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Suplementação de monensina na dieta de vacas leiteiras: existe uma dose ideal?

POR ANA CAROLINA OLIVEIRA RIBEIRO

E POLYANA PIZZI ROTTA

FAMÍLIA DO LEITE

EM 31/08/2023

4 MIN DE LEITURA

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Desde a década de 50 a inclusão de aditivos alimentares é adotada como estratégia nutricional em dietas de vacas leiteiras para manipular a fermentação ruminal (BEESON E PERRY, 1952). Os aditivos alimentares são divididos em não ionóforos e ionóforos, sendo os ionóforos os mais utilizados e estudados pelos pesquisadores.

A monensina faz parte do grupo dos ionóforos, trata-se de um antibiótico produzido pela Streotomyces cinnamonensis. Conhecida por ser o aditivo da classe mais utilizada na dieta de ruminantes, ela atua sobre as bactérias Gram–positivas, influenciando na fermentação ruminal e gerando um aumento na produção de propionato e redução nas concentrações do acetato e butirato. O propionato é metabolizado em glicose, portanto, há um incremento no aporte de energia para a síntese do leite, resultando em maior produção de precursores responsáveis pelo volume de leite prodizido.

Além da influência na produção de leite, muitas pesquisas foram realizadas avaliando o efeito da inclusão de monensina sobre a digestibilidade dos nutrientes, redução na produção de metano e prevenção de doenças metabólicas. Devido a essa gama de estudos, diferentes doses ideais de monensina são recomendadas. Além disso, a frequente presença desse aditivo na dieta dos animais tem sido um fator preocupante sobre o desenvolvimento de cepas bacterianas resistentes, sendo uma importante questão sanitária.

Sendo assim, recentemente Ahvanooei at al. (2023) publicaram um artigo numa importante revista científica em forma de meta análise para estabelecer os efeitos de diferentes doses entre a suplementação de monensina e o desempenho de vacas leiteiras e a composição do leite.

Primeiramente, os autores fizeram uma pesquisa bibliográfica em várias bases científicas. Após realizarem algumas exclusões que estão descritas na Figura 1, os autores utilizaram 48 artigos para meta-análise.

Figura 1. Fluxograma do processo de busca, identificação e triagem da literatura para seleção de estudos. 


Fonte: Adaptado Ahvanooei et al. (2023). 1Exclusão baseada nos critérios de seleção: estudos conduzidos entre 2000 e 2001, o estudo utilizou um grupo controle sem suplementação de monensina, o estudo relatou os valores médios e o erro associado.

Após a realização das análises, os autores apresentaram os resultados da suplementação em diferentes doses (mg/kg MS) sobre o consumo de matéria seca (CMS), produção de leite e outras variáveis (Figura 2). Essas informações gerais demonstraram que a suplementação de monensina influenciou principalmente o CMS e a produção de leite.

Figura 2Revisão pré meta-análise. 


Fonte: Adaptado Ahvanooei et al. (2023).

Como mencionado, a inclusão de monensina possui grandes efeitos sob o consumo de matéria seca e a produção de leite. Os resultados nos mostram que na suplementação em doses de até 22 mg/kg/MS os animais não sofreram queda no consumo. Em relação a produção de leite a dose ideal encontrada que maximiza a produção do animal foi de 12,61 mg/kg/MS.

Os componentes do leite também apresentaram influência da suplementação de monensina, a gordura reduziu conforme se aumentou as doses do aditivo, esse efeito pode ser explicado como consequência do efeito de diluição devido ao aumento da produção de leite ou pela queda do acetato, que é um precursor da gordura do leite. O rendimento da proteína do leite foi aumentado em todas as doses de monensina e uma dose de 13,87 mg/kg/MS foi o suficiente para maximizar seu rendimento. Além disso, foi verificado uma tendência no aumento do teor de lactose do leite em doses variando de 16 a 96 mg/kg/MS, em função da monensina aumentar a produção de propionato do rúmen, esse ácido graxo é um importante precursor de glicose, sendo assim, haverá maior síntese de glicose e lactose, gerando consequentemente maior produção de leite.

A suplementação em doses de 13 a 30 mg/kg/MS também aumentou a concentração de nitrogénio ureico no leite (NUL). Esse aumento também foi observado em vários trabalhos, sendo essa maior concentração do NUL oriunda da queda da degradação de proteína microbiana, em função do aumento do fluxo de proteína não degradada no intestino delgado, proporcionando maiores concentrações de aminoácidos dietéticos absorvidos.

Sendo assim, essa meta-análise concluiu que a dose ótima de suplementação de monensina seria de 16 mg/kg/MS, colocando esse valor em números práticos, de acordo com estimativas feitas pelo NASEM (2021), uma vaca Holandesa plurípara, com 700 kg de peso corporal, produzindo 35 kg de leite/dia aos 150 dias em lactação, ingere 24,8 kg/MS/dia, portanto, a suplementação de monensina para atender o consumo desse animal seria de 396,8 mg/dia. Desta forma, essa recomendação abre portas para maiores discussões entre os nutricionistas, pois proporciona alternativas para estabelecer maior precisão nas dietas formuladas, maximizando o uso dos ingredientes e direcionando novos trabalhos científicos.

 

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Referências Bibliográficas

BEESON, We Mo; PERRY, T. W. Balancing the nutritional deficiencies of roughages for beef steers. Journal of Animal Science, v.11, n.3, p.501-515, 1952.

NASEM, 2021. Nutrient Requirements of Dairy Cattle: 8th rev. ed. The National Academies Press, Washington, DC.

REZAEI AHVANOOEI, M.R et al. Effects of monensin supplementation on lactation performance of dairy cows: a systematic review and dose – response meta-analysus. Scientific Reports, v.13, n.1. p.568, 2023.

ANA CAROLINA OLIVEIRA RIBEIRO

POLYANA PIZZI ROTTA

Professora de Produção e Nutrição de Bovinos de Leite da UFV e coordenadora do Programa Família do Leite

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