Como lidar com o aumento da produção de leite na fazenda no período de pico dos partos?

Blog Clínica do Leite: "Em grande parte das fazendas brasileiras, o período de março a junho é marcado por um aumento considerável na taxa de parição do rebanho. Nas propriedades acompanhadas pela Clínica do Leite, se compararmos o mês de maio com janeiro, por exemplo, o número de partos praticamente dobra. Essa variação implica em uma série de mudanças na rotina das fazendas, que precisam ser realizadas com cuidado para garantir o máximo pico de produção dos animais", Paulo Machado, diretor da Clínica do Leite e professor da Esalq/USP

Publicado em: - 3 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 1
Ícone para curtir artigo 0

Prof. Dr. Paulo Machado*
 
Em grande parte das fazendas brasileiras, o período de março a junho é marcado por um aumento considerável na taxa de parição do rebanho. Nas propriedades acompanhadas pela Clínica do Leite, se compararmos o mês de maio com janeiro, por exemplo, o número de partos praticamente dobra. Essa variação implica em uma série de mudanças na rotina das fazendas, que precisam ser realizadas com cuidado para garantir o aproveitamento máximo no pico de produção de leite. 

A padronização de processos, o preparo das equipes, a adequação das instalações e o monitoramento constante de indicadores de desempenho são ações fundamentais à gestão nesse período. Tudo isso ajuda a organizar as atividades, orientando os empregados na busca pelos resultados esperados.

Dimensionar a equipe corretamente para dar conta do trabalho é fundamental. É necessário acompanhar os partos dia e noite e com o grande número de vacas em trabalho de parto, os empregados que realizam essa função podem precisar fazer um grande número de horas-extra para dar conta da demanda. Tendo em vista a estimativa das horas trabalhadas na fazenda durante esta fase, o proprietário ou o gerente da fazenda podem estabelecer de que forma gerir essa situação: fazer o pagamento das horas-extra ou contratar funcionários temporários. Também é uma boa ideia consultar os funcionários: a transparência na gestão de pessoal estimula o bom relacionamento interpessoal e a satisfação dos colaboradores que tornam-se mais produtivos.

Outra solução para suprir essa demanda de pessoal é mexer nas equipes de operadores, para que alguns funcionários de outros setores se dediquem à supervisão das vacas em trabalho de parto. Com essa alteração, corre-se o risco de que alguns empregados passem a exercer funções que antes não faziam parte de sua rotina. Caso eles não tenham sido devidamente preparados para realizar essas tarefas, dificilmente conseguirão executá-las sem falhas.

Para evitar que o fluxo de trabalho seja prejudicado, cabe ao gestor da fazenda se antecipar. O primeiro passo nesse sentido é assegurar que todos os processos estejam corretamente mapeados e possam ser compreendidos por qualquer empregado que precise executar as tarefas envolvidas. Com isso, o treinamento se torna muito mais fácil, mas jamais pode ser deixado de lado. É preciso explicar com clareza às pessoas o que se espera como resultado do trabalho delas. Somente ao compreenderem por completo a importância do que fazem, elas serão capazes de se engajar na busca por esse resultado.

Outra questão que deve ser pensada antes da alta da taxa de parição é se a estrutura física da fazenda comporta adequadamente as vacas em trabalho de parto e os bezerros que vão nascer. Se, devido à falta de espaço adequado, ocorrer um maior número de doenças entre os bezerros, que tem um sistema imunológico mais frágil, todos os animais da fazenda ficam mais suscetíveis a doenças.

Com isso, aumentaria, consequentemente, a quantidade de antibiótico administrado, o que por sua vez implicaria na necessidade de alterações no protocolo de ordenha da fazenda: torna-se necessária uma atenção especial com as vacas encaminhadas para a ordenha, um maior descarte de leite, devido a resíduos de antibiótico, e existe um maior risco de queda no preço do leite comercializado devido a anomalias na análise química.

Como se vê, quando se trata de pico de parição, a palavra de ordem é planejamento -- uma das bases de todas as boas práticas de gestão. O ideal é que ao final do verão a equipe e a estrutura da fazenda estejam preparadas para vivenciar esse período. O objetivo deve ser aproveitar ao máximo a possibilidade de ampliar a produção, com os mesmos meios, garantindo maior rentabilidade ao negócio. Com a casa organizada, o sucesso é garantido. 


* Diretor da Clínica do Leite, é professor da Esalq/USP, titular em Bovinocultura de Leite, com 43 anos de experiência em gestão de fazendas.
Ícone para ver comentários 1
Ícone para curtir artigo 0

Material escrito por:

Clínica do Leite

Clínica do Leite

A Clínica do Leite é um laboratório de análises que atua em gestão da pecuária de leite, por meio da geração de conhecimento e da formação de pessoas.

Acessar todos os materiais

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Marcello de Moura Campos Filho
MARCELLO DE MOURA CAMPOS FILHO

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/03/2017

Prezado Paulo Machado

Considere uma fazenda produzindo uma média de 3.000 l/dia com 6 funcionários.

Quantas equipes você sugeria para execução do trabalho dentro do período normal e quais as tarefas atribuídas a cada equipe e como sugeriria a redistribuição destas tarefas no período de pico de parição.

Grande abraço

Marcello de Moura Campos Filho
Qual a sua dúvida hoje?