo entre partos

Para cada vaca do rebanho o intervalo entre partos pode ser dividido em quatro intervalos:

1 - Período voluntário de espera (PVE) = período do parto até a liberação para a primeira cobertura;

2 - Intervalo do final do PVE até a primeira cobertura;

3 - Intervalo da primeira cobertura até a concepção;

4 - Período de gestação.

Como todas as vacas passam por essas fases, cada uma delas representa uma oportunidade de manejo para se reduzir o intervalo entre partos, exceto o período de gestação.

Entendendo os fatores que regulam a duração de cada uma dessas fases, estratégias podem ser adotadas para se reduzir a duração de cada uma.

Período voluntário de espera (PVE)

Como o nome já indica que esse período depende de uma decisão de manejo, que geralmente varia de 40 a 70 dias. O PVE é composto por parte do período de transição imediatamente após o parto, fase com risco significativo para a saúde e a produção da vaca.

Nesta fase geralmente as vacas passam por desordens como: retenção de placenta, metrite, cetose, deslocamento de abomaso e cisto ovariano. Recentes avanços no manejo de transição com dietas adequadas, monitoramento da motilidade do rúmen e da temperatura corporal tem minimizado essas complicações.

Os principais eventos que ocorrem durante o PVE são: início da lactação, involução uterina, primeira ovulação pós-parto e início da ciclicidade.

Para a maioria das vacas a decisão de duração do PVE é individual, baseado no dia do cio de cada vaca, pois se uma vaca entre em cio com 50 DPP (dias pós-parto) e o PVE é de 60 dias, normalmente esta é inseminada, por medo de que o próximo cio não seja detectado, ou seja, detectado muito depois. Este risco realmente existe devido às falhas de detecção de cio e a baixa expressão de cio das vacas de leite.

Intervalo do final do PVE até a primeira cobertura

Quando a vaca termina o PVE ela esta apta a receber a primeira IA. Esse período do final do PVE até a primeira cobertura varia muito entre as vacas de um rebanho.

Algumas vacas recebem a primeira IA perto do final do PVE, enquanto outras esperam períodos maiores até a primeira IA por diversas razões, e provavelmente a maior delas é a falha na detecção do cio.

Em rebanhos em que a IA é feita baseada só na detecção visual do cio, esse período é determinado pela eficiência de detecção de cio e não por questões fisiológicas das vacas.

Baseado em considerações utópicas:

1 - Toda vaca do rebanho deveria ser inseminada no final do PVE;

2 - Duração do ciclo estral é de 21 dias;

3 - Detecção do cio é de 100%, a média de duração desse período deveria ser de 10,5 dias.

Mas em condições reais esse período é muito maior, por diversas razões. Um estudo realizado nos EUA mostrou que 28% das vacas de alta produção com 60 dias pós-parto não estão ciclando, então no final do PVE um terço das vacas ainda não mostraram cio.

A duração do ciclo estral das vacas de alta produção é em média 24 dias. A eficiência da detecção de cio é estimada em menos de 50% em fazendas leiteiras.

A ineficiência na detecção de cio não só aumenta o intervalo entre o final do PVE e a primeira IA como aumenta o intervalo entre as inseminações.

Intervalo da primeira IA até a concepção

O intervalo da primeira IA até a concepção representa a taxa de prenhez, ou seja, a velocidade em que a vaca fica gestante. Esse intervalo varia muito entre vacas do mesmo rebanho.

Dois fatores determinam a taxa de prenhez:

1 - Taxa de concepção;
2 - Taxa de detecção de cio ou taxa de serviço.

Algumas vacas ficam gestantes na primeira IA, mas a maioria precisa de várias inseminações.

A fertilidade das vacas leiteiras de alta produção é baixa, e é um dos fatores responsáveis pela baixa eficiência reprodutiva dos rebanhos. Como é muito difícil alterar a taxa de concepção do rebanho o caminho para se reduzir o intervalo entre a primeira IA e a concepção é aumentar a taxa de serviço.

Taxa de serviço é definida como a porcentagem de vacas aptas a serem inseminadas no período de 21 dias que são realmente inseminadas. A taxa de serviço é reflexo da taxa de detecção de cio, pois para a vaca ser inseminada, tem que ser detectada em cio antes.

O aumento da taxa de detecção de cio de 35% para 50% reduz a média dos dias vazios de 136 para 119 dias. Estratégias para reduzir o intervalo entre o final do PVE e a concepção com certeza trazem benefícios econômicos para a atividade leiteira.

Gestação

A média de duração da gestação de vacas Holandesas é de 282 dias, mas pode variar bastante entre vacas. Muitos fatores afetam a duração da gestação. Vacas com gestação gemelar, por exemplo, podem ter uma redução de 6 a 10 dias. Apesar de existir essa variação na duração da gestação esse é um dos períodos que compõem o intervalo entre partos no qual não podemos interferir.

Normalmente um manejo reprodutivo de qualidade média resulta em intervalo entre partos maior que os 13 meses preconizados para se obter maior retorno econômico por vaca no rebanho e fazendas com dificuldades no manejo reprodutivo apresentam intervalo entre partos maiores que 18 meses.

Tabela 2: Intervalo entre partos previsto para rebanhos leiteiros com manejo reprodutivo de qualidade média ou ruim.

 


*Basedo em taxa de serviço de 50% para o manejo reprodutivo médio e 30% para o ruim.
**Basedo em taxa de serviço de 50% e taxa de concepção de 40% para o manejo reprodutivo médio e 30% e 40% para o ruim.

Estratégia de Manejo Reprodutivo Agressivo

Alcançar a eficiência reprodutiva adequada pode ser difícil, novas ferramentas de manejo podem ser usadas para aumentar a eficiência reprodutiva e atingir intervalos entre partos rentáveis em rebanhos leiteiros.

O Manejo Reprodutivo Agressivo é composto de duas estratégias:

1- Aumentar taxa de prenhez aumentando taxa de serviço;

2- Identificar vacas vazias precocemente e adotar estratégias para que sejam re-inseminadas o mais cedo possível (re-sincronização).

Estas estratégias estão focadas em reduzir a duração do intervalo entre partos, pela eliminação do período do final do PVE até a primeira IA e reduzir o intervalo da primeira IA até a concepção.

Eliminando o intervalo do final do PVE até a primeira IA

Este intervalo é muito dependente da taxa de observação de cio. Protocolos de sincronização e IA em tempo fixo (IATF) podem reduzir e até mesmo eliminar esse período.

Em um estudo onde foi comparado manejo reprodutivo tradicional (uso periódico de PGF2&alfa; com detecção de cio de manhã e de tarde) e manejo reprodutivo com protocolo de IATF.

Nos dois grupos o PVE era de 50 dias. No manejo tradicional 30% das vacas não tinham sido inseminadas até 100 DPP e no grupo IATF todas as vacas receberam a primeira IA 7 dias após PVE.

Os resultados desse estudo mostram os benefícios de se fazer a primeira inseminação após o final do PVE com protocolos de IATF, eliminado o intervalo entre o final do PVE e a primeira IA, conseqüentemente, reduzindo o intervalo entre partos.

Aumentando a taxa de serviço e a taxa de prenhez

O uso de protocolos de IATF aumenta a taxa de prenhez por aumentar a taxa de serviço. A taxa de serviço é aumentada no protocolo e IATF porque vacas liberadas para a IA são rotineiramente inseminadas, independente da eficiência de detecção de cio.

Identificando as vacas vazias precocemente e re-sincronizando (inseminado as vacas novamente o mais rápido possível)

Tradicionalmente o diagnóstico de gestação é feito de 35 a 45 dias após a cobertura, por palpação retal. A ultra-sonografia permite o diagnóstico a partir de 28 dias, dando agilidade ao manejo reprodutivo.

A identificação de vacas vazias precocemente aumenta a eficiência reprodutiva e a taxa de prenhez por reduzir o intervalo entre as inseminações e aumentar a taxa de serviço.

O manejo reprodutivo agressivo consiste no exame e início do protocolo de IATF em todas as vacas no final do PVE. Isso reduz ou elimina o período entre o final do PVE e a primeira IA.

No dia 28 depois da IATF, a gestação é diagnosticada por ultra-sonografia e as vacas vazias são novamente sincronizadas, assim o intervalo médio entre as inseminações fica em torno de 39 dias.

Num manejo reprodutivo mais agressivo ainda o protocolo de IATF pode ser iniciado antes do diagnóstico de gestação.

Tabela 3: Intervalo entre partos previsto para rebanhos leiteiros com manejo reprodutivo agressivo.

 


* Baseado na taxa de concepção de 40% e identificação precoce das vacas vazias e re-sincronização.

Conclusão

Eficiência reprodutiva e rentabilidade são máximas quando o intervalo entre partos é de aproximadamente 13 meses num rebanho de leite, infelizmente a maioria dos manejos reprodutivos excedem as metas dos 13 meses.

Novas ferramentas de manejo reprodutivo como a IATF e a ultra-sonografia podem ser utilizadas efetivamente para se atingir a eficiência reprodutiva e a lucratividade desejada.

Este texto é parte de um artigo publicado por Paul M. Fricke, no site da Universidade de Wisconsin.

RICARDA MARIA DOS SANTOS

Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia.
Médica veterinária formada pela FMVZ-UNESP de Botucatu em 1995, com doutorado em Medicina Veterinária pela FCAV-UNESP de Jaboticabal em 2005.

JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

Médico Veterinário e professor da FMVZ/UNESP, campus de Botucatu

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ANTÔNIO CORDEIRO COSTA JÚNIOR

ÁGUAS BELAS - PERNAMBUCO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 02/09/2006

Muito bom. Geralmente não se dá a devida atenção ao período entre partos, e as sugestões colocadas pelos autores para reduzir este período, aumentando a lucratividade na produção de leite através da IATF, entre outras, deve ser buscado.
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