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Dicas para aumentar o sucesso da IA - Parte 1

POR RICARDA MARIA DOS SANTOS

E JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

JOSÉ LUIZ M.VASCONCELOS E RICARDA MARIA DOS SANTOS

EM 16/06/2008

7 MIN DE LEITURA

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Este texto é parte da palestra apresentada pelo Dr. Tom Geary, no XII Curso de Novos Enfoques na Reprodução e Produção de Bovinos, realizado em Uberlândia em março de 2008.

Numerosos fatores contribuem para o sucesso de um programa de IA. Os quatro principais componentes que afetam a taxa de prenhez com IA: 1. Porcentagem de vacas detectadas no cio e inseminadas, 2. Eficiência do inseminador, 3. Nível de fertilidade do rebanho, 4. Nível de fertilidade do sêmen. Se obtivermos um excelente sucesso (90%) em 3 das 4 categorias, acoplado com IA em tempo fixo (100% das vacas inseminadas), deveremos ter uma taxa de prenhez com IA de 73% (Tabela 1).

Entretanto, se apenas um ou dois destes fatores estiver menor do que ótimo (70%), as taxas de prenhez com IA podem cair muito rapidamente (Tabela 1). Em cada um destes fatores, a atenção para com os detalhes é importante para a obtenção de altas taxas de prenhez. Com a IA, assumimos o papel do touro e precisamos direcionar os nossos esforços para que cada uma das vacas do rebanho seja coberta e emprenhe. Apresentamos abaixo algumas das pequenas coisas que podem melhorar as nossas chances de obter altas de taxas de prenhez de forma consistente.

Tabela 1. Equação de reprodução com dois exemplos que ajudam a visualizar os componentes que afetam o sucesso, ou a falta de sucesso, dos programas de IA.


Porcentagem de Vacas Detectadas em Estro e Inseminadas

A porcentagem de fêmeas inseminadas em um rebanho depende da eficiência e exatidão da detecção do cio, bem como da porcentagem de fêmeas que estão ciclando. Desenvolvimento adequado, genética, bom estado sanitário do rebanho, nutrição adequada, idade e intervalo de tempo desde a parição irão determinar a porcentagem de novilhas e vacas que estão ciclando. Enquanto as fêmeas podem ser individualmente identificadas, a nossa exatidão na detecção de cio é geralmente bastante elevada. Contudo, a nossa eficiência na detecção de cio (capacidade de detectar todos os cios com exatidão) pode variar bastante entre as operações, e depende da intensidade e duração do comportamento estral apresentado pela vaca e também do tempo que despendemos observando as vacas para determinar os sinais de estro.

Devido aos problemas inerentes à detecção de cio em bovinos Bos indicus, muitas fazendas passaram a adotar a IA em tempo fixo. Entretanto, esta pode não ser a melhor solução para todos os casos e pode ser muito cara se uma das outras variáveis estiver muito baixa.

A sincronização de estro aumenta o comportamento estral entre as vacas e aumenta a nossa eficiência na detecção de cio. Quando os ciclos estrais de vacas de corte são sincronizados, há pelo menos uma duplicação do número médio de vezes, por cio, que uma vaca permanece em posição para ser montada (Tabela 2; Whittier et al., 1996). Além disso, a duração média do estro (definida como o intervalo de tempo entre a primeira e a última vez que a vaca fica em posição para ser montada) aumenta de 8 para 12 horas. Assim, as vacas passam uma média de apenas 99 e 168 segundos apresentando este comportamento de aceitação da monta (cio natural e sincronizado, respectivamente, Tabela 2) a cada vez que estão em estro. Não causa surpresa que tantos cios passem desapercebidos. A conseqüência é que as vacas cujos ciclos estrais são sincronizados passam 40% mais tempo em cada ciclo estral apresentando sinais de estro. E assim temos uma probabilidade 40% maior de detectar as vacas que estão no cio.

Em outro estudo, HeatWatch foi usado para a detecção de estro em 500 vacas Angus que foram sincronizadas seguindo o protocolo Select Synch. Neste estudo, a duração do estro foi de 10 horas em média (variando de 0,5 a 24 horas) e 26% das vacas apresentaram estro por um período inferior a 7 horas e tiveram menos do 1,5 montas por hora (Rorie et al., 2002). A duração média do estro em novilhas e vacas Bos indicus foi de 10,9 horas e o intervalo desde o início do estro até a ovulação foi de 26,6 horas (Pinheiro et al., 1998). A sincronização do estro diminui o número de dias em que precisamos observar as vacas quanto à presença de sinais de estro, e assim fica mais fácil alocar tempo suficiente para esta importante tarefa.

Tabela 2. Intensidade do comportamento estral de cios naturais e sincronizados em vacas de corte.


Em comparação entre estro sincronizado e estro natural, 10% menos vacas apresentaram o estro durante as horas de escuridão quando os seus ciclos estrais estavam sincronizados (Tabela 3; Whittier et al., 1996). Por causa da tendência das vacas Bos indicus apresentarem estro durante a noite (Pinheiro et al., 1998; Baruselli et al., 2004), o uso de recursos para ajudar a detectar o estro como Bovine Beacon, Estrotect, adesivos Kamar ou até tinta na cauda podem mostrar-se benéficos. Detecção por 30 minutos de manhãs e a tarde resultou em não detecção de 80% dos cios naturais, enquanto que apenas 22% dos cios sincronizados não foram detectados (Whittier et al., 1996). Assim, uma combinação de fatores associados à sincronização do estro melhora a nossa capacidade de detectar as vacas em estro.

Como nem todos os protocolos de sincronização de estro são iguais, deve-se escolher o programa mais adequado para cada operação. Além disso, o intervalo médio da administração de PGF do protocolo de sincronização até o início do estro é conhecido para a maioria dos protocolos, assim os produtores podem tirar proveito deste conhecimento e utilizar os tratamentos de forma que maioria dos cios sincronizados ocorram durante o dia, quando a observação do estro é facilitada.

Tabela 3. Horário do dia em que as vacas apresentaram estro quando os cios eram espontâneos (natural) ou sincronizados, conforme determinado pelo sistema eletrônico de detecção de estro HeatWatch (Whittier et al., 1996).


A eficiência da detecção de cio aumentou quando mais tempo foi despendido observando as vacas quanto à presença de sinais de estro e resultou em taxas mais altas tanto de concepção na IA como de prenhez. A detecção eletrônica de cio (HeatWatch) foi usada para avaliar os efeitos da observação intensiva de sinais de estro nas vacas em relação à observação casual (Geary et al., 2000). A detecção intensiva de cio foi definida como 2 horas de detecção de cio todas as manhãs e tardes e uma hora adicional de detecção de cio em torno do meio-dia. A detecção casual foi definida como a observação das vacas todas as manhãs e tardes durante aproximadamente 30 minutos. As vacas dos dois grupos, observação intensiva e casual, eram do mesmo rebanho, tinham sido sincronizadas usando o mesmo protocolo e cobertas pelo mesmo técnico. A detecção intensiva de cio aumentou a porcentagem de vacas observadas em estro em 30%.

Como resultado de uma detecção mais precisa e eficiente, as taxas de concepção foram 20% maiores e as taxas de prenhez duplicaram (Figura 1). As taxas de concepção mais elevadas entre as vacas observadas de forma intensiva podem ter sido o resultado de um momento mais apropriado de IA em relação à ovulação. Neste estudo, o sistema eletrônico de detecção de cio não foi mais eficiente do que a observação visual do estro para a identificação de vacas no cio. Precisamos lembrar que os meios auxiliares para a detecção de cio podem ser usados para aumentar a eficiência da nossa detecção, mas não para substituir a observação visual intensiva.

Gráfico 1. Efeitos da observação de estro intensiva (2 horas de manhã e à tarde e 1 hora em torno do meio-dia) em relação à observação casual (30 minutos pela manhã e à tarde) sobre a taxa de sincronização, taxa de concepção e taxa de prenhez com IA em vacas de corte.


Quando for observado que uma vaca está no cio, ela deve ser removida do restante do rebanho o mais cedo possível.

Todos nós aprendemos a deixar as vacas no cio com o restante do rebanho para que formem grupos sexualmente ativos que nos ajudam a encontrar outras vacas no cio. Sabemos agora que estas vacas desviam a nossa atenção da detecção de outras vacas no cio de duas formas. Primeiro, quando estamos fazendo a detecção de cio, cada vez que uma vaca fica em posição de aceitação de monta procuramos anotar seu número. Se a vaca que estiver sendo montada é um indivíduo que já identificamos como estando no cio, então nos distraímos e não estamos observando outras vacas. Segundo, há sempre algumas vacas tímidas que evitam o empurra-empurra que acompanha o comportamento estral, e muitas vezes passam pelo estro sem serem detectadas. É mais provável que as vacas tímicas apresentem comportamento estral quando a vaca no estro dominante é retirada.

Ajuda bastante separar as vacas no cio em um curral adjacente ao pasto onde você está fazendo a detecção, porque as vacas tímidas e as que estão entrando em estro geralmente procuram entrar nesta área separada para ficar com as vacas no cio. Fica bastante fácil identificar estas vacas e separá-las à medida em que seu cio for sendo detectado. O único momento em que se deve considerar a possibilidade de deixar as vacas que estão no cio no pasto para ajudar a identificar outras vacas no cio seria quando a sincronização de cio não estiver sendo usada ou quando se espera que menos do < 5% das vacas estejam no cio por dia.

RICARDA MARIA DOS SANTOS

Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia.
Médica veterinária formada pela FMVZ-UNESP de Botucatu em 1995, com doutorado em Medicina Veterinária pela FCAV-UNESP de Jaboticabal em 2005.

JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

Médico Veterinário e professor da FMVZ/UNESP, campus de Botucatu

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ADILTON FERRAZ DA SILVA

SALVADOR - BAHIA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/03/2009

Dr. Leandro!
Sabemos que existem algumas fazendas, inclusive de grandes rebanhos, que adotam I.A. só em um periodo do dia, ou seja, a vaca que apresentar o cio hoje será inseminada amanhã pela manhã, o que o Sr. acha deste metodo?.
Att
Adilton Ferraz
RICARDA MARIA DOS SANTOS

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 20/01/2009

Prezado Ricardo José,
Obrigada pela participação!
Não temos recomendado a inseminações na madrugada. Recomendamos que as vacas que deram cio na tarde do dia anterior sejam inseminadas na manhã do dia seguinte, o mais cedo possível, mas não de madurgada.
Até mais,
Ricarda.
RICARDO JOSÉ DA COSTA SILVA

CEARÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 20/01/2009

Bom dia,
Parabens pelo artigo.

Bom, queria que você abordasse sobre as inseminações na madrugada, eu tenho de certa forma ido contra este horário, mas alguns relutam, pois até ja existem meios para evitar.

Ricardo
RICARDA MARIA DOS SANTOS

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 23/06/2008

Prezado Leandro,
Obrigada pela participação.

Temos usado os seguintes protocolos

Vacas mestiças mantidas a pasto:
dia 0 - aplicação de 2 ml de BE + inserção do CIDR
dia 7 - aplicação de prostaglandina
dia 9 - retirada do CIDR + aplicação de 0,5ml de ECP + 200 UI eCG

Depois da aplicação do ECP observa-se o cio, e as vacas são inseminadas 12 horas após a detecção do cio, as vacas que não são detectadas em cio são inseminadas 48 horas após a aplicação do ECP.

Vacas Holandesas confinadas de maior produção:
dia 0 - aplicação de 1 ml de Fertagyl + inserção do CIDR
dia 7 - aplicação de prostaglandina e retirada do CIDR
dia 8 - aplicação de 0,5ml de ECP

Depois da aplicação do ECP observa-se o cio, e as vacas são inseminadas 12 horas após a detecção do cio, as vacas que não são detectadas em cio são inseminadas 48 horas após a aplicação do ECP.

Obrigada,
Ricarda.
LEANDRO SILVEIRA DE LIMA

ALEGRETE - RIO GRANDE DO SUL - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 21/06/2008

Boa tarde,

Gostei do artigo, pois mostrou com clareza os principais pontos chaves da inseminação artificial e que, com o uso da sincronização de estro, podemos ter um excelente aumento nas taxas de reprodução de um rebanho.

Sabe-se que existem vários protocolos de sincronização, gostaria de saber quais protocolos estão tendo os melhores resultados para bovinos de leite.

Parabéns pelo artigo,
Leandro

<b>Resposta da autora</b>

Prezado Leandro,
Obrigada pela participação.

Temos usado os seguintes protocolos

Vacas mestiças mantidas a pasto:
dia 0 - aplicação de 2 ml de BE + inserção do CIDR
dia 7 - aplicação de prostaglandina
dia 9 - retirada do CIDR + aplicação de 0,5ml de ECP + 200 UI eCG

Depois da aplicação do ECP observa-se o cio, e as vacas são inseminadas 12 horas após a detecção do cio, as vacas que não são detectadas em cio são inseminadas 48 horas após a aplicação do ECP.

Vacas Holandesas confinadas de maior produção:
dia 0 - aplicação de 1 ml de Fertagyl + inserção do CIDR
dia 7 - aplicação de prostaglandina e retirada do CIDR
dia 8 - aplicação de 0,5ml de ECP

Depois da aplicação do ECP observa-se o cio, e as vacas são inseminadas 12 horas após a detecção do cio, as vacas que não são detectadas em cio são inseminadas 48 horas após a aplicação do ECP.

Obrigada,
Ricarda.
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