Nem todo capim é igual: revelando o verdadeiro potencial da pastagem

A análise bromatológica revela a verdadeira qualidade do capim. Descubra como ajustar a dieta do rebanho e conquistar mais leite com eficiência e precisão.

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A qualidade nutricional do capim é crucial para a produtividade do rebanho leiteiro. O capim deve ser avaliado em termos de proteína, energia e digestibilidade, pois sua composição varia conforme espécie, cultivo e manejo. A análise bromatológica é essencial para determinar esses teores e ajustar a dieta do rebanho, evitando desperdícios e deficiências nutricionais. Essa prática é uma economia inteligente que resulta em maior produção de leite e saúde animal.

É simples confiar no que se vê, mas compreender o que está por trás (proteína, energia, digestibilidade ) exige atenção. Você já avaliou esses fatores no seu capim?

O capim é, sem dúvida, a base da alimentação do rebanho leiteiro brasileiro. Mas você já parou para pensar se o capim que o seu rebanho consome está, de fato, oferecendo o que ele precisa?

A qualidade nutricional do capim pode ser uma verdadeira caixa-preta. Saber o que há dentro dela é o que diferencia uma produtividade boa de uma excepcional.

Capim no ponto certo significa mais leite e melhor qualidade!

A qualidade nutricional do capim pode variar (e muito) conforme espécie, cultivar, momento do corte, condições climáticas e hábitos de crescimento, logo o segredo está no manejo e acompanhamento.

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Pense nestes números: dependendo do estágio de desenvolvimento, o mesmo capim pode apresentar teores de Proteína Bruta (PB) que variam de 5% a 13%, e de Fibra em Detergente Neutro (FDN) de 36% a 68%. O que isso significa na prática?

 

Mais Fibra, menos proteína

O pasto mal manejado acaba passando do ponto, e isso custa caro. Com o avanço do ciclo da planta, a fibra (FDN) aumenta, a proteína bruta diminui e, pior ainda: a lignina começa a se acumular. Esse componente endurece a estrutura da planta, dificultando a digestão e reduzindo drasticamente o aproveitamento dos nutrientes pelo animal. A cada 1% de aumento na digestibilidade da fibra, o consumo de matéria seca pode crescer em até 0,17 kg por vaca/dia, resultando em um ganho médio de 0,25 kg de leite corrigido para 4% de gordura (OBA; ALLEN, 1999). Ou seja, um capim mais digestível se traduz diretamente em mais leite no tanque.

É justamente nesse cenário que a análise bromatológica do capim se torna indispensável. Ao revelar com precisão os teores de proteína, energia, fibra e digestibilidade da forragem, ela permite ao produtor entender o real valor nutritivo do que está sendo oferecido ao rebanho. Com essas informações em mãos, é possível ajustar a dieta com exatidão, equilibrando os suplementos conforme a necessidade do momento. Isso evita tanto o desperdício com suplementações desnecessárias quanto às deficiências nutricionais que afetam diretamente o desempenho animal.

Com uma base técnica sólida, as decisões deixam de ser tomadas no achismo e passam a ser guiadas por dados confiáveis. Medir é o primeiro passo para gerenciar com eficiência.

Esse tipo de manejo baseado em evidências se torna ainda mais necessário em tempos de margens apertadas, onde cada litro de leite precisa justificar o investimento feito. Fazer a análise do capim, portanto, não é um gasto. É uma economia inteligente que se traduz em mais leite no tanque, animais mais saudáveis e decisões nutricionais mais acertadas.

Pensando nisso, o ESALQLAB preparou uma série de textos especialmente voltados a produtores e técnicos, com orientações práticas sobre como coletar, enviar e interpretar análises de forragens frescas. Essa série será publicada aqui, em nossa coluna no MilkPoint.

Você já analisou o capim utilizado na sua propriedade? Compartilhe nos comentários os resultados que obteve e como essa prática influenciou sua produção

Referências bibliográficas

OBA, M.; ALLEN, M. S. Evaluation of the importance of the digestibility of neutral detergent fiber from forage: effects on dry matter intake and milk yield of dairy cows. Journal of dairy science, v. 82, n. 3, p. 589-596, 1999.

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Material escrito por:

João Pedro Monteiro do Carmo

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