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NRC 2021 sobre o perfil de ácidos graxos: quando utilizar para vacas em lactação

FAMÍLIA DO LEITE

EM 07/07/2022

4 MIN DE LEITURA

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Atualizado em 25/06/2022

O termo gordura consiste em definição genérica usada para compostos que possuem ácidos graxos de cadeia longa, podendo ser classificados como saturados (todos os carbonos com ligações simples), ou insaturados (com uma ou mais ligações duplas entre átomos de carbono).

A gordura, um importante componente do leite, pode ser constituído por mais de 400 diferentes ácidos graxos (AG) e estes podem vir da dieta das vacas, do tecido adiposo (recorrente em vacas pós parto) ou ser sintetizada na própria glândula mamária por meio da síntese de novo.

A glândula mamária é capaz de sintetizar os AG menores como C4:0, C6:0, C8:0, C12:0, C14:0 e C16:0, sendo os demais provenientes majoritariamente da dieta. O ácido graxo C16:0 pode estar presente no leite em maior quantidade, entre 30 a 50%, sendo este AG proveniente da dieta.

A suplementação lipídica geralmente não ultrapassa 6-7% da MS da dieta, considerando que o valor de combustão da gordura como combustível fisiológico é de 9,0 Mcal/kg, equivalente a cerca de 2,25 a energia de carboidratos e da proteína, porém isso depende da digestibilidade de cada fonte de gordura para que ela seja absorvida e fique a disposição para ser metabolizada (energia metabolizável).

Suplementar a dieta das vacas com gordura pode permitir maior aporte de energia para a síntese de leite e de seus componentes, especialmente a gordura do leite, mesmo quando ocorre queda no consumo de matéria seca promovendo a otimização energética dos animais até em períodos de mudanças fisiológicas em que há alta exigência de energia.

As fontes de gordura utilizadas nas rações de vacas leiteiras variam tanto em características físicas quanto em químicas e podem afetar a sua digestibilidade; sendo elas óleos como oléo de soja, girassol, etc, sementes de oleaginosas in natura ou extrusadas, ácidos graxos peletizados e sais de cálcio de ácidos graxos.

Alguns ácidos graxos são considerados essenciais para os mamíferos, porque as células não têm condições de sintetizá-los. O ácido linoleico (C18:2 n6) e ácido linolênico (18:3 n3), conhecidos como ômega 6 e ômega 3 respectivamente, podem apresentar limitações para bovinos devido a absorção intestinal dos ácidos graxos poliinsaturados mencionados acima que é o processo de biohidrogenação ruminal.

De maneira geral, a biohidrogenação ruminal dos ácidos graxos ocorre para transformá-los de insaturado a saturado, possibilitando a absorção sem toxicidade aos microrganismos presentes no rúmen, daí os AG ômega 6 e ômega 3 podem oferecer problemas para a saúde ruminal das vacas quando fornecidos na forma não protegido. No entanto, possuem efeitos diretos, sendo capazes de modular as respostas inflamatórias, melhorando a imunidade das vacas, como o ômega 3.

Já o ômega 6 é conhecido por melhorar aspectos reprodutivos, pois é capaz de aumentar o tamanho do folículo dominante e estimular a síntese de progesterona, sendo o grão de soja cru integral um importante representante deste AG na dieta.

Embora seja uma fonte de energia viável na alimentação de ruminantes ainda é preciso considerar o custo da suplementação com gorduras protegidas. Nesse sentido, pensamos em utilizar dessa alternativa em animais que vão nos responder de forma positiva em produção de leite, como vacas em pico de lactação, ou em casos que o laticínio ofereça ao produtor bonificação por gordura acima da média nacional.

É importante ressaltar que de nada adianta utilizar dessa estratégia se os manejos primários não estiverem sendo realizados corretamente, como por exemplo, pré e pós dipping bem como higiene de ordenha, animais em conforto térmico, observação de cio, etc.

O NRC (2021) sugere trabalhar com a soma das insaturações (dos AG C18:1, C18:2 e C18:3), onde a soma não deverá passar de 2% da soma total dos AG da dieta como margem de segurança, especialmente quando utilizados formas não protegidas na dieta. Essas recomendações não estão definidas no novo sistema, mas podem ser encontradas em alguns trabalhos científicos.

Além destes, o teor de amido fermentável na dieta é um fator a se considerar, quanto maior seu teor mais baixo será o pH, podendo resultar na biohidrogenação incompleta do C18:2, formando o CLA trans 10 cis 12, que poderá ocasionar efeitos negativos como a diminuição da gordura do leite, por reduzir enzimas responsáveis pela síntese de novo na glândula mamária e a expressão de genes lipogênicos.

Dessa forma, devemos considerar a utilização de aditivos tamponantes que estabilizam o pH ruminal e diminui os efeitos negativos da inclusão da gordura em cenários com muito amido.
 

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Autoras

Milena Bugoni - Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia-Universidade de São Paulo
Nathália T. S. Grigoletto - Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia-Universidade de São Paulo
Polyana Pizzi Rotta - Universidade Federal de Viçosa

 

Referências:

BARLETTA, R. V.; GANDRA, J. R.; FREITAS JUNIOR, J. E.; ERDURICO, L. C.; MINGOTI, R. D.; BETTERO, V. P.; BENEVENTO, B. C.; VILELA, F. G.; RENNÓ, F. P. High levels of whole raw soya beans in dairy cow diets: digestibility and animal performance. Journal of Animal Physiology and Animal Nutrition, v. 1, p. 1179-1190, 2015.

BAUMAN, D. E.; GRIINARI, J. M. Regulation and nutritional manipulation of milk fat: lowfat milk syndrome. Livestock Production Science, v. 70, p. 15–29, 2001.

CHILLIARD, Y.; GLASSER, F.; FERLAY, A.; BERNARD, L.; DOREAU, M. Diet, rumen biohydrogenation and nutritional quality of cow and goat milk fat, Europe Journal Science Technology, v.109, p. 828-825, 2007.

NASEM. NATIONAL ACADEMIES OF SCIENCES ENGINEERIG MEDICINE. Nutrient requirements of dairy cattle. 8. ed. Washinton, D.C.: National Academic Press, 2021. 482 p.

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