Recomendações para Avaliação de Aditivos Alimentares Entéricos com Potencial de Mitigação de Metano em Ruminantes

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O texto aborda o aumento do interesse em reduzir a emissão de metano por ruminantes, responsável pelo efeito estufa e perda de energia. Aditivos Mitigadores de Fermentação Entérica (AMFA) são desenvolvidos para esse fim. A eficácia dos aditivos depende de fatores como espécie, idade, dieta e sistema de criação dos animais. Métodos de teste e medição do metano são discutidos, destacando a importância de estudos bem planejados para avaliar os impactos na saúde e produtividade dos animais.

Nos últimos anos, cresceu o interesse em encontrar formas de reduzir a emissão de metano pelos animais ruminantes, como vacas, búfalos, ovelhas e cabras. Esse gás é um dos grandes responsáveis pelo efeito estufa e, além disso, representa uma perda de energia para o animal, ou seja, menos aproveitamento dos alimentos que ele consome.

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Por isso, vêm sendo desenvolvidos os chamados Aditivos Mitigadores de Fermentação Entérica (AMFA) – substâncias adicionadas à alimentação dos animais para diminuir a liberação de metano sem prejudicar a saúde ou a produtividade. No entanto, para garantir que esses produtos realmente funcionem, é essencial saber como planejar e avaliar os testes feitos com os animais.

 

O que considerar antes de iniciar um estudo

Para avaliar um aditivo, precisamos levar em conta a espécie do animal, sua idade e a fase de vida em que ele está.

  • Animais jovens (0 a 6 meses) ainda estão formando sua flora intestinal, então é mais fácil influenciar a produção de metano.

  • Já em animais adultos, essa flora está mais estável, e mudanças só ocorrem com aditivos muito eficientes ou mudanças grandes na alimentação.

  • Além disso, diferentes fases da produção (por exemplo, início da lactação ou engorda) podem afetar o quanto de metano o animal emite.

Por isso, é essencial testar os aditivos nas mesmas condições em que eles serão usados na prática, respeitando o tipo de alimentação e o sistema de criação (como confinamento ou pasto).

 

Como organizar o experimento

Antes de começar o estudo, é importante:

  • Dividir os animais em grupos semelhantes quanto à raça, idade, produção de leite, etc.

  • Observar os animais por 2 a 3 semanas antes do experimento, para entender como eles se comportam naturalmente.

  • Calcular o número mínimo de animais necessários, para que os resultados sejam confiáveis. Isso depende da precisão do equipamento que mede o metano e da expectativa de redução.

 

Tipos de estudo que podem ser feitos

O tipo de experimento depende do objetivo e da estrutura disponível:

  • O crossover usa poucos animais e é econômico, mas não serve para ver efeitos a longo prazo.

  • O quadrado latino permite testar vários aditivos ao mesmo tempo.

  • O delineamento contínuo é ideal para ver se o efeito do aditivo continua por muito tempo, mas exige mais animais e cuidados.

Se o objetivo for apenas ver se o aditivo funciona, um estudo de curto prazo pode ser suficiente. Mas se quisermos saber se o efeito continua com o tempo, se o animal se adapta, ou se há impacto na produção, estudos mais longos são necessários.

 

Frequência de fornecimento e dieta

Alguns aditivos funcionam melhor se forem oferecidos todos os dias, outros podem ser dados de forma intermitente. Isso depende de como o aditivo age no rumen do animal.

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Outro ponto importante é a alimentação: dietas com mais concentrado (ração) produzem menos metano do que aquelas com só forragem (capim, silagem). O tipo de manejo também influencia, já que animais em pasto podem receber o aditivo com menos regularidade.

Por isso, é ideal testar o aditivo em diferentes tipos de dieta e sistemas, para entender onde ele funciona melhor.

 

Como medir a emissão de metano

Existem várias maneiras de medir o metano:

  • Câmaras fechadas, que capturam o ar respirado pelo animal.

  • Equipamentos portáteis, como o GreenFeed.

  • Sensores no ambiente ou no animal.

Cada método tem vantagens e desvantagens. Alguns são mais precisos, outros mais práticos. O ideal é escolher o que se encaixa melhor na estrutura do local e nos objetivos do estudo.

 

Como apresentar os resultados

A forma de mostrar os resultados é tão importante quanto a medição. Por exemplo:

  • Expressar o metano por quilo de alimento consumido permite comparar mesmo se os animais comerem quantidades diferentes.

  • Em estudos longos, é importante mostrar o metano por quilo de leite produzido ou ganho de peso, para entender se o aditivo está ajudando ou prejudicando a produtividade.

A busca por soluções que reduzam a emissão de metano pelos ruminantes é uma necessidade urgente tanto do ponto de vista ambiental quanto produtivo. Os aditivos alimentares com efeito antimetanogênico representam uma estratégia promissora, mas seu uso eficaz depende de estudos bem planejados e conduzidos de forma cuidadosa.

Considerar fatores como idade do animal, tipo de dieta, sistema de produção e método de medição é essencial para garantir que os resultados obtidos sejam confiáveis e aplicáveis na prática. Além disso, adaptar o experimento ao objetivo do estudo permite avaliar não apenas a redução do metano, mas também o impacto do aditivo sobre a saúde, a produtividade e a sustentabilidade do sistema. Investir em pesquisas com planejamento adequado é o caminho para garantir que os aditivos tragam benefícios reais para os produtores e para o meio ambiente.

O texto foi escrito com base no artigo “Feed additives for methane mitigation: Recommendations for testing enteric methane-mitigating feed additives in ruminant studies. Journal of Dairy Science, 108(1), 322–355. https://doi.org/10.3168/jds.2024-25050”

Link para acesso a Tabela 1 do artigo - https://www.journalofdairyscience.org/action/showFullTableHTML?isHtml=true&tableId=tbl1&pii=S0022-0302%2824%2901401-2 

Referências bibliográficas

Hristov, A. N., Bannink, A., Battelli, M., Belanche, A., Cajarville Sanz, M. C., Fernandez-Turren, G., Garcia, F., Jonker, A., Kenny, D. A., Lind, V., Meale, S. J., Meo Zilio, D., Muñoz, C., Pacheco, D., Peiren, N., Ramin, M., Rapetti, L., Schwarm, A., Stergiadis, S., … Lund, P. (2025). Feed additives for methane mitigation: Recommendations for testing enteric methane-mitigating feed additives in ruminant studies. Journal of Dairy Science, 108(1), 322–355. https://doi.org/10.3168/jds.2024-25050

Miller, G. A., Auffret, M. D., Roehe, R., Nisbet, H., & Martínez-Álvaro, M. (2023). Different microbial genera drive methane emissions in beef cattle fed with two extreme diets. Frontiers in Microbiology, 14. https://doi.org/10.3389/fmicb.2023.1102400

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Material escrito por:

André Luis Claudino da Silva

André Luis Claudino da Silva

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Alex Lopes da Silva

Alex Lopes da Silva

Professor(a) do Departamento de Zootecnia, Universidade Federal de Viçosa

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Polyana Pizzi Rotta

Polyana Pizzi Rotta

Professora de Produção e Nutrição de Bovinos de Leite da UFV e coordenadora do Programa Família do Leite

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